É um apaixonado pela Psicanálise e pela Psicologia e sobretudo pelo estudo desta aplicada às crianças e adolescentes na sua odisseia diária: o crescimento
"O desejo de conhecer trás sempre a recordação velada de uma ameaça, esconde sempre o eco de uma condenação. Comer da árvore do conhecimento conduz inevitavelmente à expulsão do paraíso, mas recuar perante o desejo de conhecer conduz inevitavelmente à morte"
João Sousa Monteiro fez um programa no “FM stéreo da Rádio Comercial entre 18 de Maio de 1977 e 29 de Dezembro de 1978” chamado o Homem no Tempo, transmitido duas vezes por semana com suporte áudio (voz de Hitler a discursar, ruídos de aviões, metralhas e explosões, etc).
João Sousa Monteiro, sempre foi incómodo e foi por isso silenciado.
Era inconformista, subversivo e radical. Usava um tom revolucionário pouco habitual porque era contra a formatação do conceito, vulgar e demagógico de “revolucionário”.
"... o sentido ultimo da arte, da filosofia da ciência, da psicanálise e de toda a cultura: ajudar a transformar os "pensamentos impensados " dos outros e de nós próprios, contribuir para que nos outros, e em nós, nasça uma vez, e outra, e outra ainda, o desejo de "criar o mundo", e a capacidade para reconstruirmos, vez após vez, a ilusão de o termos conseguido ...”
“…Um dos tabus sociais de maior importância estratégica para a sobrevivência e bom funcionamento de qualquer sociedade “civilisada” consiste na proibição de pensar.
Sem essa preciosa restrição, imposta sobre cada um de nós com especial vigilância desde o início da nossa existência, nenhuma forma arcaica ou civilizada de organização social poderia provavelmente subsistir
Entreter o “indígena” com toda a espécie de birimbaus civilizados, de comprar-lhe a sua tácita aquiescência de búfalo e vacamente cooperador; distraí-lo a todo o tempo – distraí-lo sobretudo de si próprio - de modo que não lhe sobre energia suficiente para perceber, no fundo, o que se passa à sua volta; Meter-lhe sempre à frente dos olhos, um chocalho luminoso – qualquer um dos chocalhos luminosos que a civilização engenhosamente produz – de modo a que não fixe nunca demasiadamente o olhar no mijo moralista em que a Sociedade se apoia, na açorda ideológica que a sustenta; Comprar-lhe assim a sua docilidade postiça é talvez o mais comum e o mais rendoso dos negócios, em que todos, em que todos nós participamos activamente, de formas directas ou indirectas.”
In “Tire a Mãe da Boca” de João Sousa Monteiro.
Conheci João Sousa Monteiro, andaria eu pelos dez anos, era amigo de um dos meus irmãos.
Vivia muito perto de nós, e tinha uma biblioteca fantástica. Íamos os dois, o meu irmão e eu, muitas tardes e noites para casa do João só, simplesmente, para lermos tudo o que era proibido, nessa altura.
Esta é a homenagem que quero aqui fazer, a um amigo, que me ajudou a formar, que me ensinou a pensar, que ajudou a fazer de mim aquilo que sou hoje.