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6 de maio de 2011

De mão estendida mas sobranceiros


  • Casa Comum, 30 de Setembro de 1948
  • Notas para o meu caderno de memórias
  • O candidatura do general Norton de Matos
O general Norton de Matos apresentou-se oficialmente às eleições para a Presidência da República, em Julho deste , após algumas hesitações, já que a sua candidatura demorou a criar consenso.

António Sérgio apostava no general Costa Ferreira, que tinha sido ministro da Instrução de Setembro a Dezembro de 1929, e outros preferiam Mário de Azevedo Gomes, um dos patriarcas da oposição ao salazarismo e membro do directório Democrato Social.

Manuel Serras e a antiga estrutura do Partido Republicano Português eram da opinião que a Oposição não devia apresentar um candidato às eleições.

Destaco do seu Manifesto as seguinte passagens

  • Trata se evidentemente de um candidato de oposição ao regime actual. Mas de um candidato que exprime uma forte corrente, provavelmente indomada e indomável; de um candidato, pois, que, na plena consciência do que vale a designação que do próprio nome foi feita, se dispõe a lutar pelo seu direito, guiado sempre pelo único imperativo de servir a honra e o interesse nacionais.

  • para a sua realização a Nação carece que um novo regime político se estabeleça.
  • assim a apresentação de uma candidatura de oposição no actual estado de coisas significa a luta legal e pacífica pelos objectivos seguintes:
  1. Restituição aos cidadãos portugueses das liberdades fundamentais, o que implica a adesão efectiva do Estado Português a princípios internacionalmente definidos e aceites que aos Direitos do Homem digam respeito.
  2. o exercício das liberdades de: consciência, crença e culto público e privado; palavra e meios de expressão: reunião e associação; acesso às fontes de informação nacionais e estrangeiras.
  3. amnistia total para os presos políticos e por questões ditas sociais e consequente regresso dos exilados.
  4. abolição do regime de censura.
  5. liberdade de organização e actuação para os partidos políticos.
e... muito mais que deixaram o velho ditador desesperado, liberdades a mais é o que é para quem quer sempre a rédea curta


  • Ajuda pedida através do plano Marshall
No escasso período de um ano, que se iniciou com as primeiras reacções ao discurso do general Marshall no início de Junho de 1947 e culmina agora com Salazar a operar uma mudança radical na sua posição face ao auxílio financeiro norte-americano.

De uma inicial atitude de rejeição do auxílio viu-se compelido a solicitá-la agora

Inicialmente, seguido as instruções de Salazar, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Caeiro da Marta, considera que

«Embora Portugal não pense carecer de créditos ele precisa certamente de fornecimento de outros países designadamente de utensilagem industrial e está portanto disposto aos entendimentos convenientes para por sua parte fornecer aos outros também aquilo de que a sua economia possa dispor"

Esta é a atitude pertenciosa de Salazar, desconfiado com tudo o que seja cooperação e ao mesmo tempo ostentando uma toleima que não correspondia de todo à realidade portuguesa.

O ministro das Finanças Lumbrales acreditava na capacidade de auto--recuperação do país, apostando na força da identidade nacional para fazer face à ameaça de crise, sem que houvesse necessidade de recorrer ao auxílio externo.

Sucedeu que ao longo dos primeiros meses deste se assistiu, pela primeira
vez desde há alguns anos, a uma deterioração acentuada da situação financeira
e cambial portuguesa.

A deterioração da situação económica e financeira portuguesa deve-se sobretudo
a quatro razões:
  • (1) ao aumento das importações, devido a uma crescente procura em resultado das restrições da guerra e ao aparecimento de algumas tensões inflacionistas;
  • (2) à forte diminuição das exportações de alguns produtos e mercadorias anormalmente valorizados durante a guerra;
  • (3) ao aumento das importações de produtos agrícolas devido à escassez da produção de cereais, fortemente atingida pelos maus anos agrícolas de 1946 e 1947
Por tudo isto desde Agosto passada o governo português tem vindo a solicitar que Portugal seja contemplado na distribuição dos créditos Marshall e, directamente ou através dos seus representantes diplomáticos, envidará todos os esforços no sentido de obter junto do governo norte-americano, da ECA e da OECE o máximo no montante de auxílio financeiro norte-americano a atribuir a Portugal.

Este mês foi assinado o programa de auxilio , na sequência do qual Portugal apresentará em Paris, brevemente um programa estimado em 625 milhões de dólares o capital necessário à sua execução,do referido programa.

Talvez tenha passado pela mente dos americanos que teria sido melhor que esse pedido de ajuda deveria ter sido feito mais cedo.

(Fonte ; de Maria Fernanda Rollo sobre este tema)

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