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28 de maio de 2008

ALMOÇO COM A TERESA E COM A SUSANA II


NOTA aos navegantes:
Estamos a escrever uma história ficcionada. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência


- Não foi ele que foi atacá-la..porque eu sei que o Pedro ao contrário do António, nunca foi desses!!! Foi sim...o contrário!!! ELA!!
Falas que não devo dar cabo da minha vida...mas eu já perdi tudo!!! Achas que neste momento tenho mais alguma coisa a perder??? Não me parece...


- Estás a simplificar Susana.
OK. Também acho que os nossos casos são diferentes, quanto mais não seja porque o António não os tem no sítio, além de ser uma pessoa profundamente má, que faz teatro passando-se por um dos mais santos da net.
O Pedro não é assim. Certo
Mas vamos supor que é verdade, que foi ela que se fez ao Pedro e não o Pedro a ela, ou que os dois se fizeram um ao outro ao mesmo tempo, também pode ter acontecido.
Ela a ti nem te conhecia, por isso não foi ela que te fez mal, quando muito foi o Pedro que te magoou.

Sabes Susana, mas dar a volta a um homem que não gosta de nós, é humilhante, como consegues viver com tão pouco? Tu já tinhas tão pouco…tinhas o teu filho, mas como queres que reaja um juiz quando sabe que a mãe por vingança, não deixa o filho ver o pai? Não quiseste saber do bem-estar do miúdo, quiseste vingança e o miúdo que se lixasse.
Mas sabes o que tens ainda a perder, a vida e já o tentaste.

Caramba rapariga! tu ainda és nova, tens a toda a vida pela frente. Porque não dar hipótese a um novo amor que te ame como qualquer mulher merece? Destruir-lhes a vida de que é que te adianta? Ir parar à prisão? É isso que queres?

- Eles não se podem ficar a rir Teresa..não podem!!!
E falas no meu filho???Eu fiz tudo a pensar no bem estar dele!!! Tu acreditas que ele chama mamã àquela gaja??? Nem imaginas o que me passava quando ele me perguntava pela "Mamã"!!! Até o meu filho viraram contra mim!!! Eu fi-lo a pensar nele..e faço-o a pensar nele..porque quando eu vencer esta guerra...(fixa o que eu te digo..EU VOU VENCER)..aí sim...posso viver em paz com o meu filho!!!
E ainda te digo mais...atentei contra a minha vida..porque me senti desesperada...mas já dei a volta por cima!!
Querem guerra...pois vão tê-la..e não fui eu que a comecei...
Falas que me contentava com pouco?? Não..enganas-te...eu contentava-me com a vida que tinha...o homem que amo e um filho dele...e ela tirou-mo!!!
Já vi que não adianta dar-te mais argumentos...pois sem dúvida que não pensamos da mesma forma!!
Baixas-te os braços muito rapidamente Teresa...e a esta hora..estão os dois a rirem-se de ti...e a dizer que foste uma tontinha e uma parvinha...porque caíste na teia!!! Sentes-te bem assim??? Bolas!!! Não sei como consegues...


- Oh Susana, como podes dizer que fizeste tudo a pensar no bem-estar do teu filho? Tu não percebes que deixar de ver o pai durante imensos meses, lhe fez mal?
Caramba, tu és inteligente!
Olha lá, devias era estar contente por a madrasta gostar tanto dele, que até a trata por mamã. Não seria muito pior se o tratasse mal?
Mas vais vencer o quê? o que andas tu a engendrar. Mas quem é que quer guerra. Eles não estão sossegadinhos no seu canto?
Não faças asneiras.
Tu amas um homem que já não te ama, se é que alguma vez amou.

Baixei os braços? Querias que andasse com eles no ar, não? Gargalhada
Oh pá, se o gajo anda com outra é porque não gosta de mim, e ponto final.
Quero lá bem saber de um gajo que não gosta de mim.
Pela tua rica saúde, ele que fique com quem quiser.
Mas passa-te pela ideia que eu queira quem me tratou mal sem nenhuma razão? Um sacana? Um mentiroso?
Tu não estás boa. Eu quero é que ele fique bem longe de mim….e ele também quererá o mesmo, o que é óptimo. Nisso estamos de acordo. Gostava de a avisar, mas é difícil…
Mas deixa que quando ele começar a desligar o telemóvel e a dizer que ficou sem carga, ou sem saldo e tiver o telemóvel desligado uma tarde inteira, ela logo perceberá e começará a desconfiar.
Já viste algum empresário com o telemóvel desligado sem carga, ou sem saldo, uma tarde inteira? Eu nunca.


- Teresa!!! Está visto que não me entendes...e penso que nunca me vais entender, porque como já viste temos maneiras diferentes de pensar!!!

Eu fiz o que fiz...pela minha felicidade..para recuperar tudo o que me tiraram e que é MEU..por direito!!! E voltava a fazer de novo!! Não me arrependo de nada...talvez só me arrependa de ter atentado contra mim própria...mas também me serviu para reflectir e pensar em tudo isto..e cada vez é maior a vontade que tenho em não desistir!!!
Agora..aquilo que acho é que o Pedro sempre me amou...mas ficou enfeitiçado..e eu hei-de quebrar esse feitiço..escreve o que te digo!!

Quanto a ti...talvez tenhas razão no que dizes sobre o teu caso...e com um gajo desses o melhor é a distância!! Quanto a ela..se quer ser parva..problema dela..eu se fosse a ti..mesmo que pudesse não a avisava!!! Mas isso sou eu...sabes como sou!!
Quanto a mim...penso que é melhor pararmos por aqui a conversa...porque como temos pontos de vista diferentes..ainda vamos acabar por nos chatear!!! E era só o que me faltava chatear-me com as amigas por causa daquela...daquela...nem vou dizer o nome!!
Humm..está delicioso este peixinho!!! Não achas???


- Vamos então aproveitar esta vista maravilhosa, e comermos este peixe delicioso.
Zangas é que não. Se um homem não merece que uma mulher se destrua, como tu andas a fazer, merece ainda menos, seja qual for, que amigas se zanguem.
Desde já te aviso, por te saber tão gulosa, que têm uma mousse gelada de avelã que é de comer e chorar por mais.




À Cleopatra, Imperatriz do PÁGINAS DA NOSSA VIDA o meu muito obrigado pela participação na personagem da Susana.

20 de maio de 2008

ALMOÇO COM A TERESA E COM A SUSANA - I

NOTA aos navegantes:
Estamos a escrever uma história ficcionada. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência


Foram só as duas almoçar, porque só as duas tinham o mesmo desgosto, Susana tinha sido deixada pelo marido e Teresa tinha acabado com o namorado.
As duas sentiam-se traídas, mas por razões diferentes, mas seriam, eventualmente, as que poderiam melhor entender o desgosto uma da outra.
Teresa gostava muito do Mestre Zé, o antigo, no Guincho, por isso ter escolhido aquele restaurante. Ficaram numa mesa junto de uma das janelas, onde poderiam ver o mar, na zona mais baixa da sala. Ali estavam, mais á vontade.

O almoço foi um robalo feito no sal, pescado á linha. Apetecia-lhes peixe fresco e sem ser de “aviário”

- Foste mesmo ao fundo Susana, para te ser diagnosticada uma depressão. Olha que apesar de tudo, não há homem nenhum que valha isso. Andas mais calma?

- Eu? Estou calmíssima! Só não vou descansar enquanto não pagarem por tudo o que me fizeram!! Porque a culpa de eu ter ido ao fundo...foi deles. Ponto final.
Quem mas faz..paga-mas!!
Ela é que foi a culpada de tudo...porque eu estava cá sossegada no meu canto...e embora as coisas não andassem bem com o Pedro...eu ia dar-lhe a volta como sempre fiz!!! Estávamos a passar uma má fase..e ela veio intrometer-se!! Portanto..agora sofrem as consequências dos actos que fizeram!!
Achas que não tenho razões para estar como estive??
Tiraram-me tudo...TUDO!! Pois agora quem lhes vai tirar tudo sou eu!! Tenho esse direito!! Não achas que tenho razão??
Que farias se tivesses no meu lugar?? Diz-me Susana!! Que farias se te tirassem o marido...o teu filho..a tua vida??? Ficavas de braços cruzados..só porque não há homem nenhum que mereça uma lágrima sequer das que deitamos???

- Estás cheia de raiva Susana e isso não é bom.
Vejo as coisa de maneira diferente da tua. Não atiro culpas para nenhuma mulher, se houve traição foi o Pedro que traiu, e não outra mulher, seja ela qual for. Mas penso que o amor não é eterno, ou pelo menos poderá não ser e que há coisas que acontecem na vida que ninguém está à espera.
Repara, eu se o António tivesse tido a dignidade de dizer que gostava de outra, teria aceitado.
Mas o que o António fez é que é inadmissível. Inventar que está a morrer, pôr-me a chorar durante dias por ir morrer…programar a doença com semanas de antecedência…não isso não se faz. Depois vir a descobrir, que já em Janeiro não tinha estado doente, descobrir que anda na net, com várias personalidades, ele è fotógrafo, ele é duas mulheres diferentes, que andava com outra, ou outras desde Setembro, isso é que é inadmissível.
O Pedro foi sincero, acabou. Pronto. O António não queria acabar comigo, queria que eu estivesse ali de lado, para as faltas, porque a mulher com quem ele anda, parece que está muitas vezes doente, que tem muitas dores de cabeça, eu sei lá

- Sim...concordo que o António foi um filha da mãe contigo..para não dizer outra coisa!!! Mas repara...aqui a culpa não foi do Pedro!! Foi DELA!! Ela é que é a culpada de tudo!!! Ela é que lhe deu a volta à cabeça...e ela é que me tirou tudo!! Portanto agora chegou a minha vez!!!
Sabes...estes meses que estive internada...nos momentos de lucidez!! Sim...porque me drogaram até mais não...mas tive momentos lúcidos...oh se tive..e aí pensei muito em tudo...e não vou voltar atrás na minha decisão!!! Ela destruiu a minha vida...pois agora vou eu destruir a dela!! Tenho esse direito!!! Não concordo quando dizes que ela não teve nada a ver com isto!! Porque teve!!! Se ela não se tivesse intrometido..nada disto tinha acontecido e eu tenho a certeza que hoje ainda estaria com o Pedro!!
Já viste que ela foi tão esperta que apanhou-o logo engravidando dele???Ela é muito esperta.
Julga-se muito esperta!!!Está tão enganadinha!!!
Agora diz-me...não ficaste nem um pouco com raiva dessa tal??

- Não Susana, não fiquei com nenhuma raiva dela…nem dele, se queres te diga.
Logo que descobri, porque ele quis que eu descobrisse, para mim ficou a ser passado, a única coisa que queria era que me explicasse, porque me tinha feito sofrer, inutilmente, porque ele sabia que bastava dizer-me que tinha acabado….aquilo que sentiu por mim, para já ser passado. Era tão fácil.
Mas ele resolveu ignorar a minha pergunta, e aí sim, deu-me uma raiva, mas a ele e só a ele. Se me tivesse aparecido à frente, acho que o tinha deixado todo arranhado, mas de fúria.
Não, não tive nenhuma raiva dela, tenho é pena, porque sei que vai ser mais uma vítima. Só isso. Gajos destes não mudam. O António gosta de caçar, mas mais uns mesitos, e estará tudo acabado.
Quanto a ti, acho que ela não teve nada a ver com o Pedro ter acabado contigo.
Ao tempo que te andavas a queixar do Pedro. Lembras-te de contares que ele nem queria fazer amor contigo? Porque quiseste viver com um homem que sabias que não te amava? Porquê Susana?
A mim nem que me cobrissem de ouro, eu aceitaria viver com alguém que não gostasse de mim, desde que me apercebesse disso.
O Pedro deveria ter saído há mais tempo de casa, mas isso também são coisas da vida. Olha que ele não foi sacana contigo e o facto de ela estar grávida só poderia influenciar, se ele não tivesse já um filho teu. Mas tinha, e adora-o.
Vê lá o que fazes, não dês cabo da tua vida.

- Olha Teresa...eu acho que os nossos casos são muito diferentes!!! O Pedro sempre foi assim comigo...é feitio dele, não era porque não gostasse de mim...mas eu conseguia sempre dar-lhe a volta e ele sempre foi bom de cama!! Entendes o que quero dizer?? fazíamos pouco...mas quando fazíamos...
Não acho que fosse por não gostar de mim, mas porque ele é mesmo assim!! Agora...estávamos a atravessar uma fase menos boa no casamento....ainda por cima tínhamos sido pais há pouco tempo, eu ainda estava de licença de parto...e logo mais frágil e menos íntimos!!Ela veio atacar precisamente nessa fase...entendes?

Tem continuação na próxima quarta-feira
.


À Cleopatra, Imperatriz do PÁGINAS DA NOSSA VIDA o meu muito obrigado pela participação na personagem da Susana.

14 de maio de 2008

ALMOÇO NO VITOR




NOTA aos navegantes:

Estamos a escrever uma história ficcionada. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

Hoje foram as mulheres, que almoçaram juntas, no Vítor de Alcabideche.

Ao almoço vale sempre a pena lá ir, porque
há “petiscos”, que já desapareceram ao jantar. Todos os seus frequentadores sabem disso.

Pode acontecer haver “jaquimzinhos” chamados folhas de oliveira, fritos divinamente, tem acontecido haver os celebérrimos linguadinhos folha de louro, desaparecidos há uma infinidade de tempo, mas que são vendidos por pescadores, que fogem às malhas das redes e da ASAE. Nunca estão na lista, como é bom de ver, e só falam deles aos clientes habituais, não vá o diabo tecê-las.

Nesse dia havia, e nunca tinha comido, carabineros pequeninos fritos em alho e azeite, em que só cabeça se mantinha, porque é a melhor parte dos carabineros. Não tinham mais de 5cm.

Uma das coisas que é preciso saber no Vítor, é que o arroz só é bom o branco, porque qualquer dos outros, excepção feita, também, ao arroz de pato, vêm empapados, uma lástima. O acompanhamento era arroz de camarão, mas preferimos o arroz branco, pelo que foi dito e porque ligava melhor.

A conversa foi interrompida, quando chegaram os pratos, 3 doses para as cinco chegava perfeitamente, e só se ouvia os "Hum!..." deliciados.

Teresa, que tinha combinado o almoço, e resolvera pôr frente a frente Luísa e Mafalda, que se falaram como se nada se tivesse passado.

Luísa emagrecera e via-se que estava em baixo, ainda não lhe tinha passado a dor de Henrique a ter deixado, Mafalda mexia-se pouco á vontade por estar ali ao lado de Luísa, sabendo que tinha sido por sua causa que Henrique a tinha deixado, Teresa parecia animada, mas via-se que tinha também perdido peso, ela que já era tão magra, Isabel estava radiosa por estar com o seu Alfredo, coisa rara, estava também, por ter vindo a Lisboa com o Luís que não perderia o jogo de domingo do seu clube, a sua mulher.

Mas o ambiente desanuviou-se por todas quererem saber o que o bruto do António Salvador da Silva, O Silva para todas, António para a Teresa, lhe teria feito.
Teresa respondia que eram águas passadas, mas que realmente o contacto com o António tinha sido através da Net, não se tendo apercebido que António SS era o Silva de que elas falavam.

Que ao fim de dois ou três meses de mails trocados, porque ela não entrava em conversas, nem em chats nem em messengers, com desconhecidos, ele ter insistido em a conhecer. Apesar de mais tarde lhe ter dito em várias ocasiões que tinha sido ela a insistir com ele para o conhecer, mas ela sempre repunha a verdade da questão, e ele lá lhe acabava por dar razão.

Numa coisa ele tinha sido franco, sempre lhe tinha dito que não queria viver com ninguém, gostava de viver sozinho, ela também não poderia por isso não ver inconveniente, nem lhe ter passado pela cabeça, que a ele lhe fazia jeito para com outras poder andar.

Ingenuidades de uma mulher que acreditava que ele tinha encontrado o seu amor verdadeiro, que nunca assim tinha amado…..lobos, a quem lhes dá gozo a caça, vestidos com peles de cordeiros, que sacrificam no altar do desejo, mulheres, até entre as várias com quem andam, aparecer uma novidade, que dura até aparecer mais uma caçada, e como apesar de tudo, embora maníacos, não dão conta do recado, lá terão de desistir de alguma.

O pior é a maneira que arranjam para a descartar e pior ainda, pensarem que só eles são os inteligentes.

Mas que essa conversa poderia continuar noutra altura, que agora gostava de saber como se sentia Isabel com o seu Alfredo.
Isabel sorriu feliz, e só disse que depois de tanta parvoíce é que dava valor ao homem, que por um pouco, um tanto, ia perdendo.

E a conversa generalizou-se, que isto de mulheres quando estão sozinhas, além de falar de homens, dos “seus” homens, têm sempre tanto para dizer.


7 de maio de 2008

TERESA E MAFALDA CONVERSAM




Foram almoçar as duas ao Restaurante Monte Mar, no Guincho, as duas com problemas amorosos.
Enquanto comiam de entrada, as mais maravilhosas Amêijoas à Pescador, a Mafalda perguntou-lhe, como ia ela passando após a ruptura com o Silva

- Silva, Silva, porque é que o continuam a tratar por Silva? O homem chama-se António! Disse Teresa. Por acaso até estou muito bem.
Tu é que me pareces estar em baixo, Mafalda. Mas queria fazer-te uma pergunta. Gostavas que te avisassem se o Henrique andasse a trair-te, ou não ligavas nenhuma?

- espera lá, o Henrique nunca me poderia trair, porque por enquanto não temos nada um com o outro.

- não fujas à pergunta. Gostavas ou não? Fazias caso, ou não? Deixavas-te convencer por ele, ou não? Insistiu Teresa

- depende. Gostava que me avisassem, disso não tenho dúvidas, nas não sei como
reagiria quando o confrontasse. Há homens que podem ser muito convincentes.
- então ponho a questão de uma outra maneira. Se lesses o que uma outra mulher escreveu sobre ele, acrescentando que tudo poderia provar o que farias?

- assim é mais fácil responder. Depois do choque inicial, confrontá-lo-ia, mesmo que me deixasse convencer, mas depois iria de certeza tentar obter mais pormenores.
Faria os possíveis por conseguir mais pormenores. Sabes, no fundo nunca ficamos 100% seguras, quando nos deixamos levar.
Há sempre qualquer coisinha que nos faz desconfiar. Mas porque fazes essas perguntas todas?
- porque sei que o António, enquanto andou comigo o fez também com outra e sei quem ela é. Entrei em contacto com ela. Descobri depois de ele ter arranjado aquela história ignóbil, que afinal andou com duas e resolvi avisá-la, só para não vir a ter o mesmo final que eu tive.

- estás-me a dizer que ela não ligou nenhuma? Deixou-se levar pelo Silva, ou António como tu lhe chamas
- como eu lhe chamo não, é o nome do homem. Calcula que acreditou que eram invejas. Mas quem é que tem inveja, depois de saber que quem namorou é um filho da mãe, não me dirás?
Porque será que as mulheres só pensam mal das outras em vez de pensarem que deveriam saber com quem andam. Dava dinheiro para que me tivessem avisado que ele andava com outra. Teria acabado no mesmo instante

- nós avisámos-te Teresa, dissemos que o tipo era um porco.
- isso não quer dizer nada. Não sabes que todas pensamos que connosco não são?
- se calhar ela pensa a mesma coisa

- ela não pode pensar isso, porque lhe dei factos concretos, que poderia provar se ela quisesse saber a verdade, em como ele andou comigo e com ela ao mesmo tempo. Não estou a falar de coisas abstratas, estou a falar em concreto.
Se quisesse poderia sempre namorar com ele, desde que assumisse, que queria, nem que fosse por pouco tempo, amar e sentir-se amada. Agora invejas? Céus! continua a haver cada mulherzinha.
Agora fala-me de ti

- Há pouco para dizer. Gosto do Henrique, há anos, mas não sou capaz de dizer ao meu marido que nunca gostei dele. Não sei o que hei de fazer e se queres que te diga, honestamente tenho medo do que poderá ser a vivência com o Rodrigo.
Sabes o que gostava? Era de poder falar com a mulher dele a fundo para saber como foi a vida dos dois, gostava de saber porque deixou de gostar dela, mas como vês não o posso fazer.
Dou-te razão, deveríamos sempre saber os dois lados da história e não só o que eles contam, porque simplesmente cada um terá a sua verdade.
Nós só ouvimos a que nos interessa, e o que lhes interessa a eles, o que é pior.

30 de abril de 2008

ISABEL


Estou tão arrependida!
Gostava de voltar para casa, tenho umas saudades do Alfredo….o que gosto dele….como fui tão cega, como pude fazer o que fiz….

O que pode fazer a parvoíce e a rotina…a rotina parece que mata tanta coisa, mas do lado dele não, eu bem sabia que me continuava a querer, mas era aquele ramerrame….era a vida sossegada demais, era pensar que queria aquele amor escaldante, a paixão numa palavra, esquecendo-me que o amor vale mais e quando o Afonso se fez a mim, parecia que me tinha devolvido a vida, ou a alegria…pelo menos a excitação e a malfadada paixão.
Não é justificação, bem o sei, porque pensei que o amava e só depois ……o depois para nada serve.

Não o devia ter feito, ponto, não lhe devia ter, sequer, dado a mínima hipótese e agora estou para aqui a chorar sobre o leite derramado, sem ter coragem de falar com o Alfredo.
Só depois de perdermos, perdermos não, que o que fiz foi deitar fora…..se eu pudesse voltar a atrás, mas só tenho é que assumir que lhe provoquei uma infelicidade imensa a ele, que nunca a mereceu e agora amargo e de que maneira.

Não tenho desculpa nenhuma, mas como poderei falar com o Alfredo se ainda por cima já passaram dois anos e tal, até é capaz de já ter outra e mesmo que não tenha, como me há de perdoar ter saído porta fora sem sequer o avisar, com a Mariana….

Céus, com a Mariana! Não estava mesmo boa da cabeça, parece-me que me enfeiticei….
Já deixei o Afonso há um ano e o Alfredo bem sabe que vivo sozinha, que não tenho ninguém.

Quando olha para mim, parece-me que me quer dizer alguma coisa, mas não é a vez dele falar, mas os meus olhos ficam sempre molhados, ele a olhar para mim e eu com olhos a pedir perdão…..só que para pedir desculpa não chegam os olhos , há que falar.

Mas de cada vez que o vejo a sair a porta com a Mariana, só me apetece gritar LEVA-ME, LEVa-me também…..mas a voz não sai e fico a vê-los partir já com as lágrimas as escorrer pela cara abaixo, e juro e torno a jurar a mim própria que quando vier trazer a Mariana lhe falo, lhe falo, lhe falo e repito sem fim a ver se me entra na cabeça, na coragem…..mas a voz não sai.

Tenho medo, tanto medo, que me diga não e nem sei o que me assusta mais, se é ficar assim eternamente, ou ouvi-lo dizer - não, nem pensar.

Já pensei em o convidar para almoçar, não pode é ser à sexta-feira, que ele vai com os amigos.
Almoçar, almoçar era boa ideia, metia um dia de férias e ficávamos os dois a conversar. Desta vez falo, desta vez vou-lhe perguntar se não quer cá vir almoçar na quinta…quando ele trouxer a Mariana….

Queres almoçar comigo na quinta? Não, não pode ser assim de chofre.
Alfredo gostava de falar contigo , queres vir almoçar aqui a casa na quinta, ou na quarta, ou na segunda…..segunda é que era mesmo bom, quanto mais rápido melhor e assim podemos ficar sozinhos a conversar
- Claro Isabel, segunda está ótimo, a que horas queres que apareça? Está bem, à uma estou cá.


8 de abril de 2008

A verdade é tão simples, afinal




Em tua honra Luís Maia


Foto de Flávio Moura
cliquem para aumentar porque vale a pena

- Afinal a verdade é tão simples! disse Matilde, enquanto viam, aquele esplendoroso pôr-de-sol.
- sim disse Isabel, basta estarmos aqui sentadas para vermos como é fácil percebê-la, entendermos todos os seus aspectos, com este fim de tarde melhor que o de muitos verões, por não estar tanto calor…

- nem vento, acrescentou Mitó, espreguiçando-se enquanto se reclinava. Como gosto de estar assim e sentir-me quase gata. Felicidade é poder estar a contemplar esta maravilha, sem mais nada pensar, sem mais cuidados que não seja imbuir-me deste espectáculo.
Não sei se é a verdade de que estão a falar, mas mostra-me, pelo menos a minha verdade, ou pelo menos, a verdade do que sou

- eu fico comovida, tal como o fico quando vejo um bom espectáculo de dança, ou ouço o terceiro andamento da sétima sinfonia de Beethoven, ou ouço Bach, ou Mahler, dizia Rita
Ter agora aqui a sétima de Beethoven para ouvir, era a felicidade que completava este bocadinho.

- a verdade, dizem vocês, o que será a verdade? A verdade é a realidade? Há tantas realidades, todas tão diferentes, ou a verdade pode ser a ilusão? Perguntou Luísa, com a voz arrastada, que era parte do seu encanto
- não, Luisa, a verdade é a beleza e a realidade, ilusão és tu e eu com esta filosofia de trazer por casa, disse numa gargalhada Rita

- estavas tu tão sonhadora e já estás a estragar esta quietude, provocou-a Mitó
- já repararam em todas as tonalidades que temos estado a assistir, o azul do céu que se foi transformando em amarelos, laranjas, em rubro, que passou agora quase a acastanhado , o areal em contra luz que fica quase preto

- mas se te virares para trás continua nesta cor que nem se sabe bem se branca amarelada, ou se creme esbranquiçada, por isso ser uma ilusão, Matilde
- não, Luisa, acho que a Rita disse parte da verdade, a realidade é a beleza; a ilusão é a maneira como percebemos ou interpretamos essa beleza.
não estás cá, Isabel? continuou Matilde, ou estás a ficar nostálgica

- fiquei a pensar no que disse a Mitó…..
- ela já disse tanta coisa

- …..que lhe mostrava a sua verdade, ou a verdade de que era feita. Tens razão, sabes? Mostra de que somos feitas, e vocês fugiram a ela, porque terá sido? Porque na verdade comove tanto estar aqui a assistir a este espantoso pôr-de-sol, como perceber que nos mostra o que somos, se calhar por isso é que nos comove, por nos vermos.

- que grande elogio nos estás a fazer a todas, tu incluída, disse risonha Mitó, tentando aligeirar
- e de que te sentes feita? Perguntou Luísa

- neste momento só aparece o melhor de mim, de nós todas, os defeitos, os erros, esses não os conseguimos ver, estando perante….isto, disse abrindo os braços, como se quisesse abarcar tudo.

- mas sabemos sempre, temos essa noção, que só estamos a ver parte da nossa verdade e por isso ficarmos comovidas, por nos vermos como reflexo esplendoroso, o que é raro, acrescentou Mitó, era isso que queria dizer há pouco.

- vês porque somos nós a ilusão, Luísa?
- claro, Matilde, achas que não estava também fascinada? Sei que o que estamos a sentir é só parte de nós, que somos parte da verdade, porque a Beleza nos esconde o que de pior temos, o menos bom, vá lá, para não ser muito negativista, disse sorrindo

Ficaram em silêncio, aproveitando sentirem-se reflexo esplendoroso, indo embora só quando já não havia uma única tonalidade no céu, agora já escuro.

26 de março de 2008

Rótulos




Foto de Mike Ludlow


Dizem que sou louca, só para não dizerem pior, mas a mim que me importa!

Quero ir onde ninguém vai, quero sentir o que ninguém sente, quero aqui ficar, quero ali ir, quero poder me entregar, quero poder desejar, quero escolher.
Dizem que sou ninfomaníaca, porque não sabem o que quer dizer, só para não dizerem pior, que sei bem o que vai naquelas cabeças bem pensantes, mas a mim que me importa!
Quero estar nos braços deste, enquanto me apetecer, ir para os de outro, quando esse apelo sentir.

Quero lá saber o que dizem de mim, quero lá saber o que de mim pensam, por sempre porem rótulos, sem quererem sequer saber a razão da existência, quanto mais do que pensa esta louca, que de louca nada tem.

E é vê-las a cochichar, aos grupinhos, olhos que apontam, olhos que são flechas, fazendo de conta que são amigas, mas se puderem dão cabo de mim. Têm medo que lhes roube os maridos, as pobres coitadas que nem gosto têm.
Mas elas que tanto mal dizem, acabam por fazer pior, à socapa, corpos que se entregam noutros braços que não os dos maridos, sem coragem de o afirmar, para sentirem “poder”, com vontade de manterem o status e eu é que sou a louca, para não dizerem pior.

No meu corpo ondulante quero ser livre, não ter de justificar nem de inventar que com uma amiga estive, enquanto estava em braços que me apertavam com desejo e paixão.
Quero sentir as mãos que escolher, o meu corpo a percorrer, sem ter de pensar em horas, ou no jantar que ficou por fazer, ou de ter para a telepizza telefonar.

E rio para o ar e para o mundo, quero lá saber dos rótulos, e das parvoíces que de mim contam.
Só fico enquanto quiser e enquanto bem me sentir.
Ah! Poder partir ou ficar, poder ir ou vir, é a minha felicidade.

Que ninguém me venha dizer que sou louca, só para não dizerem pior, loucos são os que ficam querendo partir.

21 de novembro de 2007

Denuncia: Feminicídio no Congo


Feminicídio no Congo
.
Por Eve Ensler


Dramaturga, artista e ativista, Eve Ensler é a autora premiada de “Monólogos da Vagina”, peça que foi traduzida para mais de 45 línguas e está em exibição em teatros em todo o mundo.
Eve Ensler tem dedicado sua vida à luta contra violência. É fundadora de V-Day, um movimento global que apoia organizações anti-violência em todo o mundo. Chama à atenção do público para a luta contra a violência mundial contra as mulheres (incluindo violação, espancamento, incesto, mutilação genital feminina, escravidão sexual).


Volto do inferno. Procuro desesperadamente uma maneira para lhes contar o que vi e ouvi na República Democrática do Congo. Procuro uma maneira para lhes narrar as histórias e as atrocidades, e, ao mesmo tempo, evitar que fiquem abatidos, chocados ou afetados mentalmente.

Procuro uma maneira de lhes transmitir o meu testemunho sem gritar, sem me imolar ou sem procurar uma AK 47. Não sou a primeira pessoa que denuncia as violações, as mutilações e as desfigurações das mulheres do Congo. Existem relatórios a respeito deste problema desde 2000.

Não sou a primeira que conta essas histórias, mas, como escritora e militante contra a violência sexual contra as mulheres, vivo no mundo da violação. Passei dez anos a ouvir as histórias de mulheres violadas, torturadas, queimadas e mutiladas na Bósnia, Kosovo, Estados Unidos, Cidade Juárez (México), Quênia, Paquistão, Haiti, Filipinas, Iraque e Afeganistão. E, apesar de saber que é perigoso comparar atrocidades e sofrimentos, nada do que eu tinha escutado até agora foi tão horrível e aterrorizador como a destruição da espécie feminina no Congo.

A situação não é mais do que um feminicídio, e temos que a reconhecer e analisar como tal. É um estado de emergência. As mulheres são violadas e assassinadas a toda hora. Os crimes contra o corpo da mulher já são horríveis por si. No entanto, há que acrescentar o seguinte: por causa de uma superstição que diz que, se um homem viola mulheres muito jovens ou muito idosas, obtém poderes especiais, meninas de menos de doze anos de idade e mulheres de mais de oitenta anos são vítimas de violação.

Também é necessário acrescentar as violações das mulheres em frente de seus maridos e filhos. Mas a maior crueldade é a seguinte: soldados soropositivos organizam comandos nas aldeias para violar as mulheres, mutilá-las. Há relatos de centenas de casos de fístulas na vagina e no reto causadas pela introdução de paus, armas ou violações coletivas. Essas mulheres já não conseguem controlar a urina ou as fezes. Depois de serem violadas, as mulheres são também abandonadas por sua família e sua comunidade.

No entanto, o crime mais terrível é a passividade da comunidade internacional, das instituições governamentais, dos meios de comunicação... a indiferença total do mundo perante tal extermínio. Passei duas semanas em Bukavu e Goma entrevistando as sobreviventes. Algumas eram de Bunia. Efetuei pelo menos oito horas de entrevistas por dia. Almocei e fui a sessões de terapia com essas mulheres. Chorei com elas. O nível de atrocidades supera a imaginação. Não tinha visto em nenhuma parte esse tipo de violência, de tortura sexual, de crueldade e de barbárie.

No leste do Congo existe um clima de violência. Nesta zona as violações tornaram-se, tal como me disse uma sobrevivente, um “desporto nacional”. As mulheres são menos do que cidadãs de segunda classe. Os animais são mais bem tratados. Parece que todas as tropas estão implicadas nas violações: as FDLR, as Interahamwe, o exército congolês e até as Forças de Paz da ONU. A falta de prevenção, de proteção e a ausência de sanções são alarmantes.

Passei uma semana no Hospital de Panzi, vivendo em uma aldeia de mulheres violadas e torturadas. Era como uma cena de um filme de terror futurista. Ouvi histórias de mulheres que viram os seus filhos serem brutal e cinicamente assassinados. Mulheres que foram forçadas, sob a ameaça de armas, a ingerir excrementos, a beber urina ou a comer bebês mortos. Mulheres que foram testemunhas da mutilação genital dos seus maridos ou, durante semanas, violadas por grupos de homens. Essas mulheres faziam fila para me contar as suas histórias. Os traumas eram enormes e o sofrimento extremamente profundo.

Sentei-me com mulheres que tinham sido cruelmente abandonadas por suas famílias. Eu quero lhes falar da Noella. Mudei-lhe o nome para a proteger porque ela só tem nove anos de idade. Noella vive dentro de mim agora, persegue-me, leva-me a agir, a lembrar. Ela é magra, muito inteligente e viva. O dano está no seu corpo ligeiramente torto, envergonhado, preocupado. Ela sente a ansiedade nos seus pequenos dedos. Começa a contar a sua história como se ainda vivesse. Para ela o tempo parou.

“Uma noite as Interahamwe vieram à nossa casa. Eles não deixaram nada. Pilharam nossa casa. Levaram a minha mãe para um lado, o meu pai para outro e a mim para outro. Levaram-me para o mato. Um deles pôs qualquer coisa dentro de mim. Não sei o que foi. Um disse para o outro, não faça isso, não faça mal a uma criança. O outro me bateu. Eu fiquei sangrando. Ele me bateu mais e eu caí. Depois me abandonou. Passei duas semanas com os soldados. Eles me violaram constantemente. Às vezes usavam paus. Um dia me deixaram no mato. Tentei caminhar até a casa do meu tio. Consegui, mas estava demasiado fraca. Tinha febre. Estava muito mal. Cheguei até a casa. O meu pai tinha sido morto. A minha mãe voltou, mas em muito mau estado. Comecei a perder a urina e as fezes sem controle. Depois minha mãe percebeu que eles tinham me violado e destruído. Eles registraram o que tinha me acontecido e me trouxeram para cá. Estou contente por estar aqui. Já não perco a urina e ninguém ri de mim. Os rapazes riem de mim. Já não tenho vergonha. Deus julgará aqueles homens, porque eles não sabem o que fazem. Quero me restabelecer. Também penso em como eles mataram o meu pai. Sempre que penso no meu pai as lágrimas caem pelo rosto.”

O Dr. Mukwege, que, tanto quanto posso dizer, é um tipo de médico “santo” no hospital, disse-me que a uretra da Noella está destruída. Sendo tão jovem, ela não tem tecido suficiente para operar. Terá de esperar oito anos. Oito anos de vergonha e humilhação. Oito anos em que será forçada a recordar todos os dias o que aqueles homens lhe fizeram na floresta, antes dela ter idade suficiente para saber o que era um pênis. Ela é incontinente. O médico me disse: “O que acontece a essas jovens é terrível. Elas têm muito medo de serem tocadas por homens. Às vezes leva semanas até eu conseguir tratá-las. Dou-lhes bombons e trago-lhes bonecas.”

As mulheres sofrem imensamente. Estão debilitadas pelas violações, as torturas e a brutalidade. Não têm praticamente apoio nenhum. Depois de viver essas atrocidades, são incapazes de trabalhar nos campos ou de transportar coisas pesadas, por isso deixam de ter renda. Vi chegar pelo menos doze mulheres por dia a essa aldeia. Chegavam mancando e apoiadas em bengalas feitas à mão. Várias mulheres contaram-me que “as florestas cheiravam à morte”, e que “não se podia dar nem cinco passos sem tropeçar com um corpo”.

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http://www.viapolitica.com.br/fronteira_view.php?id_fronteira=117

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