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16 de outubro de 2011

A morte de Soeiro Pereira Gomes

  • Casa Comum, 31 de Dezembro de 1949
  • Notas para o meu diário

  • Em 5 de Dezembro passado, morre na clandestinidade Soeiro Pereira Gomes, membro do Comité Central do PCP

Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu em 1909 na aldeia de Gestaçô, concelho de Baião, no seio de uma família de pequenos agricultores do Douro. Aprendeu a ler com o pai no Primeiro de Janeiro, ainda antes de entrar na escola primária. Mais tarde vai para a Escola Agrícola de Coimbra, onde tira o curso de regente.

Em 1930, assina um contrato com a Companhia da Catumbela e embarca para Angola. Em 1931, regressa a Portugal insatisfeito com a experiência, quer pelas condições de trabalho quer pelos rigores do clima.

Nesse ano casa com Manuela Câncio Reis, fixa residência em Alhandra e emprega-se no escritório da fábrica Cimento Tejo

No final dos anos 30, Soeiro Pereira Gomes adere ao PCP, ingressa na célula da empresa e pouco depois integra o Comité Local de Alhandra, participando activamente na vasta acção cultural impulsionada pelo Partido em todo o Baixo Ribatejo, em articulação com o trabalho clandestino da organização.

Pioneiro do movimento neo-realista cuja consolidação se acentua a partir de 1939, Soeiro Pereira Gomes colabora nos jornais «Sol Nascente» e «O Diabo». Na sua casa juntam-se, entre outros, Alexandre Cabral, Sidónio Muralha e Alves Redol.

Entretanto, o regime salarazista tudo fazia para impedir o conhecimento dos crimes do holocausto nazi, as tabernas, os cafés e outros lugares públicos estavam proibidos de ligar os aparelhos de rádio à BBC à hora das emissões em língua portuguesa. Por isso, Soeiro Pereira Gomes, residente numa pequena moradia de um só piso, abria a janela da sala em que tinha a telefonia para que muitos populares pudessem escutar disfarçadamente as informações de Londres sobre a evolução da II Guerra Mundial.

Em 1944, Soeiro começa a escrever «Engrenagem», livro que não terá tempo de concluir, dado o rumo que a sua vida tomaria a partir de então.

Nas greves de 8 e 9 de Maio desse ano, Soeiro encontrava-se no seio dos trabalhadores em luta, como membro do Comité Regional da Greve do Baixo Ribatejo. A Pide teve conhecimento prévio do movimento grevista e começa a preparar uma cilada a Soeiro. Este vence a situação, mergulhando na clandestinidade na tarde de 11 de Maio de 1944.

Acabada a II Guerra Mundial, o PCP realiza o seu IV Congresso na Lousã, em Julho de 1946, sendo Soeiro Pereira Gomes eleito para o Comité Central. Em Agosto elabora um «esboço sobre a maneira como utilizar as praças de jornas ou praças de trabalho no Movimento de Unidade Camponesa para o derrubamento do fascismo» e, pouco depois, é destacado para o Sector de Lisboa, onde se torna membro da Comissão Executiva do Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (MUNAF), ao mesmo tempo que acompanha a actividade dos camaradas que actuavam no Movimento de Unidade Democrática (MUD).

Soeiro era elemento de ligação do Partido com o Conselho Nacional de Unidade Anti-Fascista quando adoece gravemente. Ainda participa no início da campanha presidencial de Norton de Matos em 1949, mas a doença progride minando-lhe a resistência física.

  • A 17 de Dezembro foram presos de vários elementos do MND na sequência do protesto contra a prisão de José Morgado

José Morgado participou na candidatura presidencial do general Norton de Matos e no Movimento Nacional Democrático. Nesta época foi preso diversas vezes, por razões políticas

. Foram presos vários membros da Comissão Central do MND, em 17 de Dezembro , por protestarem contra a prisão de , José Morgado, ocorrida em Castelo Branco a 5 de Novembro. passado

A Polícia política prende uma série de elementos do MND, na sequência desse protesto

Os dirigentes do Movimento Nacional Democrático, presos foram Rui Luís Gomes, Virgínia Moura, Albertino Macedo, Areosa Feio, José Pinto Gonçalves, José Alberto Rodrigues, Maria Lamas. Foram libertados a 24 de Dezembro, após terem prestado caução.

  • No passado dia 2 de Novembro Filmes Albuquerque que o produziu apresentou no Trindade no Porto, A CANÇÃO DO CIGANO de Henrique Campos; com interlúdio musical com Alberto Ribeiro.




  • Minerva Filmes estreou, no Tivoli, VENDAVAL MARAVILHOSO de Leitão de Barros.

27 de dezembro de 2009

A invasão da União Soviética e o sonso nacional



Casa Comum, 31 de Outubro de 1941

Amiga Severa

Estamos a assistir à internacionalização da guerra europeia, quando a Alemanha Nazi, no dia 22 de junho de 1941 com uma força de 150 divisões do exército iniciou a invasão da União Soviética, rompendo o pacto de não-agressão entre os dois países, assinado em 1939 por Hitler e Stalin e que na altura tanta confusão me fez tendo-lhe chamado na altura uma monstruosidade ideológica.

Numa entrevista, publicada numa revista Estaline justificou-se assim

VEJA - Não terá sido então um erro da parte do senhor colocar a União Soviética em aliança com figuras desse naipe, assinando um pacto de não-agressão com a Alemanha nazista?
Stalin - Claro que não! Um pacto de não-agressão é um pacto de paz entre dois países. Foi exatamente isso que a Alemanha nos propôs em 1939. Acredito que nenhum país pacífico poderia recusar um tratado de paz com um país vizinho, mesmo que esse país seja liderado por monstros e canibais como Hitler e Ribbentrop. Isso, claro, sob a condição indispensável que esse tratado de paz não ameaçasse, direta ou indiretamente, a integridade territorial, a independência e a honra do país amante da paz.

Em dois meses os alemães, chegaram a Moscovo, tendo tomado já considerável parcela do território soviético. Ao sul, toda a Ucrânia e a sua capital, Kiev, e ao norte, Leningrado continua cercada.

No passado dia 2 de Outubro, um grupo sob o comando de Fedor von Bock lançou o seu ataque contra Moscovo, tal ataque recebeu o nome de código Operação Typhoon. Mesmo sofrendo pesadas baixas as forças soviéticas continuaram a lutar, agora sob o comando do general Georgy Zhukov.



Em Portugal faz-se sentir com alguma intensidade o apoio de alguns meios germanófilos e anticomunistas à invasão alemã. A destacar o apoio da Legião Portuguesa, organização declaradamente afecta à causa alemã, esta invasão da União Soviética pelos alemães que provoca uma assunção clara da Legião Portuguesa do seu germanofilismo.

Pela primeira vez, é tornada pública uma posição de claro alinhamento pela luta desenvolvida pelos nazis, através de uma ordem de serviço publicada no dia 10 de Julho de 1941 pela Junta Central da Legião Portuguesa no Diário de Notícias.

Contra Moscovo, vencer (diziam eles) não podem ficar indiferentes à campanha libertadora da opressão vermelha nenhuma nação, nenhum povo, nenhum nacionalismo; contra Moscovo alinharão os que querem a ordem; marcharão as legiões de todo o mundo, os exércitos defensores digníssimos das pátrias. O legionário português como nacionalista e cristão é, acima de tudo, anticomunista.

Depois disto, mesmo assim o Estado Novo, continua oficialmente a proclamar o seu não alinhamento, mas que lata dr. Salazar, a isso chama-se popularmente o estilo dum verdadeiro jesuíta, sonso e matreiro.

Mais importante contudo é a notícia que continua a resistir-se a mais uma onda de repressão a propósito da inopinada decisão do governo de aumentar as propinas, que desencadeou um movimento de revolta na Universidade de Coimbra. Como a repressão e a força, tem o condão de acirrar os ânimos ai está a criação dum vasto movimento de poetas, que se apelidam de o Novo Cancioneiro, titulo geral de obras em que poetas jovens, alguns deles parcialmente ligados à Presença, tem vindo a publicar as suas composições em volumes separados.

O primeiro foi a Terra de Fernando Namora, seguido pelos Poemas de Mário Dionísio, Sol de Agosto de João José Cochofel, Aviso à Navegação de Joaquim Namorado os Poemas de Alvaro Feijó e a Planicie de Manuel da Fonseca.

Tudo isto lhe recomendo minha cara amiga e que não deixe de ler também outro livro chamado Esteiros, o nome de um romance integrado numa estética nova mas que aborda o tema do trabalho infantil (coisa banal em Portugal) na vila de Alhandra, cujo autor é Soeiro Pereira Gomes.

O convite musical para hoje é uma homenagem ao martirizado povo soviético, personalizado por Shostakovich na sua 6ª Sinfonia, estreada há dois anos

Temas e Instituições