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14 de junho de 2010

Salazar um anti-imperialista convicto



  • Casa Comum, 30 de Novembro de 1944
Cara amiga


Os Estados Unidos, sobretudo as autoridades militares norte-americanas, não ficaram satisfeitas com o teor do acordo luso-britânico de 1943, uma vez que este não previa a possibilidade de as forças norte-americanas terem acesso directo à base inglesa, que foi cedida unicamente à Inglaterra e, apesar de estar previsto o seu uso “para o reabastecimento de aviões e navios das Nações Unidas”, a “manutenção de unidades americanas em permanência” não era contemplada, como falámos na altura

Ora para os americanos esta situação tinha um duplo inconveniente: por um lado, continuava a faltar uma escala fundamental no transporte das tropas americanas para os continentes europeu e africano; por outro lado, sendo a base dos Açores um estabelecimento britânico, não assegurava os direitos de longa duração que os americanos pretendiam já adquirir.

Na verdade, os americanos tinham já elaborado vários planos para o estabelecimento a longo prazo de bases militares na chamada esfera de influência e de protecção do continente americano e as ilhas dos Açores figuraram sempre como uma prioridade

Roosevelt tinha já a 14 de Outubro de 1943 informado Churchill que os Estados Unidos iriam, de imediato, iniciar uma aproximação directa ao governo português no sentido de obter “facilidades de aviação” nos Açores e de garantir a utilização de tais facilidades por parte das forças norte-americanas envolvidas no esforço de guerra aliado

Os Estados Unidos dispensaram a intervenção do Reino Unido como intermediário e como interlocutor privilegiado em Lisboa e passavam a desenvolver uma diplomacia autónoma para com Portugal e isso já é uma novidade, atendendo a como sabemos Salazar também não gosta de americanos e que terá afirmado a George Kennan, conselheiro da embaixada americana em Lisboa, que as pretensões americanas era a “manifestação de imperialismo que avança em relação à Europa” pelo que “teremos de defender esta até ao extremo limite das nossas forças.

Há um ano que negoceiam pelo que julgo saber os americanos tiveram portanto que amenizar muito as pretensões iniciais que passaríam por uma verdadeira tomada do arquipélago.

No dia 23 de Novembro do ano passado Salazar recebera Kennan, que trazia uma carta de Roosevelt, na qual se salientavam as vantagens, “no que respeita ao encurtamento da guerra e ao salvamento de vidas”, da utilização pelas forças norte-americanas de facilidades nos Açores.

O acordo principal entre os dois governos só foi assinado Há dois dias por Oliveira Salazar e pelo embaixador Henry Norweb.

Os governos português e americano comprometeram-se a construir na Ilha de Santa Maria um aeródromo para servir de “base aérea”, sendo que a “parte dos trabalhos” a cargo do governo português seria executada “por intermédio de uma empresa privada”.

Todas as construções “uma vez em estado de servirem, serão consideradas propriedade do Estado português”. Portugal concedia aos Estados Unidos “a utilização sem restrições da base aérea de Santa Maria que ficará, tanto no que respeita a operações como a administração e controle, sob o comando da força aérea americana”.

Em anexo ao acordo principal foram trocadas duas notas diplomáticas de teor idêntico entre o governo português e os governos americano e britânico. Através destas notas, os governos americano e britânico, “cônscio[s] do legítimo desejo do governo português de pôr termo à ocupação de Timor pelos japoneses e reconhecendo que este território português se encontra compreendido num largo campo de operações empreendidas” pelos Aliados no Pacífico,
“aceita[m] e concorda[m] com a participação de Portugal nas operações que eventualmente sejam conduzidas para expulsar os japoneses do Timor português a fim de ser restituido à plena soberania portuguesa”.

Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), criado em 1933, foi agora transformado no Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), duas criações atribuidas a António Ferro e estão directamente ligadas a Salazar, que não larga da mão o controlo daquilo que considerava fundamental para a sua própria manutenção a cultura e a inteligência que não podem ser deixadas à solta.

Esta coisa de mudar o nome para que tudo se mantenha, é um velho estilo sempre reinventado)


Para hoje o convite para ouvirmos a Sinfonia alpina de Strauss.


(créditos-Luís Nuno Rodrigues
O Acordo Luso-Americano dos Açores de 1944)

19 de dezembro de 2008

Dois meses de revolta armada

Casa Comum, 31 de Maio de 1931

Pois é verdade a minha amiga Severa sempre deixa para mim a codêa e come o miolo, que é como quem diz, a sensaboria das politiquices, reservando-se para o fascínio das artes.

Curiosamente parece que a substituição na pasta da guerra de Namorado de Aguiar por Schiappa de Azevedo, por desvarios conspirativos para derrube do Salazar, que "namorando" o Ivens Ferraz, trocavam segredinhos para o fazer saltar.

Consta-se que o homem têm ouvidos nas costas e adivinhou antes do tempo certo, ou talvez que não passasse de boataria, que a intriga também é muita e você, bem sabe como é esta gente da nossa terra.

Pelo sim pelo não, o Salazar não se mete com o general Ferraz, sempre é o Chefe máximo do Estado-Maior e com militares nunca se sabe.

Falando em guerra, estes 2 meses últimos foram em polvorosa, revoltas militares na Madeira, nos Açores e na Guiné, é obra.

Na Madeira começou em 4 de Abril e durou 28 dias, sob o comando da Junta Revolucionária da Madeira, presidida pelo General Sousa Dias, criou um embrião de governo provisório que tomou medidas de alcance económico e social, e que foi um pouco o feitiço contra o feiticeiro, pois teve origem nos deportados pelo regime para a Madeira que, seriam cerca de 200, entre civis e militares, numa altura em se sentia o descontentamento por sucessivas lutas da população da Madeira contra medidas do governo central de que é bem conhecida a "revolta da farinha" e os apertos orçamentais, que sempre aleijam mais o mais fraco.

Sendo assim minha amiga, foi como juntar a mexa ao trapo, mas 28 dias de resistência foi heróico, porém já foram derrotados pelas "forças leais ao governo", como eles dizem.

Nos Açores, o comandante Maia Rebelo, o capitão de mar e guerra João Manuel de Carvalho, o major Armando Pires Falcão e o sidonista Lobo Pimentel, chefiam o levantamento e aderem à revolta as ilhas de S. Miguel, Terceira, Graciosa e S. Jorge.

A 17 de Abril, na Guiné, prendendo o governador e não encontrando resistência, forma-se então uma Junta Revolucionária, naquela província, que formula a mesma luta contra Lisboa.

A desigualdade de forças, determinou o fim de todas estes levantamentos, afinal também reflexo da depressão de 1929, que como sempre nestes casos chega sempre mais tarde às economias mais débeis. A crise monetária europeia no início deste ano, fez-se sentir, nos seus efeitos bancários e cambiais, também em Portugal.

O governo de Oliveira Salazar encetou um conjunto de medidas restritivas, começando pelo orçamento de 1931/32, para o qual se prevê um decréscimo de 7,8% nas despesas, com um superavit de 1900 contos, mas com efeitos devastadores para as classe mais desfavorecidas.

Que importa ao homem das finanças, se o povo passa fome, o que lhe interessa é aferrolhar, poupar os 1900 contos de reis, é o que importa.

Não me esqueci da vitoria Republicana em Espanha, devem vir a dar-me por certo motivos para sorrir, mas foi só há mês e meio, em 14 de Abril, estou a reunir umas informações que depois lhe conto.

Como é habito acabar-se com música deixo-a com o hino da Segunda Republica Espanhola

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