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22 de abril de 2008

LUÍSA



Não consigo dormir.
Voltas e revoltas na cama, almofada molhada de lágrimas, este peso que de meu peito não sai….

Onde falhei é a mesma pergunta para a qual não acho resposta. mas devo ter feito alguma coisa, mas o quê? Dávamos-nos tão bem...claro que havia discussões, mas quem as não tem, mas nunca nos zangámos a sério, nunca nos agredimos, como gosto dele...não posso pensar que gosto dele
soluço que do meu peito sai

Como não não percebi nada? Não percebi nada…..havia alguma coisa, talvez uma sensação de ausência, mas poderia tão bem ser do trabalho, ele nunca fala do trabalho, nunca quis, por serem segredos profissionais e o mundo é tão pequeno. Sempre o percebi.

Não como, há um nó que me não deixa engolir, também nunca tenho vontade de comer, nem de nada, nem sequer já de pensar, porque no meio do desespero vem-me sempre a amargura de ter chegado a sábado e ter resolvido friamente dizer-me que anda apaixonado há muito tempo…..talvez anos….nem consegui perguntar, pela Mafalda e fez a mala e saiu pela porta.

Até me dá vontade de rir, a facilidade com que se descartou. É assim, de uma hora para a outra, diz-me que está apaixonado há muito tempo por outra…….

Raios! mas como conseguia fazer amor comigo, e todas as ternuras que me dizia, era tudo falso? Ainda três dias antes….ou pensava na outra quando me dizia ……

É melhor nem pensar que ainda dou em doida.
Sai pela porta e quer lá saber se fico bem ou mal, já nada é com ele por ter saído a porta, anos de vida em comum nada valem, evaporam-se num segundo, o tempo de dizer «estou apaixonado por outra» e aqui vou que se faz tarde e ainda pensa que se portou bem, ainda pensa que me não traiu
Ah, os homens! só pensam que é traição quando se consuma o acto.
Se sofro? Não quer saber disso para nada. Apaixonou-se , ponto.

Sobe a raiva de tanto ter dado, de se ter aproveitado desse amor, enquanto não teve a certeza do amor da outra, depois foi só abrir a porta e sair.
Às tantas ainda aqui estava se a outra não o quisesse. Ainda bem que o quis, porque nunca me amou.

Parar esta cabeça, estas lágrimas que saiem sem eu dar por isso. Tenho de dormir ou enlouqueço. Tenho de dormir, tenho de parar este desespero, tenho de não pensar, tenho de mudar de casa que aqui tudo me fala dele, tenho de parar de pensar,estes soluços que não param, estes gritos encravados, tenho de não pensar, que ninguém merece que se sofra assim.

Tenho de dormir, tenho de.....dor-mir...tenho..de..dor-mir....te-nho... dor-mir.... dor....mir...dor....mi


14 de abril de 2008

A verdade sobre as Lealdades



Estavam a jantar com um grupo de amigos, quando a avisou de que iria, estar quinze dias no Algarve em serviço e que partiria na sexta à tarde
Ela só perguntou admirada porque ia na sexta e não domingo, visto que durante o fim-de-semana não iria trabalhar, com quase toda a certeza.
Encolhendo os ombros respondeu que era menos cansativo, não tendo ela acrescentado mais nada.

Todos perceberam que iria ficar sem carro e ofereceram-se para a ir buscar, propondo-lhe vários programas alternativos.
Ela ria-se e quando todos se despediram, tudo tinha ficado no ar, pensando ela que ninguém se iria lembrar daquela conversa quando chegasse o dito fim-de-semana.

Enganou-se, o Miguel telefonou-lhe a perguntar se não queria ir com ele até Sesimbra, por o dia estar de não se desperdiçar.
Miguel tinha acabado namoro há pouco tempo com a Graça e ela hesitou um pouco, mas pensando que daí não viria mal ao mundo, acabou por aceitar.

Miguel era um homem sem nenhuns atractivos físicos, mas emocionalmente era uma rocha, uma arriba, que ali está para o que desse e viesse, a quém sempre alguém se encostava quando estava em baixo.
Era amigo do Manuel desde o princípio da adolescência e ela sabia que também era seu amigo, desde que a conhecera já namorada do Manuel e hoje em dia, sua mulher há seis anos.

Foram juntos para a praia e um dia inteiro, propiciou a que se fizessem confidências, ele sobretudo, porque ela pouco falava da sua vida.
A certa altura, já a tarde ia a meio, ele olhando-a nos olhos, disse saber que ela não feliz com o Manuel, que se percebia que ela estava a murchar e se ela não lhe queria explicar a razão.

- não há nenhuma razão especial, são fases, disse renitente e evasiva.

Foi então que lhe declarou todo o amor reprimido há anos, acrescentando que tinha namorado com a Graça para ver se a esquecia, mas como sempre se estavam a encontrar, por fazerem parte do mesmo grupo, que nunca o conseguira.

Ela olhava abismada para ele

- anda disse-lhe puxando-a por uma mão, vamos dar um mergulho, o que ela aceitou de imediato para não ter de lhe dar uma resposta, qualquer resposta que não tinha.

Já na água, aproveitou para com ela brincar, puxando-lhe uma perna e quando se desequilibrou, aproveitou a abraçar e vendo que ela se deixava estar beijou-a apaixonadamente.
Feliz por ela ter correspondido, aproveitou quando nas toalhas se deitaram, para afagar o corpo lindo, enquanto lhe sussurrava palavras de louco amor, finalmente extravasado.

Foram para a casa que ele tinha em Sesimbra, para banho tomarem.

Já ela estava no chuveiro, confusa com o que estava a acontecer, sabendo que com o marido tudo tinha acabado há tempo, quando ele entrou e a começou a lavar
Ela ainda murmurou o nome do marido, ao que ele respondeu que pensariam nele mais tarde.

Quando ela teve o seu primeiro orgasmo, ele percebeu o que corria mal entre aquele casal e esforçou-se por lhe dar mais e mais prazer.
Passaram o fim-de-semana juntos, com Miguel sempre a insistir que ela não tinha mais do que se separar, que era com ele que ela sempre deveria ter vivido.

Quando a deixou no emprego na segunda-feira, longe da sua insistência, resolveu pedir abrigo aos pais, para não ter outra vez de o enfrentar e poder com calma pensar.

Sim, o seu casamento tinha acabado, era só necessário que os dois, ela e o marido, tivessem mais uma conversa, que desta vez seria a última.
Estava agradecida a Miguel, por inconscientemente a ter feito decidir, por lhe ter dado a conhecer o que era prazer, por lhe ter feito saber que não era frígida como julgava, mas no fundo com alguma repugnância pela pouca lealdade do Miguel pelo amigo.

Pensou para com ela, que havia pessoas que pareciam vampiros, que sempre estavam presentes, para à menor oportunidade a poderem abocanhar. Talvez estivesse a ser injusta, mas era o que sentia.

Quando pensou na sua lealdade para com o marido, encolheu os ombros, não teria acontecido se não fosse a ocasião ter aparecido e lealdade, era coisa que o marido não tinha para com ela há muitos anos.

Temas e Instituições