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30 de maio de 2008

O almoço cá da gerência (I)

Há quem me chame cota e se mo chamam por alguma razão será.

Uma delas tem que ver com alguns hábitos que cultivo ( já foi pior quando não havia carros com fecho de porta centralizados ao alcance dum clique ), ter o hábito de abrir primeiro as portas, para as senhoras passarem e outros que ainda tento manter, como por exemplo o de considerar que o facto da Minucha vir almoçar comigo, justificava a preocupação de não escolher um sítio qualquer.

Lembrei-me que o Faz figura da Rua do Paraíso em Lisboa, tem mais qualquer coisa que um simples local para comer, tem um vista linda sobre Lisboa.

Não nos conhecíamos pessoalmente, fui um pouco ridículo confesso, provavelmente mais um tique de cota, pois pensei dizer à Minucha num toque de romantismo bacoco, que levaria na mão um livro, dum clássico qualquer do romantismo do sec. XIX. Reconheçamos que é muito mais prático, deixar o nome na recepção, para que me identificassem logo que a Minucha chegasse.

Aguardei alguns minutos, desfrutando a vista sobre Lisboa abraçando a meu Gin Tónico com a certeza que não iria esperar muito tempo, já que embora chegada da Várzea, montada no seu bólide, Jeep qualquer coisa, que ela adora e a sua longa experiência de condução, não me iria dar a habitual seca bem feminina.

Acertei, 5 minutos não é nada, ei-la, acabada de chegar, os dois beijinhos clássicos e o mesmo para beber.

Ainda não tínhamos escolhido o que comer, quando me lembrei de lhe perguntar o óbvio, já que olhava a menú do restaurante.

-Não sei afinal ,se estou ou não em presença duma simples curiosa da culinária ou duma pessoa com canudo e mestrado em gastronomia e pergunto-te não só pelos post frequentes que fazes no Claras com receitas, como no teu blogue, tens bem destacados uns tantos sítios de cozinheiros ou de pessoas altamente conhecedoras de culinária.

- Sabes lindinho, és mais alto do que te imaginava, mas de resto estava perto vá lá saber-se porquê.
Não sei o que consideras canudo em gastronomia, mas sei que cozinho desde os 13 anos, que gosto muito de o fazer, e que não deixo a empregada sequer fazer uma sopa.
Tirando a Nouvelle Cuisine de que não sou admiradora, leio sobre usos e costumes de outros países, invento e isso é o meu maior gozo, e tenho o dom, se assim se lhe posso chamar de conseguir fazer tudo o que como num restaurante de que goste.
Não preciso de receitas, estou indecisa entre o folhado de queijo da serra e o crepe de cogumelos...não, crepe de cogumelos e caril vermelho de gambas, e tu o que vais comer?
Porque tu de culinária pelo o que contas és um bom garfo, e mais nada.

Não me canso de olhar esta vista. Como Lisboa é bonita!.

-Caril nem pensar,detesto isso, bem como picantes dum modo geral, no caso especial do caril essa coisa cheira-me a cavalos.
Prefiro pá de cabrito no forno e se gostares um vinho do Douro da Ferreirinha.
Para mim culinária , são latas de atum e ovo estrelado.
Curiosamente julgava-te mais alta e não te esperava morena, imaginava-te ruiva que é tom das mulheres rabitesas de pêlo na venta, desculpa a expressão é a ideia que talvez tenha resultado dalguns "desencontros ideológicos" mais aguerridos que tivemos em tempos.

Ah! Mas deixa-me dizer-te que quando digo rabitesas é um elogio, detesto dengosas, as yes woman, as adoradoras do marido, que também já o foram do papá e estão prontinhas para ser do patrão, em suma as que adoram o poder. As galinhas que adoram servir.

- Picantes é comigo, gosto imenso e uso-os com frequência.
Nunca fui "yes" do que quer que seja. Não faço parte das galinhas, disso podes ter tu a certeza.
Mas sabes, o poder, porque já o tive quando trabalhava, pode ser sedutor, inebriante e viciante. É necesário estar alerta, para se não cair na tentação do abuso e principalmente saber abrir mão dele, quando é tempo disso.

-Sei que não és galinha, aliás o nosso já "velho" relacionamento, diz-me bem que se tiveres algum defeito e se isso for defeito, estou ainda para saber, é alguma precipitação na contestação algum "vício" de contestar, lendo atravessado, algo que alguém te diz, que tu "queres ler" outra coisa e reages intempestivamente.

Sabes bem que isso se passou connosco algumas vezes. Ora essa reacção é antítese da mulher-galinha que referi.

Olha, a propósito, e já que o nosso almoço está a decorrer como eu esperava, muito interessante, acho melhor gravar este nosso almoço, porque ou fazemos um post interminável o que me parece chato ou gravamos e publicamos em dias seguintes em prestações suaves, que achas ?

Acho interessante essa alusão que fazes às relações de poder, que concordo e vou mais longe, não pode ser É Sedutor, inebriante e viciante, vamos falar disso.

Gostas do vinho ? Acho interessante este Esteva, é um vinho honesto, tem um preço razoável e não deslustra a qualidade Ferreirinha

- Só tu Luisinho para me fazeres rir. Eu acho que tu é que interpretas mal o que eu digo.
Não leio atravessado, tu é que fazes insinuações, não sei de dás por isso, mas que estavam nos lugares em que te contestava estavam.

Não conta só a letra de forma, conta também como se diz.

Sou intempestiva,claro que sou, deveria contar até dez e não consigo sequer lembrar-me de contar (gargalhada).
,
Não, não é vício de contestar. Quando contesto para entrar em discussão, normalmente é com calma, mas claro sou muito mais emocional do que racional.

É defeito sim.

Acho que tens razão. É melhor não fazer posts grandes de mais. Grava lá a conversa.

O poder é isso tudo, e tu também já passaste por ele. Se começamos a falr do Poder, nunca mais acabamos.

Gosto do vinho, claro. O Esteva é sempre bom. Gosto muito de todos os vinhos Ferreirinha e tenho em casa umas preciosidades. Poucas, mas preciosidades.

28 de maio de 2008

ALMOÇO COM A TERESA E COM A SUSANA II


NOTA aos navegantes:
Estamos a escrever uma história ficcionada. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência


- Não foi ele que foi atacá-la..porque eu sei que o Pedro ao contrário do António, nunca foi desses!!! Foi sim...o contrário!!! ELA!!
Falas que não devo dar cabo da minha vida...mas eu já perdi tudo!!! Achas que neste momento tenho mais alguma coisa a perder??? Não me parece...


- Estás a simplificar Susana.
OK. Também acho que os nossos casos são diferentes, quanto mais não seja porque o António não os tem no sítio, além de ser uma pessoa profundamente má, que faz teatro passando-se por um dos mais santos da net.
O Pedro não é assim. Certo
Mas vamos supor que é verdade, que foi ela que se fez ao Pedro e não o Pedro a ela, ou que os dois se fizeram um ao outro ao mesmo tempo, também pode ter acontecido.
Ela a ti nem te conhecia, por isso não foi ela que te fez mal, quando muito foi o Pedro que te magoou.

Sabes Susana, mas dar a volta a um homem que não gosta de nós, é humilhante, como consegues viver com tão pouco? Tu já tinhas tão pouco…tinhas o teu filho, mas como queres que reaja um juiz quando sabe que a mãe por vingança, não deixa o filho ver o pai? Não quiseste saber do bem-estar do miúdo, quiseste vingança e o miúdo que se lixasse.
Mas sabes o que tens ainda a perder, a vida e já o tentaste.

Caramba rapariga! tu ainda és nova, tens a toda a vida pela frente. Porque não dar hipótese a um novo amor que te ame como qualquer mulher merece? Destruir-lhes a vida de que é que te adianta? Ir parar à prisão? É isso que queres?

- Eles não se podem ficar a rir Teresa..não podem!!!
E falas no meu filho???Eu fiz tudo a pensar no bem estar dele!!! Tu acreditas que ele chama mamã àquela gaja??? Nem imaginas o que me passava quando ele me perguntava pela "Mamã"!!! Até o meu filho viraram contra mim!!! Eu fi-lo a pensar nele..e faço-o a pensar nele..porque quando eu vencer esta guerra...(fixa o que eu te digo..EU VOU VENCER)..aí sim...posso viver em paz com o meu filho!!!
E ainda te digo mais...atentei contra a minha vida..porque me senti desesperada...mas já dei a volta por cima!!
Querem guerra...pois vão tê-la..e não fui eu que a comecei...
Falas que me contentava com pouco?? Não..enganas-te...eu contentava-me com a vida que tinha...o homem que amo e um filho dele...e ela tirou-mo!!!
Já vi que não adianta dar-te mais argumentos...pois sem dúvida que não pensamos da mesma forma!!
Baixas-te os braços muito rapidamente Teresa...e a esta hora..estão os dois a rirem-se de ti...e a dizer que foste uma tontinha e uma parvinha...porque caíste na teia!!! Sentes-te bem assim??? Bolas!!! Não sei como consegues...


- Oh Susana, como podes dizer que fizeste tudo a pensar no bem-estar do teu filho? Tu não percebes que deixar de ver o pai durante imensos meses, lhe fez mal?
Caramba, tu és inteligente!
Olha lá, devias era estar contente por a madrasta gostar tanto dele, que até a trata por mamã. Não seria muito pior se o tratasse mal?
Mas vais vencer o quê? o que andas tu a engendrar. Mas quem é que quer guerra. Eles não estão sossegadinhos no seu canto?
Não faças asneiras.
Tu amas um homem que já não te ama, se é que alguma vez amou.

Baixei os braços? Querias que andasse com eles no ar, não? Gargalhada
Oh pá, se o gajo anda com outra é porque não gosta de mim, e ponto final.
Quero lá bem saber de um gajo que não gosta de mim.
Pela tua rica saúde, ele que fique com quem quiser.
Mas passa-te pela ideia que eu queira quem me tratou mal sem nenhuma razão? Um sacana? Um mentiroso?
Tu não estás boa. Eu quero é que ele fique bem longe de mim….e ele também quererá o mesmo, o que é óptimo. Nisso estamos de acordo. Gostava de a avisar, mas é difícil…
Mas deixa que quando ele começar a desligar o telemóvel e a dizer que ficou sem carga, ou sem saldo e tiver o telemóvel desligado uma tarde inteira, ela logo perceberá e começará a desconfiar.
Já viste algum empresário com o telemóvel desligado sem carga, ou sem saldo, uma tarde inteira? Eu nunca.


- Teresa!!! Está visto que não me entendes...e penso que nunca me vais entender, porque como já viste temos maneiras diferentes de pensar!!!

Eu fiz o que fiz...pela minha felicidade..para recuperar tudo o que me tiraram e que é MEU..por direito!!! E voltava a fazer de novo!! Não me arrependo de nada...talvez só me arrependa de ter atentado contra mim própria...mas também me serviu para reflectir e pensar em tudo isto..e cada vez é maior a vontade que tenho em não desistir!!!
Agora..aquilo que acho é que o Pedro sempre me amou...mas ficou enfeitiçado..e eu hei-de quebrar esse feitiço..escreve o que te digo!!

Quanto a ti...talvez tenhas razão no que dizes sobre o teu caso...e com um gajo desses o melhor é a distância!! Quanto a ela..se quer ser parva..problema dela..eu se fosse a ti..mesmo que pudesse não a avisava!!! Mas isso sou eu...sabes como sou!!
Quanto a mim...penso que é melhor pararmos por aqui a conversa...porque como temos pontos de vista diferentes..ainda vamos acabar por nos chatear!!! E era só o que me faltava chatear-me com as amigas por causa daquela...daquela...nem vou dizer o nome!!
Humm..está delicioso este peixinho!!! Não achas???


- Vamos então aproveitar esta vista maravilhosa, e comermos este peixe delicioso.
Zangas é que não. Se um homem não merece que uma mulher se destrua, como tu andas a fazer, merece ainda menos, seja qual for, que amigas se zanguem.
Desde já te aviso, por te saber tão gulosa, que têm uma mousse gelada de avelã que é de comer e chorar por mais.




À Cleopatra, Imperatriz do PÁGINAS DA NOSSA VIDA o meu muito obrigado pela participação na personagem da Susana.

26 de maio de 2008

Um desafio cá ao rapaz

A minha querida sócia aqui da Casa, a Minucha que assina o Claras em Castelo, encomendou-me um pastelão. Dela que é especialista em culinário, não se espera outra coisa.

Vai daí, arregimentou-me um trabalhinho, nem mais nem menos que responder a um desafio que lhe fizeram e que ela repassou, que consiste em dizer quais as seis coisas que mais odeio.

Não é nada difícil este desafio porque, para já, proponho aumentar esse número para 12, subscrevendo os 6 que a Minucha indicou e já que somos sócios gerentes activos cá do estabelecimento, basta-me acrescentar a minha parte

Atendendo à minha lesão muscular mais recente, tenho que promover à categoria de catástrofe mundial o torcicolo, ou lá como se chama esta porra que me tem afligido e impedido o alto nível de produção bloguista, nos últimos dias com manifesta pena dos meus 3 ou 4 fãs, que não perdem pitada da minha prosa.

Vamos aos ódios de estimação
  • Tudo o que é escrito, assinado ou vomitado pelo gordo soba madeirense Alberto Jota Jota.
  • A prepotência dos fortes, exercida sobre quem não se pode defender, nomeadamente as crianças e idosos indefesos.
  • A pedofilia associada à incapacidade jurídica de não mandar capar os condenados.
  • A toleima dos que se julgam iluminados e ou os melhores do Mundo, menosprezando os outros, tanto mais, quanto menor for o seu valor real.
  • Os salazarentos que ainda andam por aí, clamando contra o regime, esquecendo-se dos tempos em que também havia fome e não havia sapatos.
  • Os chicos espertos, seja na estrada, seja no emprego, afinal em todos os aspectos da vida onde a rasteirada vale sempre, nem que seja por lentilhas.
A parte difícil é a selecção dos vítimas a chatear e que muito justamente me possam mandar dar uma volta ao bilhar grande, mas que têm a minha admiração porque são 6 blogues muito bem feitos.

24 de maio de 2008

DUAS RECEITAS PARA O XISTOSA


Laranjas em calda e sua casca

Diz lá que não parece nome de Nouvelle Cuisine”? mas não é!


Laranjas – no mínimo uma por pessoa.

Açúcar – a olho

Água – a olho

Juliana de casca de laranja- a olho

Tira-se o vidrado da casca, a duas laranjas, bem lavadas anteriormente. Costumo fazê-lo com um descascador de lâmina fixa. Façam como quiserem.
Ponham num tacho com água, o vidrado da laranja a cozer durante dez minutos, estas laranjas devem ter bastante molho, depois deitem açucar, bastante para fazerem rapidamente um ponto perto do ponto de pérola (106º). Mas logo que comece a ficar ligeiramente pastoso, na colher de pau, está bom. Pode-se juntar licor de laramja, qualquer um, desde que bom. Eu prefiro sem licor.

Enquanto o tacho está ao lume, descascam as laranjas, com faca sem deixarem nenhuma parte branca e cortam ao meio na horizontal. Costumo tirar a parte branca da laranja que está no meio de cada metade e para fazer bonito ponho uma cereja cristalizada. Não fica mal, mas eu nunca como a cereja. Põem-se numa taça funda.

Nada de ideias inteligentes de cortarem às fatias, que depois fica uma porcaria.

Quando o molho está pronto, acabado de sair do lume, deita-se por cima das laranjas. Deixa-se esfriar e ponham ou não no frigorífico, como preferirem.

Ótima , rápida e desenjoativo.

Bolachas recheadas ou uma espécie de Blättertorte

Vai por mim Xistosa, parece mais complicada, mas se a provares nunca mais queres outra coisa. Se faz favor fazes tal e qual eu te digo, mesmo que te avisem que é disparate, porque não há ninguém que faça esta massa melhor do que eu.

Massa

250 gr. de farinha

250gr de manteiga

Uma clara de ovo

6 colheres de sopa de açúcar (não é rasa é cheia)

Meio pacote de daqueles de 250gr de amêndoas, ou avelâs ou nozes ( o que houver em casa), com amêndoas é a melhor forma, mas as outras também são boas


Ralas as amêndoas (no 1,2,3) enquanto derretes a manteiga sem deixar ferver (é aqui que dizem que é asneira, não faças caso)
Juntas à farinha, e à clara e ao açúcar e mexes com os dedos o menos possível, só mesmo para tudo ficar ligado. Deve descansar meia hora no inverno, uma hora no verão, cá fora. Não ponhas no frigorífico (outra asneira, mas não faças caso).

Enquanto espera, abres uma lata das pequenas de ananaz e cortas as rodelas aos bocadinhos. Depois de cortados apertas bem entre as mãos para lhe tirar todo o sumo.

Bates um pacote de natas frescas de 2 dl, com a batedeira e com as varas de bater claras, quando ficarem a começar a ficar presas, pões-lhe dentro Canderel ou parecido. Faço sempre o Chantilly com adoçante. Pões a olho e depois vais experimentando até estar com a doçura que gostas. Cuidado para pores a máquina a trabalhar na velocidade mínima se não o adoçante voa por todos os lados.

Ora agora vamos à parte mais difícil, mas a melhor, o fazer de duas bolachas grandes. Acende o forno a 200º
Vê bem o prato de bolos onde vais colocar e arranja um tabuleiro de alumínio, ou dos pretos mais antigos da mesma largura.

Viras o tabuleiro ao contrário, ficas com o fundo virado para cima. Pões ou cortas uma folha de papel vegetal anti-aderente, por cima. Divides a massa em dois, faz uma bola com cada uma. A massa está mole e pega-se às mãos e a tudo, por isso pões por cima da massa os bocados necessários de papel filme, até abranger a largura do fundo do tabuleiro.Depois com as mãos vais esborrachando a massa até atingir a largura que queres e dás-lhe o formato redondo se o prato for redondo ou a forma que quiseres.

Vai ao forno até ficar dourada escura, quando tirares, deixas A BOLACHA ARREFECER. Só depois a tiras com cuidado com as duas mãos por baixo. Ai se a ASAE sabe que se faz tudo com as mãos, bem lavadas claro.

Repetes a operação com a segunda bola. Não te distraias com o forno, não leva mais de vinte minutos se tanto.
Depois é rechear com o chantilly e ananaz. Também fica muito bem com simples compota de framboesa, da Casa de Mateus.
A segunda bolacha é só pôr por cima. Para ficar linda, salpica-a com açúcar em pó.

Faz só no dia, e não recheies senão no dia. Ao cortar desfaz um pouco, mas não te importes, vais fazer boa figura, garanto-te.

É mais fácil de fazer do que ler.

Experimentem, são ambas deliciosas.


20 de maio de 2008

ALMOÇO COM A TERESA E COM A SUSANA - I

NOTA aos navegantes:
Estamos a escrever uma história ficcionada. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência


Foram só as duas almoçar, porque só as duas tinham o mesmo desgosto, Susana tinha sido deixada pelo marido e Teresa tinha acabado com o namorado.
As duas sentiam-se traídas, mas por razões diferentes, mas seriam, eventualmente, as que poderiam melhor entender o desgosto uma da outra.
Teresa gostava muito do Mestre Zé, o antigo, no Guincho, por isso ter escolhido aquele restaurante. Ficaram numa mesa junto de uma das janelas, onde poderiam ver o mar, na zona mais baixa da sala. Ali estavam, mais á vontade.

O almoço foi um robalo feito no sal, pescado á linha. Apetecia-lhes peixe fresco e sem ser de “aviário”

- Foste mesmo ao fundo Susana, para te ser diagnosticada uma depressão. Olha que apesar de tudo, não há homem nenhum que valha isso. Andas mais calma?

- Eu? Estou calmíssima! Só não vou descansar enquanto não pagarem por tudo o que me fizeram!! Porque a culpa de eu ter ido ao fundo...foi deles. Ponto final.
Quem mas faz..paga-mas!!
Ela é que foi a culpada de tudo...porque eu estava cá sossegada no meu canto...e embora as coisas não andassem bem com o Pedro...eu ia dar-lhe a volta como sempre fiz!!! Estávamos a passar uma má fase..e ela veio intrometer-se!! Portanto..agora sofrem as consequências dos actos que fizeram!!
Achas que não tenho razões para estar como estive??
Tiraram-me tudo...TUDO!! Pois agora quem lhes vai tirar tudo sou eu!! Tenho esse direito!! Não achas que tenho razão??
Que farias se tivesses no meu lugar?? Diz-me Susana!! Que farias se te tirassem o marido...o teu filho..a tua vida??? Ficavas de braços cruzados..só porque não há homem nenhum que mereça uma lágrima sequer das que deitamos???

- Estás cheia de raiva Susana e isso não é bom.
Vejo as coisa de maneira diferente da tua. Não atiro culpas para nenhuma mulher, se houve traição foi o Pedro que traiu, e não outra mulher, seja ela qual for. Mas penso que o amor não é eterno, ou pelo menos poderá não ser e que há coisas que acontecem na vida que ninguém está à espera.
Repara, eu se o António tivesse tido a dignidade de dizer que gostava de outra, teria aceitado.
Mas o que o António fez é que é inadmissível. Inventar que está a morrer, pôr-me a chorar durante dias por ir morrer…programar a doença com semanas de antecedência…não isso não se faz. Depois vir a descobrir, que já em Janeiro não tinha estado doente, descobrir que anda na net, com várias personalidades, ele è fotógrafo, ele é duas mulheres diferentes, que andava com outra, ou outras desde Setembro, isso é que é inadmissível.
O Pedro foi sincero, acabou. Pronto. O António não queria acabar comigo, queria que eu estivesse ali de lado, para as faltas, porque a mulher com quem ele anda, parece que está muitas vezes doente, que tem muitas dores de cabeça, eu sei lá

- Sim...concordo que o António foi um filha da mãe contigo..para não dizer outra coisa!!! Mas repara...aqui a culpa não foi do Pedro!! Foi DELA!! Ela é que é a culpada de tudo!!! Ela é que lhe deu a volta à cabeça...e ela é que me tirou tudo!! Portanto agora chegou a minha vez!!!
Sabes...estes meses que estive internada...nos momentos de lucidez!! Sim...porque me drogaram até mais não...mas tive momentos lúcidos...oh se tive..e aí pensei muito em tudo...e não vou voltar atrás na minha decisão!!! Ela destruiu a minha vida...pois agora vou eu destruir a dela!! Tenho esse direito!!! Não concordo quando dizes que ela não teve nada a ver com isto!! Porque teve!!! Se ela não se tivesse intrometido..nada disto tinha acontecido e eu tenho a certeza que hoje ainda estaria com o Pedro!!
Já viste que ela foi tão esperta que apanhou-o logo engravidando dele???Ela é muito esperta.
Julga-se muito esperta!!!Está tão enganadinha!!!
Agora diz-me...não ficaste nem um pouco com raiva dessa tal??

- Não Susana, não fiquei com nenhuma raiva dela…nem dele, se queres te diga.
Logo que descobri, porque ele quis que eu descobrisse, para mim ficou a ser passado, a única coisa que queria era que me explicasse, porque me tinha feito sofrer, inutilmente, porque ele sabia que bastava dizer-me que tinha acabado….aquilo que sentiu por mim, para já ser passado. Era tão fácil.
Mas ele resolveu ignorar a minha pergunta, e aí sim, deu-me uma raiva, mas a ele e só a ele. Se me tivesse aparecido à frente, acho que o tinha deixado todo arranhado, mas de fúria.
Não, não tive nenhuma raiva dela, tenho é pena, porque sei que vai ser mais uma vítima. Só isso. Gajos destes não mudam. O António gosta de caçar, mas mais uns mesitos, e estará tudo acabado.
Quanto a ti, acho que ela não teve nada a ver com o Pedro ter acabado contigo.
Ao tempo que te andavas a queixar do Pedro. Lembras-te de contares que ele nem queria fazer amor contigo? Porque quiseste viver com um homem que sabias que não te amava? Porquê Susana?
A mim nem que me cobrissem de ouro, eu aceitaria viver com alguém que não gostasse de mim, desde que me apercebesse disso.
O Pedro deveria ter saído há mais tempo de casa, mas isso também são coisas da vida. Olha que ele não foi sacana contigo e o facto de ela estar grávida só poderia influenciar, se ele não tivesse já um filho teu. Mas tinha, e adora-o.
Vê lá o que fazes, não dês cabo da tua vida.

- Olha Teresa...eu acho que os nossos casos são muito diferentes!!! O Pedro sempre foi assim comigo...é feitio dele, não era porque não gostasse de mim...mas eu conseguia sempre dar-lhe a volta e ele sempre foi bom de cama!! Entendes o que quero dizer?? fazíamos pouco...mas quando fazíamos...
Não acho que fosse por não gostar de mim, mas porque ele é mesmo assim!! Agora...estávamos a atravessar uma fase menos boa no casamento....ainda por cima tínhamos sido pais há pouco tempo, eu ainda estava de licença de parto...e logo mais frágil e menos íntimos!!Ela veio atacar precisamente nessa fase...entendes?

Tem continuação na próxima quarta-feira
.


À Cleopatra, Imperatriz do PÁGINAS DA NOSSA VIDA o meu muito obrigado pela participação na personagem da Susana.

16 de maio de 2008

Páginas da nossa vida ao almoço


Ando a prometer-lhes o Tico-Tico,na Av 31 de Janeiro na esquina com a da Igreja, há imenso tempo, onde se come provavelmente o melhor bife de Lisboa, acompanhado por um molho especial de primeira, cavalgado pelo respectivo ovo.

Há muito mais coisas para comer, mas nada melhor que aquele bifinho comido no fim do jogo, eram 10 e meia da noite, a acompanhar a respectiva vitória do Sporting, para aconchegar, antes do regresso a Portimão.

Como lá tinha ido no pasado domingo dia 11, logo me lembrei que o próximo almoço de sexta-feira seria ali, pois a lista é variada, mesmo que não gostem de bife.

Nenhum deles conhecia o Tico-Tico, nem conheciam o jovem amigo, meu vizinho no Alvalade XXI,que levei ao almoço, o Júlio César para os bloguistas mais próximos, nada mais que o Imperador, feliz esposo da sua Cleópatra e futuro pai dum jovem leãozinho que vem a caminho.

-Internet ?! Aqui como o Luís que passa a vida de volta do computador ?- atacou de imediato o Silva- eu também vou nessa, mas não ando por lá a perder tempo, com bloguinhos de merda, a escrever sobre história e a mandar beijinhos em seco a gajas que não conheço de lado de nenhum.

Para mim internet e blogues são terreno para caçar onde pelo menos, já manjei meia dúzia de gajas.

E você como é ? Alinha aqui pelo estilo do tótó Maia, ou anda lá para caçar ?.

-Calma lá ó António
disse eu, não condeno o facto de se andar a caçar na internet, como tu dizes, os métodos que usas é que eu condeno.

-Aqui não há métodos bons nem mau, há gaja no papo, ou tótós a vê-las, passar não acha ó Júlio César ?-interrompeu o Silva
-

Podem-me tratar por JC,é mais fácil para todos.
Mas realmente não posso concordar consigo António,os métodos não são todos iguais,nem as gajas são todas iguais.

Eu sou blogguer há pouco mais de 1 ano,e por incrível que pareça foi através da net que conheci a única mulher que até hoje me deixou ko,e nem andava à caça.Aconteceu naturalmente,nada foi premeditado.

A meu ver, acho que a blogosfera tem de tudo um pouco,sejam homens ou mulheres,e que como tal devem ser tratados de maneira diferente.Não condeno quem ande à caça delas na net,mas não concordo que se tratem todas da mesma maneira.

Há mulheres que não merecem ser tratadas como muitas são,como lixo.

De facto não ando na net à caça de gajas,pois como vos disse,já "cacei" a minha(falo entre aspas),porque até acho que foi ela que me caçou a mim.

Eu prefiro ser tótó e vê-las passar.Estou bem como estou.


Mas ó António,desculpe lá perguntar.Mas você para tratar as mulheres todas da mesma forma,alguma lhe ficou atravessada,não?


-Atravessada não ficou nenhuma- replicou o António- não vou dizer-lhe, que papei tudo o que queria, algumas não quiseram, outras não tiveram oportunidade, que é uma forma de se ser fiel ao marido.

Digo-lhe contudo é que nesta coisa, da luta pela cama, não há regras de bom tom, tudo é válido, cada um jogue como pode e quem for mais forte ganha. Não há mulheres que mereçam mais ou menos do que outras


-Pois eu por mim, já fui casado, divorciei-me e francamente não julgo que o volte a fazer, acho que casar para mim foi uma experiência infeliz, um erro que cometi uma vez e não espero repetir segunda vez-comentou o Carlos Barbosa um pouco extemporaneamente.

-És um descrente nas segundas oportunidades ? Ou talvez consideres que a espécie humana não se fez para ser monogâmica ou heterossexual ?-perguntou o Henrique- Que grande seca estamos a dar aqui ao JC, para primeira vez que aparece.

-Nada de seca.A conversa está bastante interessante e tem pano para mangas,pois todos temos maneiras diferentes de pensar.-disse o JC.

Ja fui casado 4 anos que para mim foi um verdadeiro inferno.Acho que me arrependi logo no dia que casei.Podem rir-se,mas é a mais pura verdade.

Andei 4 anos a ganhar coragem para acabar com aquela farsa,e nunca consegui,por comodismo,por pena,sei lá.

Quatro anos depois apaixonei-me por uma mulher que nunca tinha visto,mas com quem já falava por telefone e net há uns 2 anos.

Um dia decidimos conhecer-nos,porque sabíamos que no fundo já estávamos caídos um pelo outro e no dia que nos vimos pela primeira vez,tive a maior certeza da minha vida.

Ela ficou grávida nessa noite,eu saí de casa 2 dias depois de tudo ter acontecido. Entretanto passaram-se outras coisas e em Fevereiro de 2006,cerca de 2 meses depois,embarcamos na nossa maior aventura e fomos viver juntos.

Já passaram 2 anos e a cada dia que passa, estou cada vez mais KO ,dominado,chamem-lhe o que quiserem,mas nunca amei um mulher assim.

Se Deus quiser no próximo mês,ou antes,nunca se sabe,vou ser pai de novo,desta vez um puto que vem a caminho e mais um leãozinho sem sombra de dúvida.lolol


Está tudo esbugalhado a olhar para mim porquê? Não acreditam que alguma vez um homem se apaixone perdidamente assim por uma mulher? Ou é a nossa história de vida que vos deixa de boca aberta?

Foi tudo muito rápido,foi um risco que corremos,mas o que é que na vida, não é um risco?Há riscos que vale a pena correr,não acham?

Falando por mim,e respondendo à pergunta que o Henrique fez ao Carlos,é possível sim,ser-se feliz num segundo casamento,mesmo que o primeiro tenha sido um pesadelo.

Se calhar o António não pensa como eu,esse sorrisinho não engana
Então e vocês? Que me dizem a tudo isto que vos contei?

-Não poderia estar mais de acordo contigo JC, -asseverou o Henrique-eu sei como uma mulher pode transformar a nossa vida e como no meu caso mais de que tudo, a deixou em suspenso, à espera que nos possamos reconciliar eu e ela com a nossa consciência.

-Consciência, consciência, isso é machismo digo-vos eu- atalhou o António Silva- porque machismo é considerar que somos os seres superiores e que elas não têm a capacidade de decidir o que é bom ou mau para si próprio, se querem ou não ir para a cama comigo, sem compromissos de parte a parte.

-Eu concordo com o que JC, nos disse e percebo o que nos quis dizer acerca do "risco" que entendeu correr com a sua Imperatriz- concluiu o Alfredo- afinal que interessam os grandes projectos para o futuro ? o que é importante é o amor que se vive hoje.

-Pois é verdade meus caros como dizia o poeta do amor , Vinicius de Moraes

Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Concluí eu filosoficamente , a título de fecho de almoço, já que alguns de NÓS precisavam de ir trabalhar de tarde, para contribuir para a manutenção da minha reforma.


Todos nos despedimos do JC, com a certeza que um dia destes vamos gostar muito de o voltar a encontrar num outro almoço qualquer por aí.


Nota : Este encontro ao almoço, teve a participação do nosso amigo Júlio César co-autor com a sua Imperatriz, do blogue Páginas da nossa vida, a quem agradecemos (incluo a Minucha) a simpática colaboração, destacada integralmente ao longo do texto, a encarnado.

14 de maio de 2008

ALMOÇO NO VITOR




NOTA aos navegantes:

Estamos a escrever uma história ficcionada. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

Hoje foram as mulheres, que almoçaram juntas, no Vítor de Alcabideche.

Ao almoço vale sempre a pena lá ir, porque
há “petiscos”, que já desapareceram ao jantar. Todos os seus frequentadores sabem disso.

Pode acontecer haver “jaquimzinhos” chamados folhas de oliveira, fritos divinamente, tem acontecido haver os celebérrimos linguadinhos folha de louro, desaparecidos há uma infinidade de tempo, mas que são vendidos por pescadores, que fogem às malhas das redes e da ASAE. Nunca estão na lista, como é bom de ver, e só falam deles aos clientes habituais, não vá o diabo tecê-las.

Nesse dia havia, e nunca tinha comido, carabineros pequeninos fritos em alho e azeite, em que só cabeça se mantinha, porque é a melhor parte dos carabineros. Não tinham mais de 5cm.

Uma das coisas que é preciso saber no Vítor, é que o arroz só é bom o branco, porque qualquer dos outros, excepção feita, também, ao arroz de pato, vêm empapados, uma lástima. O acompanhamento era arroz de camarão, mas preferimos o arroz branco, pelo que foi dito e porque ligava melhor.

A conversa foi interrompida, quando chegaram os pratos, 3 doses para as cinco chegava perfeitamente, e só se ouvia os "Hum!..." deliciados.

Teresa, que tinha combinado o almoço, e resolvera pôr frente a frente Luísa e Mafalda, que se falaram como se nada se tivesse passado.

Luísa emagrecera e via-se que estava em baixo, ainda não lhe tinha passado a dor de Henrique a ter deixado, Mafalda mexia-se pouco á vontade por estar ali ao lado de Luísa, sabendo que tinha sido por sua causa que Henrique a tinha deixado, Teresa parecia animada, mas via-se que tinha também perdido peso, ela que já era tão magra, Isabel estava radiosa por estar com o seu Alfredo, coisa rara, estava também, por ter vindo a Lisboa com o Luís que não perderia o jogo de domingo do seu clube, a sua mulher.

Mas o ambiente desanuviou-se por todas quererem saber o que o bruto do António Salvador da Silva, O Silva para todas, António para a Teresa, lhe teria feito.
Teresa respondia que eram águas passadas, mas que realmente o contacto com o António tinha sido através da Net, não se tendo apercebido que António SS era o Silva de que elas falavam.

Que ao fim de dois ou três meses de mails trocados, porque ela não entrava em conversas, nem em chats nem em messengers, com desconhecidos, ele ter insistido em a conhecer. Apesar de mais tarde lhe ter dito em várias ocasiões que tinha sido ela a insistir com ele para o conhecer, mas ela sempre repunha a verdade da questão, e ele lá lhe acabava por dar razão.

Numa coisa ele tinha sido franco, sempre lhe tinha dito que não queria viver com ninguém, gostava de viver sozinho, ela também não poderia por isso não ver inconveniente, nem lhe ter passado pela cabeça, que a ele lhe fazia jeito para com outras poder andar.

Ingenuidades de uma mulher que acreditava que ele tinha encontrado o seu amor verdadeiro, que nunca assim tinha amado…..lobos, a quem lhes dá gozo a caça, vestidos com peles de cordeiros, que sacrificam no altar do desejo, mulheres, até entre as várias com quem andam, aparecer uma novidade, que dura até aparecer mais uma caçada, e como apesar de tudo, embora maníacos, não dão conta do recado, lá terão de desistir de alguma.

O pior é a maneira que arranjam para a descartar e pior ainda, pensarem que só eles são os inteligentes.

Mas que essa conversa poderia continuar noutra altura, que agora gostava de saber como se sentia Isabel com o seu Alfredo.
Isabel sorriu feliz, e só disse que depois de tanta parvoíce é que dava valor ao homem, que por um pouco, um tanto, ia perdendo.

E a conversa generalizou-se, que isto de mulheres quando estão sozinhas, além de falar de homens, dos “seus” homens, têm sempre tanto para dizer.


10 de maio de 2008

Há vida para além das gajas ?


Desta vez vieram eles a Portimão.

Também mereço que venham almoçar comigo, já que amanhã vou eu com eles para Lisboa. Imperiosas acções leoninas, exigem a minha presença no domingo lá em cima na capital.


Aqui, é imprescindível leva-los ao Pipo, o melhor restaurante em termos de qualidade, cá da cidade onde o mestre Albano, dá cartas na cozinha.

Quem sabe o que é bom, aprecia com certeza, sardinhas albardadas com arroz de ligueirão e todos fomos nisso menos o Barbosa, que é parvo e vem ao Algarve comer bife.


O Henrique continua nas nuvens, por um lado atravessando o deserto da sua solidão momentânea já que a sua relação com a Mafalda, por decisão de ambos, estava suspensa, por outro lado a leveza de se sentir verdadeiro e de bem consigo próprio.

Constatamos que, passados tantos anos de amizade, neste momento só o Alfredo, tinha mulher a quem justificar esta escapada a Portimão, todos os outros estavam por um motivo ou outro libertos de compromissos, verdadeiramente eu não conto porque estou a jogar em casa.

-Outro dia referiste uma tal Teresa, julguei que estivesse a viver com ela-indaguei o Silva, sob pena de "arquivar" o pseudónimo de inocente.


-A Teresa ? Não, não vivo com ela, nem com nenhuma. Não me apetece prender-me a ninguém, levar com a sogra, mais a família toda, os almoços ao domingo e as porras das tias abelhudas a meter o nariz, na nossa vida, eh pá já tive disso mas curei-me, nada de prisões que gajas agora é mato-disse o Silva


-Sempre foi, porque é que é melhor agora ?- questionou o Barbosa, enquanto molhava o pãozinho no ovo estrelado, que cavalgara o seu bife da vazia.


-É a internet malta, a internet é uma mina-brilharam os olhinhos do Silva-é tiro e queda, rebéu béu pardais ao ninho e pimba, cama com elas.


-Já ouvi falar chama-se sexo virtual-arriscou o Alfredo, que em termos tecnológicos é verdadeiramente rombo.


-Qual virtual qual quê. Tens é que atacar mansinho-disse o Silva- vais metendo umas buchas nos comentários, dos blogues das gajas, coisa boa moralista e "santificada", tipo anjinho bom, sacas um ou outro poema que vais pescando, em blogues doutros tótos e frases de gajo certinho.
Depois passas a incompreendido e solitário, podes sempre carregar as tintas com uma doençazita ou tua ou de alguém próximo, que as gajas deitam-se logo no primeiro encontro.

-Eh pá tu fazes cada coisa. é preciso ter lata, mas usas o teu nome nesses comentários ?-insistiu o Barbosa.


-Não é preciso, sabes que me chamo António de Salvador Silva, basta por António de S.S e pronto dá para tudo-ripostou o Silva- depois de as ter comido, quero lá saber que fiquem a saber o meu nome.


-Falando em comer, já estamos na sobremessa e ainda não falámos doutra coisa, só gajas, porra,-disse eu-estou como outro que diz "há mais vida para além das gajas".
Um deste dias proibi-mo-nos de falar de gajas num almoço, só para experimentar a sensação.


-Eh pá quando for assim avisa, que é para eu não vir, já não falamos de futebol nem de política, para não nos chatearmos, vocês de carros não percebem nada, então falamos de quê ?-indagou o António com alguma apreensão.


Fez-se um silencio pesado, acho que não quisemos admitir as nossas limitações.

7 de maio de 2008

TERESA E MAFALDA CONVERSAM




Foram almoçar as duas ao Restaurante Monte Mar, no Guincho, as duas com problemas amorosos.
Enquanto comiam de entrada, as mais maravilhosas Amêijoas à Pescador, a Mafalda perguntou-lhe, como ia ela passando após a ruptura com o Silva

- Silva, Silva, porque é que o continuam a tratar por Silva? O homem chama-se António! Disse Teresa. Por acaso até estou muito bem.
Tu é que me pareces estar em baixo, Mafalda. Mas queria fazer-te uma pergunta. Gostavas que te avisassem se o Henrique andasse a trair-te, ou não ligavas nenhuma?

- espera lá, o Henrique nunca me poderia trair, porque por enquanto não temos nada um com o outro.

- não fujas à pergunta. Gostavas ou não? Fazias caso, ou não? Deixavas-te convencer por ele, ou não? Insistiu Teresa

- depende. Gostava que me avisassem, disso não tenho dúvidas, nas não sei como
reagiria quando o confrontasse. Há homens que podem ser muito convincentes.
- então ponho a questão de uma outra maneira. Se lesses o que uma outra mulher escreveu sobre ele, acrescentando que tudo poderia provar o que farias?

- assim é mais fácil responder. Depois do choque inicial, confrontá-lo-ia, mesmo que me deixasse convencer, mas depois iria de certeza tentar obter mais pormenores.
Faria os possíveis por conseguir mais pormenores. Sabes, no fundo nunca ficamos 100% seguras, quando nos deixamos levar.
Há sempre qualquer coisinha que nos faz desconfiar. Mas porque fazes essas perguntas todas?
- porque sei que o António, enquanto andou comigo o fez também com outra e sei quem ela é. Entrei em contacto com ela. Descobri depois de ele ter arranjado aquela história ignóbil, que afinal andou com duas e resolvi avisá-la, só para não vir a ter o mesmo final que eu tive.

- estás-me a dizer que ela não ligou nenhuma? Deixou-se levar pelo Silva, ou António como tu lhe chamas
- como eu lhe chamo não, é o nome do homem. Calcula que acreditou que eram invejas. Mas quem é que tem inveja, depois de saber que quem namorou é um filho da mãe, não me dirás?
Porque será que as mulheres só pensam mal das outras em vez de pensarem que deveriam saber com quem andam. Dava dinheiro para que me tivessem avisado que ele andava com outra. Teria acabado no mesmo instante

- nós avisámos-te Teresa, dissemos que o tipo era um porco.
- isso não quer dizer nada. Não sabes que todas pensamos que connosco não são?
- se calhar ela pensa a mesma coisa

- ela não pode pensar isso, porque lhe dei factos concretos, que poderia provar se ela quisesse saber a verdade, em como ele andou comigo e com ela ao mesmo tempo. Não estou a falar de coisas abstratas, estou a falar em concreto.
Se quisesse poderia sempre namorar com ele, desde que assumisse, que queria, nem que fosse por pouco tempo, amar e sentir-se amada. Agora invejas? Céus! continua a haver cada mulherzinha.
Agora fala-me de ti

- Há pouco para dizer. Gosto do Henrique, há anos, mas não sou capaz de dizer ao meu marido que nunca gostei dele. Não sei o que hei de fazer e se queres que te diga, honestamente tenho medo do que poderá ser a vivência com o Rodrigo.
Sabes o que gostava? Era de poder falar com a mulher dele a fundo para saber como foi a vida dos dois, gostava de saber porque deixou de gostar dela, mas como vês não o posso fazer.
Dou-te razão, deveríamos sempre saber os dois lados da história e não só o que eles contam, porque simplesmente cada um terá a sua verdade.
Nós só ouvimos a que nos interessa, e o que lhes interessa a eles, o que é pior.

3 de maio de 2008

Mãe há só uma

O Carlos Barbosa marcou o restaurante, era a vez dele. Escolheu o O Raposo, ali na Rua Passos Manuel em Lisboa.

Uma boa escolha, com muito boa confecção, aquilo que se convencionou, chamar um restaurante de comida caseira. Não sabendo muito bem com definir isso, agrada-nos a ideia, que a comida seja feito na altura, isso percebe-se na qualidade.

Entrámos desfalcados para o almoço, devido à falta do Henrique que me comunicou a ausência, ao que parece por "um motivo de força maior", chamado Mafalda, com quem se iria encontrar este fim de semana.

-Isto está ficar complicado, por causa das gajas, estou a ver que um dia destes, acabamos com os almoços- disse o Silva- Ou é o Henrique com a tal tipa, que era mulher do amigo, ou aqui o Alfredo, com o seu velho problema dos encontros e desencontro, com a mulher que ora fica, ora vai.

E foi neste tom de desabafo que iniciámos o almoço. Não deixo de reconhecer que ele tem alguma razão, realmente as mulheres são demasiado importantes nas nossas vidas, para que possamos ignorar a influência, que exercem na qualidade da nossa disposição.

Em boa verdade não acontece com todos, afinal o Silva, aparentemente escapava a essa influência, porque só se lhe descortina o lado fácil do relacionamento, nos últimos anos mais acentuadamente, porque ele costumava desabafar " isto agora com a internet gajas é sempre a aviar".


O Alfredo disse-lhe que o mal dele era o não ter encontrado ainda a "tal gaja", a especial a que nos preenche os dias e não nos deixa dormir de noite, mas o Silva é um irredutível, para ele gaja é sinónimo de "descartável".

O Alfredo já não o ouviou, porque nos estava a dar o exemplo, do que tinha acabado de afirmar. Lembrando aquela segunda feira, há uns dias atrás, quando fora de novo almoçar com a Isabel.

Tínha chegado uma hora antes do combinado, mantendo-se nas redondezas, enquanto imaginava o que iria ser a conversa. provavelmente não passaria dum tema, sobre a filha, algum problema surgido eventualmente mais grave. Tentava-disse-nos- não acreditar, que por momentos, no dia em que o convidara par almoçar, o olhar da Isabel, estava mais terno, quase tão maravilhosamente intenso, como no tempo em que ela o havia amado.

Certo que ela já havia deixado o tal Afonso havia um ano, embora soubesse que eles eram colegas de emprego, tinha certeza que já não tinham qualquer tipo de relacionamento, "sei que a Isabel, pode não ser mulher de um homem só, mas é com certeza só dum homem de cada vez, não é mulher para viver em mentiras"-disse-nos convistamente.

Acreditem que sentia por esse almoço, a mesma ansiedade que tivera, quando jantamos a primeira vez juntos quando nos conhecemos.

-Eh pá é o que eu te digo, as gajas são todas iguais, só estão bem é com ele entalado- disse o Silva- a gaja já não tem o outro, sabe que tu é sum tanso, que gosta dela e pimba, ataca ali.

-Parece que não é bem assim, afinal foi ela que acabou com o tal Afonso-disse o Carlos Barbosa, que normalmente ouve mais do que fala.

-Estavas lá para saber ? Se calhar levou com os pés do gajo e agora está à procura do quentinho outra vez. Havia de ser comigo, havia-concluiu o Silva.

Como tinha acabado a história, já sabíamos, porque o Alfredo e a Isabel estão de novo juntos, mas para amenizar o ambiente acabei por perguntar

-Bom se calhar nesse dia nem chegaram a almoçar ?

O Alfredo riu-se de orelha a orelha, os seus olhos brilharam intensamente de tal forma que todos nós percebemos a resposta.

Fizemos depois projectos para o próximo dia das Mães no próximo domingo, todos nós tínhamos ideias para um pequena lembrança e grande beijo de Amor.

Este desejo que os homens, mesmo grandes e crescidos, nunca perdem de quererem ser, de vez em quando, os meninos de sua mãe.

Até o Silva acha, que a sua mãe é a única que nasceu diferente das outras mulheres.

30 de abril de 2008

ISABEL


Estou tão arrependida!
Gostava de voltar para casa, tenho umas saudades do Alfredo….o que gosto dele….como fui tão cega, como pude fazer o que fiz….

O que pode fazer a parvoíce e a rotina…a rotina parece que mata tanta coisa, mas do lado dele não, eu bem sabia que me continuava a querer, mas era aquele ramerrame….era a vida sossegada demais, era pensar que queria aquele amor escaldante, a paixão numa palavra, esquecendo-me que o amor vale mais e quando o Afonso se fez a mim, parecia que me tinha devolvido a vida, ou a alegria…pelo menos a excitação e a malfadada paixão.
Não é justificação, bem o sei, porque pensei que o amava e só depois ……o depois para nada serve.

Não o devia ter feito, ponto, não lhe devia ter, sequer, dado a mínima hipótese e agora estou para aqui a chorar sobre o leite derramado, sem ter coragem de falar com o Alfredo.
Só depois de perdermos, perdermos não, que o que fiz foi deitar fora…..se eu pudesse voltar a atrás, mas só tenho é que assumir que lhe provoquei uma infelicidade imensa a ele, que nunca a mereceu e agora amargo e de que maneira.

Não tenho desculpa nenhuma, mas como poderei falar com o Alfredo se ainda por cima já passaram dois anos e tal, até é capaz de já ter outra e mesmo que não tenha, como me há de perdoar ter saído porta fora sem sequer o avisar, com a Mariana….

Céus, com a Mariana! Não estava mesmo boa da cabeça, parece-me que me enfeiticei….
Já deixei o Afonso há um ano e o Alfredo bem sabe que vivo sozinha, que não tenho ninguém.

Quando olha para mim, parece-me que me quer dizer alguma coisa, mas não é a vez dele falar, mas os meus olhos ficam sempre molhados, ele a olhar para mim e eu com olhos a pedir perdão…..só que para pedir desculpa não chegam os olhos , há que falar.

Mas de cada vez que o vejo a sair a porta com a Mariana, só me apetece gritar LEVA-ME, LEVa-me também…..mas a voz não sai e fico a vê-los partir já com as lágrimas as escorrer pela cara abaixo, e juro e torno a jurar a mim própria que quando vier trazer a Mariana lhe falo, lhe falo, lhe falo e repito sem fim a ver se me entra na cabeça, na coragem…..mas a voz não sai.

Tenho medo, tanto medo, que me diga não e nem sei o que me assusta mais, se é ficar assim eternamente, ou ouvi-lo dizer - não, nem pensar.

Já pensei em o convidar para almoçar, não pode é ser à sexta-feira, que ele vai com os amigos.
Almoçar, almoçar era boa ideia, metia um dia de férias e ficávamos os dois a conversar. Desta vez falo, desta vez vou-lhe perguntar se não quer cá vir almoçar na quinta…quando ele trouxer a Mariana….

Queres almoçar comigo na quinta? Não, não pode ser assim de chofre.
Alfredo gostava de falar contigo , queres vir almoçar aqui a casa na quinta, ou na quarta, ou na segunda…..segunda é que era mesmo bom, quanto mais rápido melhor e assim podemos ficar sozinhos a conversar
- Claro Isabel, segunda está ótimo, a que horas queres que apareça? Está bem, à uma estou cá.


25 de abril de 2008

As pedras que se atiram


Quando cabe ao Alfredo escolher restaurante, é certo e sabido que vamos parar à Travessa do Rio, ali em Benfica. Como sempre o Alfredo não resiste às magníficas entradas e normalmente depois,todos nós atacamos no cabrito.

Já todos sabíamos que o Henrique havia passado uns dias em meditação, escolhera ir para bem longe, para a Casa da Campeã perto de Vila Real.

É uma tendência pensei para mim, o afastamento para longe, induz à distância que realmente não existe, da resolução dos problemas.

As contradições não pararam de se avolumar. Henrique continuava com a certeza de como lhe iria ser difícil, alcançar a felicidade que ambicionava junto da Mafalda sem conseguir afastar de si o olhar que guardara da Luísa, e o ferira profundamente, mais do que todas as palavras justas de recriminação, que ele sem dúvida merecia.

Percebemos todos afinal, que de todos nós o que menos falara até aí fora o Alfredo, mas pelo que disse depois duma forma tão simples e concisa como era seu hábito o que mais perto estaria de perceber a dimensão, dos que sofrem pelo amor, que não têm ou que perderam.

O Alfredo fora casado e tinha uma filha com 5 anos, quando inopinadamente e sem explicação, um dia chegara a casa e constatara que a mulher o tinha abandonado e levado com ela a filha de ambos.

Viria a saber depois que o tinha feito, por outro amor. Tantas vezes haviam insistido com ele, para que Alfredo fizesse valer os seus direitos de pai e de marido, sobre uma mulher que sem motivo aparente abandona o lar. Tantas vezes o haviam até insultado, por meias palavras, por o não fazer.

Muito mais vezes teve que responder, que o facto de continuar a amar a sua mulher, o impedia de a interpelar judicialmente e uma vez negociado a bem, os seus encontros com a sua pequena filha, se limitara a deixar que o tempo lhe trouxesse de volta a única mulher, que sabia poder um dia amar.

Um dia ela voltou, e hoje estão de novo juntos, porque Alfredo lhe perdoou, em nome do amor de sempre, Talvez não tenha esquecido, mas aceitou, como desde a primeiro momento, que as pessoas não escolhem o seu destino e não mandam nos seus sentimentos.

Além disso- disse ele ontem- Amar não é fazer parte dum contrato de troca, onde só se dá em função do que se recebe. Amar é dar, sem esperar o retorno com juros.

-Isso é que era bom, comigo não dava- sempre "oportunas" as palavras do Silva- mulher que me pusesse a lenha, estava feita comigo. desculpa lá ó Alfredo, mas sabes como eu sou, garanto-te que nunca mais lhe olhava para a cara.

Já abandonávamos o restaurante e ainda se ouvia o Silva resmungar, cambada de putas, é o que ela são todas.

De volta ao carro, liguei o reprodutor de cds, por acaso o que ouvi, fez-me voltar à Luisa e ao Alfredo, pensando como amor e revolta tantas vezes andam juntos.



22 de abril de 2008

LUÍSA



Não consigo dormir.
Voltas e revoltas na cama, almofada molhada de lágrimas, este peso que de meu peito não sai….

Onde falhei é a mesma pergunta para a qual não acho resposta. mas devo ter feito alguma coisa, mas o quê? Dávamos-nos tão bem...claro que havia discussões, mas quem as não tem, mas nunca nos zangámos a sério, nunca nos agredimos, como gosto dele...não posso pensar que gosto dele
soluço que do meu peito sai

Como não não percebi nada? Não percebi nada…..havia alguma coisa, talvez uma sensação de ausência, mas poderia tão bem ser do trabalho, ele nunca fala do trabalho, nunca quis, por serem segredos profissionais e o mundo é tão pequeno. Sempre o percebi.

Não como, há um nó que me não deixa engolir, também nunca tenho vontade de comer, nem de nada, nem sequer já de pensar, porque no meio do desespero vem-me sempre a amargura de ter chegado a sábado e ter resolvido friamente dizer-me que anda apaixonado há muito tempo…..talvez anos….nem consegui perguntar, pela Mafalda e fez a mala e saiu pela porta.

Até me dá vontade de rir, a facilidade com que se descartou. É assim, de uma hora para a outra, diz-me que está apaixonado há muito tempo por outra…….

Raios! mas como conseguia fazer amor comigo, e todas as ternuras que me dizia, era tudo falso? Ainda três dias antes….ou pensava na outra quando me dizia ……

É melhor nem pensar que ainda dou em doida.
Sai pela porta e quer lá saber se fico bem ou mal, já nada é com ele por ter saído a porta, anos de vida em comum nada valem, evaporam-se num segundo, o tempo de dizer «estou apaixonado por outra» e aqui vou que se faz tarde e ainda pensa que se portou bem, ainda pensa que me não traiu
Ah, os homens! só pensam que é traição quando se consuma o acto.
Se sofro? Não quer saber disso para nada. Apaixonou-se , ponto.

Sobe a raiva de tanto ter dado, de se ter aproveitado desse amor, enquanto não teve a certeza do amor da outra, depois foi só abrir a porta e sair.
Às tantas ainda aqui estava se a outra não o quisesse. Ainda bem que o quis, porque nunca me amou.

Parar esta cabeça, estas lágrimas que saiem sem eu dar por isso. Tenho de dormir ou enlouqueço. Tenho de dormir, tenho de parar este desespero, tenho de não pensar, tenho de mudar de casa que aqui tudo me fala dele, tenho de parar de pensar,estes soluços que não param, estes gritos encravados, tenho de não pensar, que ninguém merece que se sofra assim.

Tenho de dormir, tenho de.....dor-mir...tenho..de..dor-mir....te-nho... dor-mir.... dor....mir...dor....mi


17 de abril de 2008

Sentimentos contraditórios


Não sendo habituais estas trocas, desta vez o Henrique, pediu a antecipação do almoço para hoje, por ser sua intenção passar o fim-de-semana a sós.

Coube ao Silva a escolha do restaurante, lembrando-se de repetir um, que bem conhecemos praticamente desde a sua abertura, quando ainda se resumia a uma pequena sala onde cabiam no máximo 12 pessoas. Hoje, O Poleiro, alargou as instalações mas manteve a qualidade da sua cozinha minhota ali à Rua de Entrecampos em Lisboa.

Estávamos os 5 um pouco tensos, dado os acontecimentos da semana passada e as revelações que Henrique nos fizera, acercas das sua relações pessoais.

Duas ou três piadas aos dois benfiquistas, pela banhada de ontem não disfarçaram o ambiente
.
De todos nós, eu era o mais íntimo do Henrique, mas sabia tanto do que se tinha passado, nesta semana como os outros. Há momentos em que as decisões que tomamos, não são objecto de ajuda de terceiros. Ele tem o meu número de telefone, se não tomou a iniciativa de me ligar, provavelmente não achou necessário.

-Estão a falar com um homem separado. desde sábado que estou hospedado um hotel- disse o Henrique. Tive com a Luísa uma demorada conversa, onde lhe confessei o que se passava comigo. Como a Mafalda se tinha apossado de mim, dos meus sentidos da minha vontade. Expliquei-lhe que não me era possível continuar com ela, sem afrontar, tudo o que tinha sido o nosso passado e o respeito que sempre tivera por ela.

-Ela olhou-me profundamente nos olhos, misto de algum desalento e de muita surpresa-continuou o Henrique- acabando por me perguntar, onde tinha errado , qual o quota parte dela no fracasso do nosso casamento.

-Teria preferido que me agredisse, que me maltratasse-continuou- esse olhar, essa pergunta e o silêncio que se seguiu, feriram-me profundamente, mas justamente. Da Luísa nada tenho a dizer, também me lembro que nos amámos, até ao dia em que passei a não ser dono de mim.

-Nesse dia mesmo, enquanto metia meia dúzia de peças de roupa numa mala, pensei como era duro que um sentimento tão belo e profundo como o meu amor pela Mafalda para se realizar tenha que passar por me colocar perante tantos sentimentos contraditórios, como a quebra de lealdade, a ingratidão ou o esquecimento do amor que outras pessoas nos dedicam.

-Então e a outra gaja, já a comeste ?-perguntou o Silva, um pouco ao sabor doutros almoços mais ligeiros. Embora a sua quase inocente boçalidade, não tenha desta vez colhido os sorrisos habituais.

-A Mafalda ? Nós temos um pacto ,queremo-nos para vida, mas sem teias, nem restos do passado, libertos e renascidos, Que cada um resolva, ou não, essas questões, é um problema individual.

-Então e tu ? perguntei eu, que bem conheço o Henrique.

-Eu ? Não sei se conseguirei algum dia voltar a ser feliz. Agora que descobri o meu Amor, deixando para trás a amargura de ter querido trair um amigo.

14 de abril de 2008

A verdade sobre as Lealdades



Estavam a jantar com um grupo de amigos, quando a avisou de que iria, estar quinze dias no Algarve em serviço e que partiria na sexta à tarde
Ela só perguntou admirada porque ia na sexta e não domingo, visto que durante o fim-de-semana não iria trabalhar, com quase toda a certeza.
Encolhendo os ombros respondeu que era menos cansativo, não tendo ela acrescentado mais nada.

Todos perceberam que iria ficar sem carro e ofereceram-se para a ir buscar, propondo-lhe vários programas alternativos.
Ela ria-se e quando todos se despediram, tudo tinha ficado no ar, pensando ela que ninguém se iria lembrar daquela conversa quando chegasse o dito fim-de-semana.

Enganou-se, o Miguel telefonou-lhe a perguntar se não queria ir com ele até Sesimbra, por o dia estar de não se desperdiçar.
Miguel tinha acabado namoro há pouco tempo com a Graça e ela hesitou um pouco, mas pensando que daí não viria mal ao mundo, acabou por aceitar.

Miguel era um homem sem nenhuns atractivos físicos, mas emocionalmente era uma rocha, uma arriba, que ali está para o que desse e viesse, a quém sempre alguém se encostava quando estava em baixo.
Era amigo do Manuel desde o princípio da adolescência e ela sabia que também era seu amigo, desde que a conhecera já namorada do Manuel e hoje em dia, sua mulher há seis anos.

Foram juntos para a praia e um dia inteiro, propiciou a que se fizessem confidências, ele sobretudo, porque ela pouco falava da sua vida.
A certa altura, já a tarde ia a meio, ele olhando-a nos olhos, disse saber que ela não feliz com o Manuel, que se percebia que ela estava a murchar e se ela não lhe queria explicar a razão.

- não há nenhuma razão especial, são fases, disse renitente e evasiva.

Foi então que lhe declarou todo o amor reprimido há anos, acrescentando que tinha namorado com a Graça para ver se a esquecia, mas como sempre se estavam a encontrar, por fazerem parte do mesmo grupo, que nunca o conseguira.

Ela olhava abismada para ele

- anda disse-lhe puxando-a por uma mão, vamos dar um mergulho, o que ela aceitou de imediato para não ter de lhe dar uma resposta, qualquer resposta que não tinha.

Já na água, aproveitou para com ela brincar, puxando-lhe uma perna e quando se desequilibrou, aproveitou a abraçar e vendo que ela se deixava estar beijou-a apaixonadamente.
Feliz por ela ter correspondido, aproveitou quando nas toalhas se deitaram, para afagar o corpo lindo, enquanto lhe sussurrava palavras de louco amor, finalmente extravasado.

Foram para a casa que ele tinha em Sesimbra, para banho tomarem.

Já ela estava no chuveiro, confusa com o que estava a acontecer, sabendo que com o marido tudo tinha acabado há tempo, quando ele entrou e a começou a lavar
Ela ainda murmurou o nome do marido, ao que ele respondeu que pensariam nele mais tarde.

Quando ela teve o seu primeiro orgasmo, ele percebeu o que corria mal entre aquele casal e esforçou-se por lhe dar mais e mais prazer.
Passaram o fim-de-semana juntos, com Miguel sempre a insistir que ela não tinha mais do que se separar, que era com ele que ela sempre deveria ter vivido.

Quando a deixou no emprego na segunda-feira, longe da sua insistência, resolveu pedir abrigo aos pais, para não ter outra vez de o enfrentar e poder com calma pensar.

Sim, o seu casamento tinha acabado, era só necessário que os dois, ela e o marido, tivessem mais uma conversa, que desta vez seria a última.
Estava agradecida a Miguel, por inconscientemente a ter feito decidir, por lhe ter dado a conhecer o que era prazer, por lhe ter feito saber que não era frígida como julgava, mas no fundo com alguma repugnância pela pouca lealdade do Miguel pelo amigo.

Pensou para com ela, que havia pessoas que pareciam vampiros, que sempre estavam presentes, para à menor oportunidade a poderem abocanhar. Talvez estivesse a ser injusta, mas era o que sentia.

Quando pensou na sua lealdade para com o marido, encolheu os ombros, não teria acontecido se não fosse a ocasião ter aparecido e lealdade, era coisa que o marido não tinha para com ela há muitos anos.

11 de abril de 2008

A verdade ao almoço de sexta-feira

(Para a Marta com a nota que os homens também comem, ou talvez, que às vezes também falam a sério)

Todos reparámos que o Henrique, chegou algo alquebrado, a sua cara reflectia uma amargura pouco habitual, mais do que o seu Sportinguísmo podia justificar, numa noite passada mais triste.

É assim já há uns anos, encontrar-mo-nos para almoçar todas as sextas-feiras. Coubera-me a escolha do restaurante desta semana, mas o Henrique não estava bem.

Estou em tempo de grande revolução na minha vida disse ele, quando por nós instado a revelar, o que se passava.

Ontem foi-me revelado um aspecto da minha vida que não tinha dado conta, continuou e que não tenho dúvidas vai marcar por completo o resto da minha vida.

-Por uma coincidência difícil de voltar a acontecer e que não vem a propósito revelar, encontrei-me a sós com a Mafalda, mulher do meu amigo Fernando, que vocês não conhecem.

É um grupo de amigos de infância, que se reúne há muitos anos.-continuou o Henrique.

Faz já alguns anos que, quase sem crer me tenho vindo a aproximar da Mafalda apercebendo-me que cada vez mais, ela é a mulher da minha vida.

Ontem não resisti mais, alguns toques de aproximação, fizeram com que Mafalda inteligente como é, tenha percebido que eu não era o Henrique habitual. Devolvia-me no seu olhar belo e profundo essa mesma mensagem.

Decidi que não iria calar mais tempo o meu amor por ela, já de tantos anos e em volta dum café simples, num local de sossego, por acaso encontrado.

Surpreendeu-me, quando me revelou, lembrando-me que me tinha conhecido ainda solteira e eu casado com a Luísa e que já nessa altura se apaixonara por mim e até hoje não tinha voltado a amar ninguém e que também lhe não tinha passado despercebido a gradual alteração que ao longo dos anos, tinha notado em mim, sobretudo na forma como a olhava.

Havia casado algum tempo mais tarde com o Fernando, rendida ao encanto duma pessoa íntegra e boa, que a amava profundamente e por quem hoje sentia uma amizade profunda.

Independentemente de me continuar a amar, estará completamente fora de questão, qualquer hipótese de traír a confiança que o seu marido nela depositara.

Num silêncio pouco habitual, nestes almoços de sexta-feira, quase nem reparáramos que a magnífica couvade de bacalhau havia chegado e enquanto iniciávamos a equitativa repartição das postas de bacalhaus, foi salvo o erro, o Alfredo que perguntou, e então agora o que vais fazer ?

-Reflicto em muitas coisas, retorquiu o Henrique, sobre tudo que a verdade revelada do amor recíproco entre mim e a Mafalda, não pode servir de capa a que outras verdades que existem, possam ser afastadas, porque nos daria jeito, para alguns encontros fortuitos e seguramente furtivos.

A Mafalda deu-me várias lições que eu provavelmente me dispunha a ignorar. Lembrou-me que o Fernando era meu amigo de infância, o mais antigo aliás, andáramos juntos desde a escola primária e os amigos não se traíem, isto a ser verdade que eu sou amigo dele.

Mas se vocês se amam, não têm direito a ser felizes ? perguntou o Silva que gosta sempre dizer coisas.

-Naturalmente que sim disse o Henrique, mas não dessa forma, convenhamos que em nome da verdade do nosso amor nem eu nem a Mafalda, o devemos abandalhar. Será também em nome dessa verdade que este fim-de-semana, vou falar com a Luísa para nos separamos.

Então e depois ? disse o Silva

Depois ? depois, logo se vê-rematou o Henrique

8 de abril de 2008

A verdade é tão simples, afinal




Em tua honra Luís Maia


Foto de Flávio Moura
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- Afinal a verdade é tão simples! disse Matilde, enquanto viam, aquele esplendoroso pôr-de-sol.
- sim disse Isabel, basta estarmos aqui sentadas para vermos como é fácil percebê-la, entendermos todos os seus aspectos, com este fim de tarde melhor que o de muitos verões, por não estar tanto calor…

- nem vento, acrescentou Mitó, espreguiçando-se enquanto se reclinava. Como gosto de estar assim e sentir-me quase gata. Felicidade é poder estar a contemplar esta maravilha, sem mais nada pensar, sem mais cuidados que não seja imbuir-me deste espectáculo.
Não sei se é a verdade de que estão a falar, mas mostra-me, pelo menos a minha verdade, ou pelo menos, a verdade do que sou

- eu fico comovida, tal como o fico quando vejo um bom espectáculo de dança, ou ouço o terceiro andamento da sétima sinfonia de Beethoven, ou ouço Bach, ou Mahler, dizia Rita
Ter agora aqui a sétima de Beethoven para ouvir, era a felicidade que completava este bocadinho.

- a verdade, dizem vocês, o que será a verdade? A verdade é a realidade? Há tantas realidades, todas tão diferentes, ou a verdade pode ser a ilusão? Perguntou Luísa, com a voz arrastada, que era parte do seu encanto
- não, Luisa, a verdade é a beleza e a realidade, ilusão és tu e eu com esta filosofia de trazer por casa, disse numa gargalhada Rita

- estavas tu tão sonhadora e já estás a estragar esta quietude, provocou-a Mitó
- já repararam em todas as tonalidades que temos estado a assistir, o azul do céu que se foi transformando em amarelos, laranjas, em rubro, que passou agora quase a acastanhado , o areal em contra luz que fica quase preto

- mas se te virares para trás continua nesta cor que nem se sabe bem se branca amarelada, ou se creme esbranquiçada, por isso ser uma ilusão, Matilde
- não, Luisa, acho que a Rita disse parte da verdade, a realidade é a beleza; a ilusão é a maneira como percebemos ou interpretamos essa beleza.
não estás cá, Isabel? continuou Matilde, ou estás a ficar nostálgica

- fiquei a pensar no que disse a Mitó…..
- ela já disse tanta coisa

- …..que lhe mostrava a sua verdade, ou a verdade de que era feita. Tens razão, sabes? Mostra de que somos feitas, e vocês fugiram a ela, porque terá sido? Porque na verdade comove tanto estar aqui a assistir a este espantoso pôr-de-sol, como perceber que nos mostra o que somos, se calhar por isso é que nos comove, por nos vermos.

- que grande elogio nos estás a fazer a todas, tu incluída, disse risonha Mitó, tentando aligeirar
- e de que te sentes feita? Perguntou Luísa

- neste momento só aparece o melhor de mim, de nós todas, os defeitos, os erros, esses não os conseguimos ver, estando perante….isto, disse abrindo os braços, como se quisesse abarcar tudo.

- mas sabemos sempre, temos essa noção, que só estamos a ver parte da nossa verdade e por isso ficarmos comovidas, por nos vermos como reflexo esplendoroso, o que é raro, acrescentou Mitó, era isso que queria dizer há pouco.

- vês porque somos nós a ilusão, Luísa?
- claro, Matilde, achas que não estava também fascinada? Sei que o que estamos a sentir é só parte de nós, que somos parte da verdade, porque a Beleza nos esconde o que de pior temos, o menos bom, vá lá, para não ser muito negativista, disse sorrindo

Ficaram em silêncio, aproveitando sentirem-se reflexo esplendoroso, indo embora só quando já não havia uma única tonalidade no céu, agora já escuro.

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