Querendo ver outros blogs meus consultar a Teia dos meus blogs

29 de fevereiro de 2008

José Gomes Ferreira


O poeta militante como gostava de se considerar, foi sempre isso mesmo para mim. Penso que li toda a sua obra em prosa e menos da poética. Aliás sou um mau leitor de poesia e não sei entender muito bem porquê.

É uma contradição, provavelmente porque seja contra um certo formalismo que existe na poesia e de que não me consigo libertar, talvez porque ela em muito casos, também se não liberte.

Digo que é uma contradição, porque se existem autores cuja prosa, são nacos de poesia,ele foi José Gomes Ferreira e foi sempre o que me prendeu e apaixonou na sua obra.

Este é um dos homens que não posso deixar de referir nesta evocação que alinhei fazer com a Maria Faia (e com quem mais estiver interessado nisso, obviamente) ao recordar pessoas que marcaram a nossa geração.

Este homem nascido no Porto que nasceu no Porto em 1900, merece nas palavras de Sara Rodrigues o seguinte comentário :

José Gomes Ferreira imortalizou-se no campo da Literatura Portuguesa nas áreas da Poesia e da Prosa. Pertenceu à geração do Novo Cancioneiro, com evidentes influências surrealistas, simbolistas, e sobretudo neo-realistas.

A sua voz de protesto contra o mundo desconcertante, opressor, e simultaneamente monótono, do seu tempo, fez dele um "poeta militante" intemporal, trilhando caminhos já muitas vezes trilhados, mas nunca exactamente os mesmos.


A sua mensagem, sempre actual, é a vivência real de um homem e autor com os cinco sentidos despertos para tudo o que o rodeia, colocando o seu individualismo ao serviço da urgência do social. A sua vasta obra reflecte este seu desejo de mudar esse Mundo, o que acredita fazer com o poder da palavra.


Pequeno e breve comentário, com o qual concordo em absoluto, sendo certo que o serviço da urgência social, justifica a necessidade de o recolocar na minha mesa de cabeceira.

Destaco na sua obra
  • O Mundos dos outros
  • A memória das palavras-o gosto de falar de mim
  • A imitação dos dias.

23 de fevereiro de 2008

Zeca Afonso

Mais uma ano de saudade o 21º, passou pela morte do Zeca.

No aniversário das tua morte, não faltarão homenagens, algumas vindas de muitos daqueles que te consideravam um "comuna mercenário".

Hoje toda a gente te "teve" na juventude, Fazes parte da" boa memória" de toda a gente, Calculo que, até alguns que hoje "comem tudo e não deixam nada", se achem no direito de te recordar.

Os falsos socialista no poder e muitos daqueles que os aplaudem, se devem rever, mascarando as tuas Utopias, nas suas "realidades concretas da Nação", esquecendo-se que a realidade concreta deveria assentar no ataque firme e decidido, á fome, à miséria, á doença, á falta de condições de que padece o nosso pobre povo que, como foi "decretado" ser o mais pobre da UE a 25.

Que vergonha senhores falsos socialistas que nos governam, o que acham que o Zeca cantaria hoje, se fosse vivo ?

Tenha a certeza que o tema central seria o da vossa traição ao Povo.

Em vez desse ataque, chachadas de comboios ultra rápidos, aeroportos e as suas polémicas de milhões,estádios de futebol, e escumalha, muita escumalha no poder para se banquetearem com tudo isso.

Sendo essa a vossa causa, aos menos reneguem-no, olhem pró lado e assobiem para cima, o Zeca não é vosso.


Hoje prefiro não te ouvir Zeca, é que não me apetece chorar.

(Esta evocação enquadra-se perfeitamente na tarefa que com a Maria Faia, estamos tentado levar em frente, referindo pessoas que da nossa geração (minha e dela),ou anterior , que de certo modo duma maneira ou outra nos influenciaram na nossa educação e na que transmitimos aos nossos filhos.)


21 de fevereiro de 2008

Simone de Beauvoir



Simone de Beauvoir aos 50 anos
fotografia tirada do site Simone de Beauvoir



Simone de Beauvoir nasce em Paris a 9 de Janeiro de 1908 e morre a 14 de Abril de 1986.

É filha de um advogado e no seio de uma Burguesia média-alta.
É escritora, Filósofa Existencialista e Feminista.
Foi considerada “a mãe espiritual” da segunda vaga Feminista

Escreveu romances, ensaios, monografias sobre filosofia, política , sociedade, escrevendo, também, bibliografia entre as quais a sua própria.
Corta em definitivo com as suas origens Burguesas e vai viver sozinha.

Conhece Jean-Paul Sartre, filósofo existencialista, em 1929.
Entra no círculo dos seus amigos, e desenvolve com ele uma relação impar para o seu tempo e ainda nos dias de hoje
Tem uma relação amorosa com Sartre que durou até à morte dele, mas sempre vivendo cada um na sua casa.
É uma relação aberta, ou seja, qualquer deles tem relações com terceiros.
Conseguem compatibilizar a sua relação conjunta com as suas liberdades individuais.

Edita o seu primeiro livro
- A Convidada, em 1943, cuja heroína, Françoise, é quase um alter-ego dela.
Em 1944 escreve O Sangue dos Outros. Nestes dois livros expõe a sua concepção da Liberdade de acção e a responsabilidade Individual
Volta a este assunto em 1954, com a Os Mandarins e é-lhe atribuído o Premio Goncourt

Em 1949 escreve O Segundo Sexo I e O Segundo Sexo II, um ensaio.
Mais tarde falarei destes dois livros, por serem tão polémicos ainda hoje em dia. Na altura foram uma revolução.

Escreve uma autobiografia em trilogia:
- Memórias de uma Rapariga Bem Comportada em 1958
- A Força das Coisas em 1963
- Tudo Dito e Feito em 1972

Em 1970 escreve A Velhice, onde, vejam lá, já faz críticas à maneira como a sociedade trata os idosos.

Em 1981 escreve A Cerimónia do Adeus, onde relata os últimos dez anos de vida de Jean-Paul Sartre, que era seu companheiro há mais de cinquenta anos. Uma espécie de diário da longa morte de Sartre

Estes são só alguns dos livros de Simone de Beauvoir, não sei se os mais importantes, mas aqueles que por terem sido mais referenciados, li.



19 de fevereiro de 2008

Boris Vian


De vez em quando lembro-me de Vian, de quem ouvi falar há muitos anos.

Hoje em pesquisas que fiz na internet e a propósito de Serge Reggiani que também cantou Boris Vian, lembrei-me de novo dele do quem era e da sua lenda, que chegou ao Maio de 1968, ele que afinal tinha morrido uns anos antes.

Engenheiro de profissão, mas não militante do trabalho específico, transferiu-se para profissão mais consentânea com o seu modo de ser boémio. tocador de trompete e músico de jazz, mas acima de tudo poeta, surrealista.

Foi "matador" do Colégio dos Patafísicos,a ciência que estuda as soluções imaginárias, que a física e a metafísica as ciências desprezam.

É a antítese da regra é a constituição de um universo complementar constituído por excepções.

Nada afinal assim tão despropositado, para que um português contemporâneo não possa afinal perceber, todo o surrealismo que nos rodeio, neste País de abastança para alguns e de miséria quase indigente para a maioria, com projectos de novo rico e fome na casa de muitos.

Proponho Sócrates para Sátapra dos Patafísicos portugueses.

Tudo foi dito cem vezes

E muito melhor que por mim

Portanto quando escrevo versos
É porque isso me diverte
É porque isso me diverte
É porque isso me diverte
e cago-vos na tromba


(Boris Vian)

Serge Reggiani canta Boris Vian o tema chama-se "Le deserteur", escrito no contexto da guerra de Argélia e que também José Mario Branco cantou na versão portuguesa e num contexto também ele Patafísico e que nós bem conhecemos


16 de fevereiro de 2008

Timor



Como já se notou não percebo nada de política, mas tenho as minhas ideias, e hoje vou-me pôr para aqui a raciocinar alto, o que aliás, me é completamente fundamental.

Não sei se já alguma vez viram, salvo os advogados, que penso também hão-de andar de um lado para o outro a pensar e a discursar, uma pessoa a pensar alto, no fundo a verbalizar o pensamento.

A mim é-me necessário e muitas vezes dou pelos erros, outras é o Funes que me vem ajudar, quando lê e para aí está virado.

Pugnei pela Independência de Timor, apesar de sempre ter pensado que muito possivelmente ficaria a ser um protectorado da Austrália.
Quando vi Xanana Gusmão, depois de ter sido Presidente de Timor, passar a candidato a 1º Ministro, cheirou-me a esturro.
Pensei que haveria alguma história por trás, sem perceber muito bem qual seria e sem me importar muito em me documentar sobre o assunto.
Continuo sem me documentar, por isso é que estou a pensar alto.

Que diabo, ninguém achou estranho que o Major Reinado tivesse sido morto uma hora antes dos atentados?

Que dizer das Forças das Nações Unidas, terem deixado entrar na cidade um pequeno grupo de revoltosos para atacarem o Presidente da República e o Primeiro-ministro?

Que dizer das forças Australianas não terem ido socorrer Ramos Horta?
Foi preciso ser a GNR (da qual fiquei verdadeiramente orgulhosa) socorrer Ramos Horta meia-hora depois de ter sido baleado?
Mas que estavam os australianos à espera? Que ele morresse?

Porque foi a só GNR, mais uma vez, à casa cercada de Xanana Gusmão, para de lá tirar a sua mulher e filhos?

Mas a quem interessa tudo isto?

Li agora uma notícia da RTP:

"……O relatório preliminar pede à PGR a emissão de quatro mandatos de captura que permitirão dar início a uma operação que deverá ser desencadeada pelas forças de segurança, incluindo a Polícia das Nações Unidas e a Polícia Nacional e que levará à prisão dos suspeitos…."

Mas estarão as Nações Unidas a brincar connosco e com os Timorenses?

UMA OPERAÇÃO QUE DEVERÁ SER DESENCADEADA PELAS FORÇAS DE SEGURANÇA, INCLUINDO A POLÍCIA DAS NAÇÕES UNIDAS E A POLÍCIA NACIONAL E QUE LEVARÁ À PRISÃO DOS SUSPEITOS

Mas estão todos doidos?
A polícia das Nações Unidas, a mesma polícia que não socorreu Ramos Horta e nem tentou salvar a mulher e os filhos de Xanana Gusmão, é que vai desencadear a operação para levar à prisão os suspeitos?

Mas o que é que se passa na cabeça daquela gente?
Mas não verão que não têm nenhuma moral, nem honestidade para fazerem o que quer que seja?

Mas não perceberão que são eles próprios os primeiros suspeitos?

São perguntas a mais sem nenhuma resposta.
São por enquanto os meus pensamentos, que se estão a inclinar forte e perigosamente para a culpabilidade da Austrália.

12 de fevereiro de 2008

DO PÃO E DO SOFRIMENTO


Q
uando os falcões roubaram o território aos patos e os obrigaram a viver numa pequena reserva sem as mínimas condições para uma vida decente, um vasto lamaçal enxameado de sujas clareiras e charcos mal cheirosos que, à primeira vista, mais não tinham para oferecer além do desconforto e as privações de um local onde nem os pauzinhos para os ninhos escapavam ao apodrecimento, quando as primeiras colunas daqueles patos desgraçados, arrebanhados à força, tiveram oportunidade de travarem impressões com aquele cativeiro de amargura e infortúnio, logo houve quem grasnasse que dali ninguém haveria de sair com vida.
Graças a Deus que tudo isso se passou há muito e, hoje em dia, só os mais velhos mesmo muito velhos é que ainda guardam na memória as histórias que lhes contaram aqueles que viveram o profundo desespero daqueles momentos.
Na verdade, quando os anciãos que encabeçavam os agrupamentos deram entrada nos domínios que os falcões lhes impunham como nova morada, a sensação que mais abundava naquelas almas era de uma estranheza que sustia as lágrimas mas, simultaneamente, também ofuscava a capacidade de discernimento relativamente a quaisqueres possibilidades de sobrevivência.
Como o poeta Gabriel haveria de cantar mais tarde, aquilo foi uma autêntica marcha da apatia.
Assim, não será de espantar que as primeiras vozes que se fizeram ouvir foram muito naturalmente as da fatalidade e da resignação. Patos e patas desfaleceram perante a incerteza quanto ao que fazer e logo entre eles correu o rumor de estarem a sofrer aquilo que consideravam um castigo divino.
Daí ao pranto miudinho e mudo de quem espera o vazio foi um movimento tão pequenino como lógico.
O velho Cassiel, o maior mergulhador de outras juventudes, chegou a grasnar que as nuvens deixariam de ter a companhia das asas dos patos.
Mas, nisto de multidões, há sempre quem pense de modo diferente e nunca desista de procurar o remédio para aquilo que está mal.
Foi o caso de Rafael, um pato de meia-idade que se juntou a uma série de outros indomados; por seu impulso, conjuntamente deram corpo à cata de uma solução.
O prodígio foi que depois de muito matutarem e palmilharem, lá houve alguém que soube descobrir o encanto de um trecho de salgueiros e arbustos numa ilhota orlada de juncos e dessa esperança se fez a discussão que iluminou os espíritos que acabaram por desencadear todo o rebuliço das mãos à obra para uma terra melhor.
Antes de mais, havia que formar um governo justo e capaz de trabalhar em prol de políticas benéficas para as diversas maiorias e minorias e, acima de tudo, era necessário dar trabalho às famílias para que todos pudessem ter pão e agasalho. Depois se esperaria que o labor de muitos conseguisse aumentar a riqueza que, a partir daí, a tempestade teria passado e, no horizonte, se fixaria a confiança de quem sabe o lugar que vai alcançar.
Foram anos de árdua lufa-lufa geral e dos pântanos se fizeram rias, aqui e ali com boas reservas de alimento, das ilhotas e das clareiras se fizeram sítios de aprazível hospitalidade e, com base num comércio sabiamente concretizado, conseguiram construir um país que rapidamente se passou a orgulhar de vender os seus encantos ao turismo sazonal de outras aves.
É claro que Rafael que, actualmente, Deus há muito já guarda em sua companhia, foi o primeiro Presidente daquela pátria arrancada à desgraça e às muitas lágrimas e suor do sofrimento e o povo, reconhecendo-lhe méritos e sabedoria, elegeu-o ainda mais duas vezes para aquele mais alto cargo.
E ainda hoje ele é recordado pela energia que das suas palavras saía e as forças que o seu exemplo incentivava.
A diferença está em que os patinhos que, nos dias que correm, nos bancos de escola, lhe estudam a vida e a obra, fazem-no com a barriguinha farta e com límpidos laguinhos para que depois se possam deixar sonhar com as suas brincadeiras.

10 de fevereiro de 2008

An Affair to Remember


Hoje num filme que vi na TV, alguém disse sobre o filme An Affair to Remember (O grande amor da minha vida), que era um filme para miúdas.

Tenho esse filme de 1958 bem presente como uma daqueles que eu considero um dos filmes da minha vida.

Recordo-o perfeitamente, interpretado por uma das minhas actrizes favoritas Deborah Kerr , falecida salvo erro o ano passado.

Recordo esse filme que vi na minha adolescência e que me marcou profundamente, de tal modo que dei por mim durante muito anos a pensar que o amor deveria ser assim, profundo, quiça definitivo, e desinteressado.

Sem por em causa, ainda hoje nenhuma destas particularidades a vida ensinou-me ao longo dos anos por experiências, nalguns casos vividas, noutros como mera testemunha, que deve também acrescentar-se uma outra condição, fundamental para que seja duradouro, a dessimulação de se ser absolutamente dependente de alguém por amor.

Parece um paradoxo, quase como se eu estivesse a dizer, que só se deve amar alguém a conta gotas e em dose moderada. Não, deve amar-se intensa e profundamente, é bom que assim seja, mas deverá sempre guardar-se uma parte dele,só para nós, como se fosse um acto íntimo.

É que já ninguém gosta de ser adorado, talvez só no tempo da Deborah Kerr .

Eis a cena final


6 de fevereiro de 2008

Eleições Americanas II



No começo estive sempre por Hillary Clinton.

Por ser Mulher, evidentemente,
por ser Democrata, mais evidente ainda,
por ser competente, evidência ainda maior.

Mas entretanto apareceu Barak Obama, negro, o que apesar de tudo pesava bastante, mas não o suficiente para me passar pela ideia mudar.

Mas ouvi, no youtube, o seu discurso de vitória no Iowa, uma maravilha, dei uma volta de 180º.
Passei-me em definitivo para Barak Obama.
Quando o acabei de ouvir, o que pensei de imediato foi:

Ganha, se não o matarem primeiro.

Todos falam em Martin Luther King, é evidente que lembra, que vai buscar os ritmos e algumas palavras-chave.
Mas quem ele faz lembrar, de onde são as ideias, tudo o que ele propõe, é Robert Kennedy.
Mataram Bob Kennedy, exactamente pelas ideias e pelas políticas propostas.

O que não desculpo a Hillary Clinton, são as lágrimas frente às câmaras, mesmo se reais fossem.
O que não desculpo a Hillary Clinton, é fazer chantagem, tentando mostrar uma fragilidade de mulherzinha, quando o não é. Se o fosse, jamais me teria tido do seu lado.

Entretanto Bush põe, mais uma vez, a sua máquina a trabalhar, e vem falar do perigo dos terroristas, porque o que não há dúvida é que mais do que se saber quem foram os terroristas é fazer com que todo o povo americano, e europeu, ande cheio de medo dos terroristas.

A Carlyle, uma das grandes empresas americanas, cujos donos são a família Bush , a família de Bin Laden e os príncipes Sauditas, tem ganho fortunas e quando digo fortunas estou a falar de num só dia terem ganho doze mil milhões de dólares, com as guerras tanto do Afeganistão, já praticamente perdida, como com a guerra do Iraque e não quererem que acabem.

Barak Obama ganhou em South Caroline, o que apesar das campanhas a favor de Hllary, não é de estranhar.

Espero que 40 anos depois de Bob Kennedy se consigam implementar as suas ideias através de Barak Obama.

Espero que a América tenha o bom senso de votar na mudança, na lufada de ar fresco que Barak Obama simboliza.

É bom que tenhamos a ideia que pior que Bush, nunca haverá nem para a América, nem para o Mundo.

Miguel Sousa Tavares dizia, com graça, que deveríamos todos votar nas eleições americanas; estou de acordo com ele, apesar de pensar que se não for Barak a ganhar, a América e o seu poderio acabarão mais depressa do que se está a prever e já não serão suficientemente importantes, para querermos votar nas suas eleições

Voto em Barak Obama, com toda a convicção.

3 de fevereiro de 2008

Eleições Americanas I

Ando há muito tempo para falar das eleições americanas.

Mas antes disso, para fundamentar as minhas posteriores afirmações, gostava de recordar o atentado de 11 de Setembro de 2001.

Recordar o que vi, recordar o que pensei e afirmei várias vezes, recordar o que reformulei depois de ter visto o documentário do Michael Moore Fahrenheit 9/11.
Recordar que vi, quantos de nós não teremos visto, em directo o embate do segundo avião já não sei em qual das Torres Gémeas, o que para o caso é indiferente.

Lembro-me que pensei e disse para o meu marido, com ar de espanto: o avião não explode!
Ainda discutimos por ele achar normal, argumentando eu que o depósito estava cheio, que o avião deveria explodir, que não se percebia como tinha feito tão poucos estragos.

Longe, estava tão longe da hipótese levantada por Michael Moore.

Recordo o espanto por ter sido, a segunda Torre a ser atingida, a que tinha menos estragos, a primeira a ruir. Recordo o choque de não se verem bocados grandes de escombros, a saltar, de só se ver pó e papeis pelos ares e os escombros aos bocadinhos.
Eu só perguntava como se tinha desintegrado, e recordo bem ter usado a palavra desintegrado.

Recordo Bush sem ser capaz de dizer coisa com coisa, fazendo figura de ainda mais parvo, do que já era.
Enfim. Depois vieram as explicações políticas.

Contra tudo e contra todos, quase queimada em fogueira, mesmo pelos amigos, disse sempre que a América com a política externa que mantinha, só tinha feito inimigos.
Que fazer inimigos, tem um preço alto que mais cedo ou mais tarde é cobrado.
Estive tão à beira da fogueira que deixei de dar a minha opinião, mas só de a dar, porque sempre a mantive.

Antes de ver o tal documentário do Michael Moore, soube do escândalo que tinha feito na USA; de que tinha sido proibido em vários Estados Americanos…mas ninguém o desmentia.

Aí, insinuou-se a dúvida. Se, pelo que se ouvia dizer, era tão fácil desmentir os factos por ele narrados e mostrados, porque não havia ninguém na USA que o fizesse, quando Michael Moore atacava as mais altas esferas americanas?

Depois vi o documentário Fahrenheit 9/11, que tem um ritmo impressionante, que dá informação baseada em investigação séria, mas tanta e tão compacta informação, que mal saiu em DVD o comprei.
Acho que o vi na mesma noite três vezes seguidas. Que andei para trás e para a frente tantas vezes que ainda eram seis da manhã, olhos inflamados, quando me fui deitar.

Aquilo era sério, muito sério.
E reformulei.

O atentado foi feito com conhecimento das mais altas esferas americanas.
Elas, as mais altas esferas, estiveram envolvidas no atentado.

A guerra do Iraque, uma farsa. Sempre estive contra ela e fazia-me impressão porque havia tantas pessoas que não conseguiam ver o que eu via. Não quereriam ver?
Agradeci na altura, e ainda hoje o faço, a Jorge Sampaio, por não ter deixado que fossem tropas nossas para o Iraque, tal como Durão Barroso queria, que se teve de contentar em mandar a polícia.

Não está feita ainda a história do mandato de Jorge Sampaio, mas penso há muito tempo, que foi o melhor Presidente, o melhor político que Portugal teve, de há muitos, mas mesmo muitos anos para cá.

30 de janeiro de 2008

Assassinado pelo bloco central


Decorre no sábado o centenário do regicído de D.Carlos I e de seu filho mais velho e herdeiro do trono, o meu homónimo Luís Filipe.

Não é o sítio nem o local para descrever todos os factos quer da ocorrência, quer das causas que motivaram, esse facto que se adivinhava na altura e tinham alguns como inevitável.

Fala-se hoje se a eventualidade da abdicação no seu filho poderia eventualmente evitar esse derramamento do sangue, eu direi peremptoriamente que não.

A crise era já longa, profunda e decorrente do evoluir das novas ideias, que emanavam do liberalismo, já então na sua evolução republicana e igualmente radicalizada pelas teorias anarquistas.

As culpas próprias inerentes ao seu diletantismo, no agravar dessa crise foram inquestionáveis, culminando no seu apoio directo a ditadura de João Franco, tida como a causa próxima do desenlace fatal.

Importa também referir o quanto D.Carlos foi igualmente vítima de ser rei dos portugueses. Primeiramente da estultícia imbecilóide de alguns políticos portugueses, País onde a maioria do povo passava fome, que não se desenvolvia, se cravava de dívidas, que não tinha indústria, pretender ser dona de meia África, só porque se mandava um punhado de exploradores valentes atravessá-la de costa a costa.

A isso se achavam com direito, políticos de um País que não tinha dinheiro sequer para criar uma carreira regular marítima para a Guiné.

Era este país de se achava no direito de afrontar a poderosa Inglaterra no apogeu do seu imperialismo encabeçado por Cecíl Rhodes.

Foi esta gente, essa corja de políticos que o rodeavam, que perante o definitivo e impaciente Ultimatum de 1890, proposto por uma Inglaterra fartíssima de os aturar, que sempre se refugiou atrás dum pseudo patriotismo, deixando ao rei o libelo acusatório de traição à Pátria e de colaboracionismo com os ingleses, quando toda a gente sabia que não havia outro caminho a seguir senão ceder.

Se por natureza D.Carlos nunca foi um rei popular, eventualmente por timidez, pois na intimidade parece que era muito simpático, esse acontecimento em definitivo arrasou a sua popularidade e viria a feri-lo de morte.

A queda da monarquia era inevitável, mas afirmo convictamente que mais do que os tiros da pistola carbonária que o matou foi a habitual mentalidade dos políticos portugueses, que preferem os seus próprios interesses partidários aos do País, que "preparam" a morte do rei.

Nesse tempo o conluio político-partidário chamava-se rotativismo, pois também já havia bloco central esses sim os verdadeiros regicidas qua armaram a mão de Buiça.

26 de janeiro de 2008

As Teias e as Aranhas



Claro que cada um tem a sua maneira de ver e sentir o amor.
Alguns sentem a sua força, comparável a uma teia de aranha.
A imagem pode não ser bonita assim escrita, mas se pensarmos numa teia cheia de gotículas



de orvalho, como a da imagem em cima, percebemos a beleza que pode ser, tal como o Amor.

As aranhas são exímias tecedeiras, tal como o Amor tece os seus desígnios.

Os fios das aranhas são cinco vezes mais fortes que o aço, tal como os laços do Amor

A teia pode esticar mais de quatro vezes o seu tamanho, o Amor cresce muito mais do que isso.

Se o fio da aranha tivesse a grossura de um lápis, podia parar um Boeing 747 em pleno vôo, tal como o Amor pode parar investidas de outros, interessados em o destruir.

Pescadores da Polinésia usam fio de aranha como linha de pesca, assim como o Amor pode “pescar” quem quiser.



As aranhas produzem fios em quantidade e espessura adequadas para construírem as suas teias, assim como nós deveríamos produzir cumplicidades para construir o nosso Amor.

Algumas aranhas, constroem no centro da teia outra pequena espiral, ou uma rede de malhas, que funciona como "refúgio", assim como nós deveríamos construir “refúgios” para o nosso Amor.

As aranhas reparam constantemente as suas teias, tal como nós deveríamos ter o cuidado de o tratar.


Há aranhas cujos fios são tão finos, que não são vistos por olhos humanos, a não ser orvalhados, assim deveria ser o nosso Amor orvalhado por mel.

O Amor constrói-se pela vida fora, hora a hora e dia a dia.

23 de janeiro de 2008

Que amor não me engane

O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...

O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:

- Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.
-
-
Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
-
"Para fazer amor, para mim, é sempre necessário amor e paixão, e por isso mesmo é fazer sexo, duro e puro, selvagem de preferência." - escreve a Maria Faia dois posts abaixo.
Para comentar esta afirmação, escolho começar com dois poemas de Camões: um, o primeiro, que eu não hesito nunca em colocar na lista dos dez mais belos poemas da língua portuguesa; outro - "Amor é fogo que arde" - que não hesito nunca em colocar na lista dos dez mais infelizes poemas da literatura universal.
Um verbo os separa e qualifica: o verbo ser.
Em "O céu, a terra, o vento sossegado" o verbo ser aparece uma vez, uma única vez, na forma negativa e para declarar que o nome amado não pode ser mais do que nomeado, que nomear o nome do Amor é deitar ao vento a voz que o vento há-de levar.
Inversamente, o segundo e infeliz soneto está saturado do verbo ser, saturação que o oxímoro que sempre se lhe segue não logra atenuar.
Um verbo, qualquer verbo, é sempre uma entidade demasiado concreta para poder ser usada ao falar do amor (por isso, o verbo é sistematicamente omitido no primeiro soneto; também por isso, ele é tão belo). O verbo ser é o mais concreto de todos os verbos e, por consequência, o pior para alcançar esse êxtase diáfano, transcendente, indefível que ocorre quando digo "AMO".
E talvez esteja aí, no "AMO", a linha ténue da fronteira entre o amor, a paixão, o sexo e o fazer amor, fazendo sexo.
"AMO" - grita desesperado ao vento o pescador Aónio, nomeando o nome amado que, à morte sujeito, não pode ser mais do que nomeado. "AMO" - chora o pescador Aónio, sabendo que o seu verbo nunca se fará sexo, nunca devirá fúria orgásmica, nunca chegará a ser "AMO-TE".
Mas, quando alguém fala de AMOR, nunca sabe do que fala.

22 de janeiro de 2008

Quando for grande quero ser como o Robin


A atracção pelo meu baú de recordações, não para de apelar à minha atenção.
Nem me apetece negar que isso seja um sinal de velhice, admito perfeitamente que sim.
Também não acho que esse sintoma seja um sinal de saudosismo que penso, ser maleita que não me aflige.

Confesso que gosto de rever algumas imagens, porque também acho que vistas com olhos de ver, que neste caso só eu sei descortinar, podem também ser reveladora de certa maneira do que são os traços do nosso carácter.

Tudo isto para explicar, como se vê, que estou mascarado de Robin dos Bosques.

Lembro-me ainda hoje perfeitamente, que era um fã dessa história passada nos bosques de Sherwood, no tempo do usurpador João, que se havia apoderado do trono de Ricardo coração de leão, que envolvido nas cruzadas havia sido aprisionado.

Alguém me lera essa história, que me apaixonara e provavelmente desde essa altura e ao longo da minha vida tenha sempre preferido o lado dos que lutam pela liberdade, pelos mais desfavorecidos e abomine usurpadores, traidores e respectiva corte.

Relembro que nesse tempo não havia a industria de máscaras de Carnaval já feitas, pelo que toda ela foi confeccionada pela minha mãe, (menos s botas claro). O arco, as flechas e o respectivo suporte para as ditas, tudo feito por um tio meu que na altura connosco vivia.

Não explico por não saber a razão porque apareço mascarado de "canhoto", segurando o arco ao contrário da minha tendência natural de dextro.

Talvez contudo, também aí possa haver um sinal que tenha ficado para a vida, esta mania de ser "esquerdalho empedernido."

Como eu desejo ainda hoje ,quando for grande, vir a ser como o Robin Hood.

16 de janeiro de 2008

Fazer Amor versus Sexo


Gostei imenso do post da Isabela, mas não estou nem um bocadinho de acordo com o post do Luís Maia

Fazer amor não é é estar todos os dias em todas as ocasiões ao lado de quem se ama, segurar a mão quando o outro sofre, sentir que a nossa vida não é nada se um dia ficarmos sós. Fazer amor é tudo isso que se pode fazer e sentir. ”

Fazer amor, para mim, não tem rigorosamente nada a ver com o que Luis Maia diz.

Mas antes de dissertar sobre o que para mim é fazer amor, gostaria de dizer que estou completamente de acordo com texto da Isabela, desde que possa inferir que o nosso desejo pode ser igualmente irracional, desalmado, feito de fogo e fúria, de raiva sem objecto e que também pode ser, tão rasteiro, tão cão e tão puro.

Há palavras mais bonitas do que outras, e às vezes nada têm a ver com o seu significado, mas sim com a agressividade do som, com a aspereza.

“Fazer amor” é uma maneira de dizer “ter sexo” ou “fazer sexo”, pelo menos para mim.
É uma questão de socialmente correcto (e aparece-me de imediato um sorriso trocista, porque nem quero acreditar que estou a assumir que sou socialmente correcta), e de maior delicadeza, ou de palavras mais belas e menos agressivas do que sexo.

Por isso, para mim, fazer amor é de certeza fazer ou ter sexo.
Nada tem a ver com o pegar da mão, ou coisa do género.

“Sexo é outra coisa e acho óptimo que nunca se confunda”

Com esta frase, é que me virei do avesso.
Esta frase podia ter sido dita pelo meu avô, que teria agora mais de cem anos.
É uma frase altamente machista.

Amor é dar a mão ao ser amado, quando ele sofre, é estarmos ao pé dele em todas as ocasiões, é sentirmos que a vida nada vale se ficarmos sem ele…… mas SEXO, é para ser feito com outra, que não seja a de todos os dias, foi a elação que tirei, poderá não estar correcta, mas foi o que de imediato associei , mal li esta frase

Fazer amor, sem amor, é talvez o sexo de que o Luís Maia fala. Aquele que se faz com outra, aquele que não se faz com a mulher.

Para fazer amor, para mim, é sempre necessário amor e paixão, e por isso mesmo é fazer sexo, duro e puro, selvagem de preferência.
Por isso, também não é egoísta, nunca o poderia ser.
Porque ao desejo do homem de tal maneira intenso, corresponde o desejo da mulher de igual intensidade e é nessa troca de prazeres, de intensidades, de paixões e de amores, que se perde o egoísmo.

14 de janeiro de 2008

DE PEQUENINO, DE MUITO PEQUENINO

Há muito e muitos anos, há tantos que nem deles há memória nos livros, numa pequena aldeia cheia de sombras e frescuras de uma farta linha de água que aos animais dava bebida e aos homens permitia o abastecimento dos poços dos seus quintais, viva só, em sua casa e nas memórias cheias de negrume, um velho tão velho que já a ninguém ocorria a recordação de quando fora moço e como mal falava com os seus vizinhos, dado passar os dias na sua busca de alimento esmolado e nas orações que, a seu ver, lhe permitiriam resgatar a culpa perante Ele, nem mesmo os de mais avançada idade, ninguém era capaz de dizer se ele ali havia nascido e sempre habitado ou se, como tantas vezes sucede, teria vindo de alhures para estabelecer a sua vida e dos seus. Fosse como fosse, pouca importância isso tinha, pois não lhe conheciam família e, se por acaso ela existisse, o pobre homem também dela não falava.
Um dia seguia ele pelo caminho de uma outra aldeia das redondezas onde deveria obter uma recompensa por um trabalho de oleiro em que outrora foram mestre, quando lhe apareceu pela frente um bando de homens de cara tapada que logo o rodearam com a evidência de propósitos assustadores.
“-Nada temas, velho homem.” –Disse-lhe aquele que parecia ser o chefe e que de imediato se mostrou interessado em saber pormenores a seu respeito.
Que mal tinha ele feito para andar por ali, com aquela idade, ainda forçado a ganhar o sustento de todos os dias?
Ora se ele não tinha quem lhe valesse, a não ser um filho, o seu único filho que tanto alegrara a união com a sua Sara que Deus já levara deste mundo, mas que um dia saíra de casa zangado com ele e a mãe, praguejando e ameaçando não mais voltar, como de facto veio a acontecer, pois em tais circunstâncias como poderia ele deixar de levar a cabo a sua labuta?
Do filho não mais tivera novidades e tantos anos tinham passado sobre a sua ida que, se o visse, jamais seria capaz de o reconhecer e tudo aquilo se passara, afinal, devido à sua casmurrice de o querer obrigara aprender o mesmo ofício a que o rapaz se mostrava avesso, doido que viva pelas brincadeiras e namoricos. E, para falar com verdade, nem ele nem a sua Sara tinham feito o que quer que fosse para que o miúdo tivesse aprendido, nem mesmo os mandamentos ele sabia e de tão preocupados que estavam com o trabalho e as agruras de todos os dias, nunca tinham tido qualquer preocupação séria de que ele aprendesse princípios e sabedorias, engenhos e capacidades.
O arrependimento era já muito antigo mas, tal como o meliante lhe disse então, nada restava que pudesse ser feito e de pouco lhe serviria dizer que se voltasse atrás agiria de modo diferente.
“-Pois é, meu bom homem.” –Falou o chefe da quadrilha, dando-lhe para a mão um molhe de feixes de salgueiro ainda jovens e frescos, ao mesmo tempo que lhe perguntou: “-Serias tu capaz de fazer um cesto a partir destas varinhas?”
Claro que seria, como não o fazer se a matéria-prima estava boa e moldável, mesmo prontinha a ser alterada pelas mãos de um cesteiro ainda que ele não o fosse?
“-Pois então tenta lá dobrar este ramo.” –E em acto contínuo passou-lhe para a mão uns quantos ramitos secos e velhos da mesma árvore.
O velho deixou as lágrimas caírem-lhe, horrorizado por não poder apagar o tempo passado e ali acabou por morrer chorando, com o saco de moedas que o outro lhe deixara na mão.

Não se faz amor de madrugada

Pelo menos pedi desculpa à Isabela, por transcrever aqui, este seu texto, que com o título Come-me, publicou no seu magnífico blogue O Mundo perfeito.

Diz ela o seguinte

No desejo dos homens não há moral nem culpa nem censura, mas bruteza e urgência e um desespero estrangeiro. O desejo dos homens é cego e surdo-mudo. Cheira como um cão, e abocanha, e morde no escuro, guiado pelo faro e lambuzado de saliva; é a besta perdida e esfomeada da matilha. O desejo dos homens é uma faca aquecida na forja; terra inculta, ignorante. Os homens não fazem amor connosco de madrugada: puxam a nossa carne, sonolentos e loucos, agarrando-se ao naco mais quente, suado, o qual montam, irracionais, desalmados, comendo-nos com fogo e fúria e raiva sem objecto. E é por esse desejo tão rasteiro, tão cão, tão puro.

Não tendo por hábito, nem por vocação nem por princípio ser crítico literário, gosto de comentar as ideias que os textos que leio os blogues por onde passo todos os dias e que aprecio.

Neste caso acho que o ponto de vista que a Isabela defende é o meu ponto de vista e curiosamente aprendi-o com uma mulher.
Uma mulher superior, com quem me relacionei e que com clareza idêntica ao aqui expresso pela Isabela, considerava que o sexo é um acto de egoísmo puro. Recíproco acrescente-se, embora neste texto não seja dito a menos que o facto da autora o deixar subentendido, quando se não lê em nenhuma
passagem deste texto, qualquer tipo de animosidade contra a entidade HOMEM, na sua vertente animal, afinal como ela diz, assumindo o seu desejo
tão rasteiro, tão cão, tão puro.

Realmente fazer amor como delicadamente de diz, não é o mesmo que fazer sexo. Fazer amor é estar todos os dias em todas as ocasiões ao lado de quem se ama, segurar a mão quando o outro sofre, sentir que a nossa vida não é nada se um dia ficarmos sós. Fazer amor é tudo isso que se pode fazer e sentir.

Sexo é outra coisa e acho óptimo que nunca se confunda





10 de janeiro de 2008

Venho contestar-te, Luis

Comprar casa não passava pela cabeça de nenhum jovem das minhas relações quando pensavam em casar, alugava-se casa e pequenina, porque os ordenados eram em contos de muito pouco reis.

Hoje não é assim é inconcebível um jovem citadino, não ter um carro ou comprar casa quando se casa. Percebe-se que o valor dos arrendamentos versus prestação da casa em compra é equivalente.Parece tudo melhor e mais confortável.

São estas as afirmações que não estou de acordo contigo

No tempo em que falas, os ordenados eram em contos e eram poucos os contos.
O que é preciso também afirmar, apesar de me considerar uma privilegiada principalmente nesses tempos, é que as casas também custavam pouquíssimos contos, que a vida em geral, o preço dos bens era barata.
A minha casa em Lisboa com quatro assoalhadas, não muito grandes, tinha a renda de dois contos ou seja 2.000$oo.
Tinha dois empregos, mas ganhava 6 contos.
As casas eram, em proporção com os ordenados, muitíssimo mais baratas do que são hoje.
Mas ainda me lembro de alguns preços:
Cabrito - 90$00 kg
café do melhor - 48$00 kg
perdiz verdadeira, dos bens mais caros - 48$oo cada
carne de bife - 78$00 kg
bica - 1$50 = quinze tostões
Português Suave - 2$50 = vinte cinco tostões.

No tempo em que falas, ninguém comprava casa, a não ser as pessoas excepcionalmente ricas.
Quem comprava casa, nem sequer eram andares, compravam o prédio inteiro, para rendimento, e era com o dinheiro das rendas que viviam, ou que pelo menos, punham o dinheiro a render. Uma espécie de juros.

Incrível que dês a entender que os jovens compram casa porque o querem fazer, em vez de te "atirares" às políticas de arrendamento que vêm a ser seguidas, não dando nenhuma hipótese aos proprietários de sequer poderem fazer obras de manutenção.
As poucas casas que há para alugar, são caríssimas, porque exactamente há poucas.
A maior parte das famílias então endividadas até à ponta dos cabelos, por não haverem políticas de jeito, para que houvesse mercado de arrendamento florescente.

Comprar casa é a maior estupidez, não fosse o arrendamento não existir.
Quem é que quererá ter os encargos dos cond0mínios e as obras de manutenção para fazer, quando o pagamento da casa ainda estiver a meio? se pudesse arrendar sem ter todos esses encargos?

Comprar casa é melhor e mais confortável? desde quando? qual é a tua visão da coisa?
Saberás o que se está a passar com as famílias portuguesas, ou pura e simplesmente, quando ouves falar no seu endividamento, pensas que é por gastarem demais?

Já alguma vez te deste ao trabalho de comparares políticas de habitação com outros países?

O jovem citadino, só compra casa porque não tem mais nenhuma alternativa.

7 de janeiro de 2008

Abaixo a "sensura"


Confesso que entrei este ano, falando muito mais do passado do que o habitual.

Não me considero um saudosista, ou aquele tipo de pessoa que anda sempre a dizer "no meu tempo é que era". Também porque acho mesmo que no meu tempo é que NAO era.


Talvez um pouco porque elegi a Casa Comum como o sítio para falar de mim, ao ter descoberto, que dos 17 blogues que tenho em funcionamento, não havia nenhum onde concretamente isso acontecesse.

Tenho os blogues das músicas diversas, os da história o da refilísse política o das coisas das vidas actuais e das passadas, enfim tudo menos um poiso para falar do EU.

Talvez essa seja a razão porque falo mais do passado, do tempo mais activo da minha vida já que o presente, depois de reformado, se passa num tempo mais lento, muito mais previsível e eventualmente mais desinteressante para terceiros.

Há dias no baú das memórias vi uma foto minha, junto ao meu velho Volkswagem, (toda agente da minha geração teve um VW), o meu primeiro carro e confesso que me comovi, porque me lembrei desses tempo em que tive o meu VW.

Um já velho carro em segunda mão, que consegui comprar em prestações, a letras como se dizia nesse tempo.
As aventuras que com ele passei talvez possam ficar para outro dia.

Hoje o que me lembrei foi de como era difícil ter um carro nesse tempo, já tinha 32 anos a caminhar para meio cota como agora dizem.15 anos antes eram raros os amigos que tinham carro e curiosamente os pais dos meus amigos também não.

Comprar casa não passava pela cabeça de nenhum jovem das minhas relações quando pensavam em casar, alugava-se casa e pequenina, porque os ordenados eram em contos de muito pouco reis.

Hoje não é assim é inconcebível um jovem citadino, não ter um carro ou comprar casa quando se casa. Percebe-se que o valor dos arrendamentos versus prestação da casa em compra é equivalente.Parece tudo melhor e mais confortável.


Naquele tempo podia dar-se por feliz, quem conseguisse ter ordenado todo o mês, para muita gente sobrava fome e privações. Ninguém tinha nada de seu, mas também não havia dívidas, não havia cartões de crédito, financiamento bancários populares, nada, nenhuma ajuda para além do prego.


E o meu velho VW, ali esteve sempre firme, na sua fraca exigência em servir-me, nada mais que umas mudanças de óleo uns platinados ou uns calços de travões de vez em quando e sempre fiel a pegar à primeira, mesmo no Inverno.


Naquele tempo percebia-se o grunhido resmungão dos mecânicos da unha suja, nada era electrónico como hoje e o sensor do não sei quantos, diz não sei o quê e quem afina o carro é ela a máquina que a gente nunca vê.


Ingrato, um dia troquei o meu velho carro VW e hoje tenho pena de não o ter conservado, com a certeza que ele me continuaria a exigir a factura do costume, velas e platinados (se calhar os fabricantes com inveja dele deixaram de os fabricar).

Talvez o meu azedume de hoje se deva ao facto, de amanhã pela 5º vez em menos dum mês, tenha que ir com o meu carro à oficina, para ver se desta vez conseguem resolver o problema duma luz amarela que um sensor qualquer insiste em manter acesa no meu tablier.


Abaixo a "sensura", quero o unha suja de volta.

4 de janeiro de 2008

Religiosamente e Moralmente Incorrecta





Não sou fundamentalista de quase nada e não aprecio fundamentalismos. O quase é só para ressalvar alguém que ache que o sou (sorriso irónico).

Sempre apreciei o facto de alguém dar a vida pelos seus ideais, tanto politicamente, como por fé nas suas religiões, e não excluo ninguém.
P0sso pôr em causa os actos que levam a isso, mas a fé, essa aprecio.

O que critico na Igreja Católica, para além de outras coisas que hoje me não apetece falar,
- é a abertura para deixar pessoas que a não praticam, a poderem-se chamar católicos;
- é a abertura para continuar a casar pela Igrja, quem sabem que não é católico, apenas por ser uma tradição;
- é a abertura para medirem o rebanho, pelos que sabem não fazer parte do mesmo;
- é a abertura para, por dinheiro, anularem casamentos, para que esses possam mais uma vez casar pela Igreja;
- é a abertura de, por dinheiro, se poder deixar de fazer a abstinência, as chamadas "Bulas";
- é a abertura de ser Ela própria um mundo de hipocrisia;
- é o facto de ter medo de ter poucos adeptos;
- é o facto de ter medo de desaparecer;
- é o facto de ser economicamente pedinchona, quando é estruturalmente rica;
- é o facto de ser a primeira a abandalhar, e dar maior importância aos bens materiais do que aos bens espirituais.
- é a estupida ostentação.

Para mim, todos estes itens é que farão com que a Igreja possa desaparecer num futuro, quando o poder material e político se passar definitivamente para o oriente.

Aparvalha-me a constatação que os católicos queiram que a Igreja tudo lhes ature, que ainda se abandalhe mais e não percebam que já está a entrar em decadência não, por não se "abrir" ainda mais, mas porque os católicos são os primeiros a quererem que o materialismo financeiro, a ostentação, e o consumismo, valham mais que os poderes ditos espirituais.

Há umas entradas a baixo perguntava o que se passaria se Jesus voltasse agora.

Retiro a pavra Jesus e ponho Cristo.
Que pensariam os católicos se Cristo fizesse hoje o Sermão da Montanha?
Ou pensarão os católicos que Cristo não repetiria a frase " é mais difícil a um rico entrar no Reino de Meu Pai, do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha"?

Há anos sem fim, que os Bispos espanhois vinham a pedir a todos os Papas que fizessem santos, os padres mortos pelos Républicanos na guerra civil espanhola. Nunca o conseguiram.

Porque será que um Papa, talvez dos mais cultos e inteligentes que a Igreja tem tido nestes muitos últimos anos, deu de mão beijada a Espanha aquilo que os seus Bispos nunca tinham conseguido.
Porque será que Bento XVI sentiu necessidade de ter mártires da fé, da era moderna?

Dá que pensar, não?


Adenda: Não gosto de Bento XVI, por razões que não me apetece falar agora.
E antes que o Luis Maia me bata muito, devo declarar que considero igualmente mártires dos seus ideaias, todos os Républicanos mortos, não só durante a guerra civil, mas também todos os que foram mortos por Franco.

3 de janeiro de 2008

2 de Janeiro de 1965

É giro começar o ano com dupla comemoração, por um lado a do início duma nova esperança no ano que agora debuta, por outro no dia de hoje o meu aniversário de casamento, que em ano já muito antigo, marcou o início duma nova vida e de novas responsabilidades.

Hoje com a minha velha companheira de sempre, continuamos a trilhar o caminho do destino, escolhendo as nossas pedras para pisar, às vezes mais desabridamente, não fosse o seu avisado amor, ir-me avisando que os excessos custam caro e os disparates muito mais.

Tínhamos 20 anos vejam lá, na perfeita idade da inocência possível, nos idos de 65.

Serviço militar por cumprir adivinhava dificuldades, naquele tempo agreste da Lisboa triste pela pobreza imposta, onde toda a gente sofria de tudo, de carências várias e da boca fechada, que os heróis de peito aberto eram poucos.

Vieram filhos, mais recentemente um neto, (ainda por cima artista), que nos baba de gozo, mas nos aflige pela incerteza que voltamos a sentir espreitar, no futuro negro que parece querer voltar a remeter os nossos jovens, para os tais tempos , que não queremos ver regressar.

Com a minha namorada os passos continuam certos, quem liga às rugas que nos assolam ? Que importa se o cabelo, quando existe, já se branqueia.

Nada mesmo se a continuo a amar, como naquele sábado, dia 2 de Janeiro de 1965, em que os seus olhos azuis me disseram que sim, que me aceitava para a Vida.

E continuou a cumprir, mesmo quando eu não o mereci.

Temas e Instituições