Voltas e revoltas na cama, almofada molhada de lágrimas, este peso que de meu peito não sai….
Onde falhei é a mesma pergunta para a qual não acho resposta. mas devo ter feito alguma coisa, mas o quê? Dávamos-nos tão bem...claro que havia discussões, mas quem as não tem, mas nunca nos zangámos a sério, nunca nos agredimos, como gosto dele...não posso pensar que gosto dele
soluço que do meu peito sai
Como não não percebi nada? Não percebi nada…..havia alguma coisa, talvez uma sensação de ausência, mas poderia tão bem ser do trabalho, ele nunca fala do trabalho, nunca quis, por serem segredos profissionais e o mundo é tão pequeno. Sempre o percebi.
Não como, há um nó que me não deixa engolir, também nunca tenho vontade de comer, nem de nada, nem sequer já de pensar, porque no meio do desespero vem-me sempre a amargura de ter chegado a sábado e ter resolvido friamente dizer-me que anda apaixonado há muito tempo…..talvez anos….nem consegui perguntar, pela Mafalda e fez a mala e saiu pela porta.
Até me dá vontade de rir, a facilidade com que se descartou. É assim, de uma hora para a outra, diz-me que está apaixonado há muito tempo por outra…….
Raios! mas como conseguia fazer amor comigo, e todas as ternuras que me dizia, era tudo falso? Ainda três dias antes….ou pensava na outra quando me dizia ……
É melhor nem pensar que ainda dou em doida.
Sai pela porta e quer lá saber se fico bem ou mal, já nada é com ele por ter saído a porta, anos de vida em comum nada valem, evaporam-se num segundo, o tempo de dizer «estou apaixonado por outra» e aqui vou que se faz tarde e ainda pensa que se portou bem, ainda pensa que me não traiu
Ah, os homens! só pensam que é traição quando se consuma o acto.
Se sofro? Não quer saber disso para nada. Apaixonou-se , ponto.
Sobe a raiva de tanto ter dado, de se ter aproveitado desse amor, enquanto não teve a certeza do amor da outra, depois foi só abrir a porta e sair.
Às tantas ainda aqui estava se a outra não o quisesse. Ainda bem que o quis, porque nunca me amou.
Parar esta cabeça, estas lágrimas que saiem sem eu dar por isso. Tenho de dormir ou enlouqueço. Tenho de dormir, tenho de parar este desespero, tenho de não pensar, tenho de mudar de casa que aqui tudo me fala dele, tenho de parar de pensar,estes soluços que não param, estes gritos encravados, tenho de não pensar, que ninguém merece que se sofra assim.