Normalmente o que fazem é cozer o pato, eu estufo-o, o que faz uma diferença enorme em sabor e cor.
Um dia destes dou a receita.
Mas se estivesse vivo, punha-o lá, a ver se me cortava a relva que amanhã é dia de o fazer e não me apetece, porque são duas horas de trabalho puxado.
Mas também gosto de patos para ornamentar tanto em prata como em louça.
Por isso vês que é difícil responder-te concisamente.
Pois olha Minucha devo dizer-te que arroz de pato, é um dos meus pratos favoritos. Antes de comprar tudo feito, eu tinha péssimo hábito de ter que trabalhar e como acontece nas grandes cidades, ninguém vai almoçar a casa, ao contrário do que acontece em Portimão.
E num dos restaurantes onde ia , era conhecido pelo senhor do arroz de pato, porque o comia muitas vezes.
Entretanto confundiste-me com essa de teres que cortar a relva do jardim.
Pergunto-me admiradíssimo se essa não é exactamente uma das tarefas associadas ao "pato-marido".
Pergunto se não for para terem um jardineiro, um electricista, o homem do lixo, o passeador do cão, o canalizador e etc. Para que é que as mulheres se casam ?
Olha lindo, se comes arroz de pato em restaurantes e se gostas, passavas-te com o meu.
Digo-te mais
Os meus ex cunhados ainda hoje se lembram do meu arroz de pato, e já lá vão mais de trinta anos desde a última vez que o comeram.
Lá em casa quem corta a relva sou eu, ele faz outras coisas mais pesadas.
Viemos para o campo com a condição imposta por mim, já estou arrependida um milhão de vezes, não de ter vindo, mas de ter imposto esta condição, para sermos nós a "curtir" o trabalho.
A curtição passou logo, podes crer, desde o dia, dias, em que plantei sozinha 1200m2 de relva, nem te conto.
Estava eu, a brincar a brincar, a tentar levar-te para o campo das relações de poder eternas, essa coisa que afinal é o equilibrio de toda a nossa vida, as relações marido/mulher, mas hoje não está para as minhas provocações.
Claro que é tudo maravilhoso quando se repartem as tarefas o que nem sempre acontece, sobretudo nas gerações mais antigas.
Realmente esse lado poético, do curtir o campo, deve ter tido o seu momento maravilhoso.
Faz-me lembrar aquela do alentejano que disse ao lisboeta que as batatas fazem mal aos rins e perante a dúvida do citadino, ele perguntou-lhe "então amigo já experimentou plantá-las ? "
Olha lá por é que não mudam de vida, agora já mais velhotes ?
Mas eu respondo à tua provocação. Já me puseste de bom humor.
Mas respondo em nome pessoal, não vou generalizar.
Não preciso de um homem para nada disso, porque sei fazer e faço todas essas coisas. Sempre fui polivalente.
Preciso do "meu" ao pé de mim, pela simples razão de que gosto dele, muito, mais do que quando comecei a viver com ele.
Preciso dele pala cumplicidade, preciso dele, pelas gargalhadas que damos juntos, pelas discussões que temos que me dão um prazer enorme, mesmo zangados, preciso dele porque não quero viver sem ele, apesar de não ter medo nenhum da solidão, mas não quereria viver sem o amor dele.
Não mudamos de vida, porque só de pensar que teríamos de viver para um andar nos dava uma coisa má, porque adoramos estar aqui, porque fizemos esta opção só há nove anos.
D' aqui só saio para um lar, ou para a cova, mas para mais lado nenhum.
Bem eu quando disse mudar de vida, não era de local, era só de estilo de vida, digamos, aliviar essas tarefas mais pesadas, pagando a alguém que as fizesse.
Realmente deve ser horrível a pessoa habituar-se a viver com espaço e depois ter que voltar a um andar.
Se não te importares quando chegar ao meu poiso, vou mudar a música do blogue,lembrei-me duma coisa e tu vais lembrar-te também, quando ouvires, que eu dedico a ti e ao teu, como tu dizes.
Bom parece que estamos no fim do almoço.
Mais um vez te digo que foi um encanto estar contigo, vais pagar a continha do almoço, que eu cá sou pelas igualdades. Para a próxima trazemos alguém o que é que achas ?
Agora vais ter que me dar boleia e “TANGA NIZI” como costuma dizer um amigo meu
Sabes dá trabalho, mas no fundo qualquer um de nós gosta de o fazer, porque o gozo é ainda o sermos capaz de fazer. É como fazer ginástica que detesto, mas depois sinto-me lindamente,è igual.
E se convidássemos o Funes? achas que ele aceitaria?
Pago o almocinho com imenso gosto e dou-te boleia também com prazer, vamos conversar em off.
Mas lá essa outra expressão é a primeira vez que a ouço, mas gosto do som.
Fico à espera da surpresa.
É com dizem os tipos que falam inglês da doca querendo dizer TAKE HER EASY (Vá com calma).
Convidar o Funes era de facto uma magnifica ideia.



