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3 de janeiro de 2008

2 de Janeiro de 1965

É giro começar o ano com dupla comemoração, por um lado a do início duma nova esperança no ano que agora debuta, por outro no dia de hoje o meu aniversário de casamento, que em ano já muito antigo, marcou o início duma nova vida e de novas responsabilidades.

Hoje com a minha velha companheira de sempre, continuamos a trilhar o caminho do destino, escolhendo as nossas pedras para pisar, às vezes mais desabridamente, não fosse o seu avisado amor, ir-me avisando que os excessos custam caro e os disparates muito mais.

Tínhamos 20 anos vejam lá, na perfeita idade da inocência possível, nos idos de 65.

Serviço militar por cumprir adivinhava dificuldades, naquele tempo agreste da Lisboa triste pela pobreza imposta, onde toda a gente sofria de tudo, de carências várias e da boca fechada, que os heróis de peito aberto eram poucos.

Vieram filhos, mais recentemente um neto, (ainda por cima artista), que nos baba de gozo, mas nos aflige pela incerteza que voltamos a sentir espreitar, no futuro negro que parece querer voltar a remeter os nossos jovens, para os tais tempos , que não queremos ver regressar.

Com a minha namorada os passos continuam certos, quem liga às rugas que nos assolam ? Que importa se o cabelo, quando existe, já se branqueia.

Nada mesmo se a continuo a amar, como naquele sábado, dia 2 de Janeiro de 1965, em que os seus olhos azuis me disseram que sim, que me aceitava para a Vida.

E continuou a cumprir, mesmo quando eu não o mereci.

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