As imagens que ilustram os últimos posts publicados
O "Mago Tirano" das Finanças. Ficam as imagens e os factos dessa época, os primeiros tempos do fascimo português.
30 de novembro de 2008
26 de novembro de 2008
Em Angola gritou-se pela autonomia
Casa Comum, 31 de Março de 1930
Carissima amiga
Como pode alguém ficar indiferente, perante a resistência a luta persistente de Mahatma Gandhi e seus discípulos e o seu protesto contra o domínio inglês na Índia
Como você sabe minha amiga a soberba inglesa espalha por todo o Império , não só essa mesma toleima, como usa a sua bota militar, para calcar, mesmo nas coisas mais insignificantes, todos os seus súbditos, que como sabemos, insiste em considerar como meros escravos. A razão da luta do pacifista Gandhi ganha por isso contornos de grande dignidade
Repare, que os indianos (e não só), são obrigados a comprar todos os produtos industrializados da Inglaterra, sendo proibidos inclusivamente de extrair o sal no seu próprio país, que acaba por se tornar o símbolo do colonialismo para todos os indianos.
Essa marcha começou, no dia 12 de Março como você sabe e eles vão de terra em terra, percorrendo os caminhos do País que deveria ser o deles, parando para descansar, e ganhando cada vez mais aderentes para a causa da liberdade. Quanto tempo mais aguentarão, pergunto eu ?
Então que me diz aquela história do Filomeno da Câmara em Angola ?
O Salazar depois de ter despedido o comissário Vicente Ferreira por telegrama, nomeia o militar Filomeno da Câmara, homem de confiança dos golpistas de 26 e como sempre nestes casos, não interessa sequer saber se o homem é competente. Engraxador era com certeza pois não sei se lhe chegaram a contar alguns dos decretos redigidos pela sua própria mão e publicados no Boletim Oficial de Angola, são no mínimo ridículos (por exemplo, trata o Presidente da República por "grande homem casto" .
Chega a Angola acompanhado pelo Morais Sarmento compicha de 26 e ao que parece muito pouco de fiar, e no mínimo fanático e completamente engajado as soluções fascistas tipo fusilar todos os "antipatriotas" com pretensões à independência de Angola, "liquidar os maçónicos" e dar cabo de todos os republicanos partidários da democracia "corrompida". (quem lhe terá encomendado o sermão ?).
Veja-se bem o que foi este homem como Director-Geral da Administração Pública, que incluía, quando julgava necessário, agressão física de funcionários, inclusivamente de altos funcionários.
O comissário Filomeno a páginas tantas retira-se para o sul de Angola com toda a sua família e em vez de cumprir o regulamentado, deixar a responsabilidade do governo ao seu substituto legal, o chefe de Estado Maior das Forças Armadas, como a lei determinava, confiou esse cargo ao obscuro tenente Morais Sarmento. Mais ainda: deixou-lhe folhas em branco já assinadas para que este pudesse publicar todos os decretos que entendesse.
O jovem Sarmento ao que parece terá começado a preparar um "golpe de Estado".Segundo alguns depoimentos, o seu projecto seria de prender o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, o Coronel Genipro Almeida, e deportar centenas de opositores ao novo regime fascista português, nomeadamente no sector da maçonaria.
O chefe do Estado Maior foi mais célere e, durante a noite de 29 de Março do ano passado, cercou as forças do tenente Morais Sarmento e depois dum tiroteio , o exaltado tenente, acabou morto,
Abriram-se as hostilidades entre forças do Alto Comissário, que clamava por traição e as do Coronel Genipro, ambos reclamavam junto de Salazar também Ministro das Colónias a sua lealdade a Portugal.
Ouviram-se em Luanda pela primeira vez os gritos, pela liberdade e pela independência.
Por esta razão e por certo porque, a própria nomeação de Filomeno e de Morais Sarmento, tinham como principal tarefa, o apagar de alguns focos republicanos, maçónicos e liberais, que por Angola ainda existiam e que se conglomeraram em torno das forças do Coronel Genipro, o certo é que Salazar toma partido publicamente pelo Alto Comissário, mas no passado dia 16 de Março, deu -lhe ordem para vir à Metrópole para receber instruções, que na prática significa a sua substituição.
Todos sabemos e ele também, que os combatentes pela liberdade, ficaram em Angola, que fará ele a seguir ?
(Baseado no estudo
ANGOLA: CONFLITOS POLÍTICOS E SISTEMA SOCIAL (1928-30
por
Adelino Torres
ISEG-Universidade Técnica de Lisboa)
Carissima amiga
Como pode alguém ficar indiferente, perante a resistência a luta persistente de Mahatma Gandhi e seus discípulos e o seu protesto contra o domínio inglês na Índia
Como você sabe minha amiga a soberba inglesa espalha por todo o Império , não só essa mesma toleima, como usa a sua bota militar, para calcar, mesmo nas coisas mais insignificantes, todos os seus súbditos, que como sabemos, insiste em considerar como meros escravos. A razão da luta do pacifista Gandhi ganha por isso contornos de grande dignidade
Repare, que os indianos (e não só), são obrigados a comprar todos os produtos industrializados da Inglaterra, sendo proibidos inclusivamente de extrair o sal no seu próprio país, que acaba por se tornar o símbolo do colonialismo para todos os indianos.
Essa marcha começou, no dia 12 de Março como você sabe e eles vão de terra em terra, percorrendo os caminhos do País que deveria ser o deles, parando para descansar, e ganhando cada vez mais aderentes para a causa da liberdade. Quanto tempo mais aguentarão, pergunto eu ?
Então que me diz aquela história do Filomeno da Câmara em Angola ?
O Salazar depois de ter despedido o comissário Vicente Ferreira por telegrama, nomeia o militar Filomeno da Câmara, homem de confiança dos golpistas de 26 e como sempre nestes casos, não interessa sequer saber se o homem é competente. Engraxador era com certeza pois não sei se lhe chegaram a contar alguns dos decretos redigidos pela sua própria mão e publicados no Boletim Oficial de Angola, são no mínimo ridículos (por exemplo, trata o Presidente da República por "grande homem casto" .
Chega a Angola acompanhado pelo Morais Sarmento compicha de 26 e ao que parece muito pouco de fiar, e no mínimo fanático e completamente engajado as soluções fascistas tipo fusilar todos os "antipatriotas" com pretensões à independência de Angola, "liquidar os maçónicos" e dar cabo de todos os republicanos partidários da democracia "corrompida". (quem lhe terá encomendado o sermão ?).
Veja-se bem o que foi este homem como Director-Geral da Administração Pública, que incluía, quando julgava necessário, agressão física de funcionários, inclusivamente de altos funcionários.
O comissário Filomeno a páginas tantas retira-se para o sul de Angola com toda a sua família e em vez de cumprir o regulamentado, deixar a responsabilidade do governo ao seu substituto legal, o chefe de Estado Maior das Forças Armadas, como a lei determinava, confiou esse cargo ao obscuro tenente Morais Sarmento. Mais ainda: deixou-lhe folhas em branco já assinadas para que este pudesse publicar todos os decretos que entendesse.
O jovem Sarmento ao que parece terá começado a preparar um "golpe de Estado".Segundo alguns depoimentos, o seu projecto seria de prender o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, o Coronel Genipro Almeida, e deportar centenas de opositores ao novo regime fascista português, nomeadamente no sector da maçonaria.
O chefe do Estado Maior foi mais célere e, durante a noite de 29 de Março do ano passado, cercou as forças do tenente Morais Sarmento e depois dum tiroteio , o exaltado tenente, acabou morto,
Abriram-se as hostilidades entre forças do Alto Comissário, que clamava por traição e as do Coronel Genipro, ambos reclamavam junto de Salazar também Ministro das Colónias a sua lealdade a Portugal.
Ouviram-se em Luanda pela primeira vez os gritos, pela liberdade e pela independência.
Por esta razão e por certo porque, a própria nomeação de Filomeno e de Morais Sarmento, tinham como principal tarefa, o apagar de alguns focos republicanos, maçónicos e liberais, que por Angola ainda existiam e que se conglomeraram em torno das forças do Coronel Genipro, o certo é que Salazar toma partido publicamente pelo Alto Comissário, mas no passado dia 16 de Março, deu -lhe ordem para vir à Metrópole para receber instruções, que na prática significa a sua substituição.
Todos sabemos e ele também, que os combatentes pela liberdade, ficaram em Angola, que fará ele a seguir ?
(Baseado no estudo
ANGOLA: CONFLITOS POLÍTICOS E SISTEMA SOCIAL (1928-30
por
Adelino Torres
ISEG-Universidade Técnica de Lisboa)
19 de novembro de 2008
O duplo ministro
Casa Comum, 31 de Janeiro de 1930
Há muito tempo que não lhe escrevo e muito embora nas questões políticas seja o meu amigo o mais erudito e eu mais para as artes, também não fico indiferente aos aspectos políticos.
Destaco a morte do Primo de Rivera, em Paris, no passado dia 16 de Março. Afinal o ditador espanhol, grande "farol inspirador" dos nossos governantes actuais e dos mentores do golpe original do 28 de Maio.
Contudo caiu em desgraça junto do rei e abandonado pelos altos comandos militares e pelo rei, apresentou a sua demissão e exilou-se em Paris, não sem antes recomendar a Afonso XIII alguns nomes de militares que poderiam suceder-lhe à frente do governo, entre eles o do general Dámaso Berenguer, o senhor que se segue.
Por cá continua a saga dos militares, meu caro amigo, aí está o general Domingos de Oliveira, um "velho talassa", ligado ao movimento da espadas, que levou o Pimenta de Castro ao poder em 1915. Enfim os governos e os ministros vão e vêm, mas o Finanças de Santa Comba, permanece, cada vez mais poderoso, embora com novas companhias, que duvido não seja ele a escolher.
Aliás os poderes do ministro Salazar, ficam mais que reforçados, já que ocupa a pasta das Colónias em acumulação. Curiosamente na sequência um conflito, em que o próprio Salazar, era interveniente, por causa da concessão dum crédito a Angola, que opunha as Finanças ao governador do Banco de Angola, Cunha Leal e que tinha estado na origem da queda do governo anterior.
Naturalmente que após a tomada de posse do novo governo, Salazar duplamente ministro, começa por demitir Cunha Leal, "deixando" que o Conselho de Administração, daquele banco, nomeie Mendes Cabeçadas para o substituir.
Hoje fica uma sugestão de zarzuela, já que falámos de Espanha, por razões bem menos felizes, fica um apontamento da La picola molinera, de Pablo Luna, estreada em 1928
Há muito tempo que não lhe escrevo e muito embora nas questões políticas seja o meu amigo o mais erudito e eu mais para as artes, também não fico indiferente aos aspectos políticos.
Destaco a morte do Primo de Rivera, em Paris, no passado dia 16 de Março. Afinal o ditador espanhol, grande "farol inspirador" dos nossos governantes actuais e dos mentores do golpe original do 28 de Maio.
Contudo caiu em desgraça junto do rei e abandonado pelos altos comandos militares e pelo rei, apresentou a sua demissão e exilou-se em Paris, não sem antes recomendar a Afonso XIII alguns nomes de militares que poderiam suceder-lhe à frente do governo, entre eles o do general Dámaso Berenguer, o senhor que se segue.
Por cá continua a saga dos militares, meu caro amigo, aí está o general Domingos de Oliveira, um "velho talassa", ligado ao movimento da espadas, que levou o Pimenta de Castro ao poder em 1915. Enfim os governos e os ministros vão e vêm, mas o Finanças de Santa Comba, permanece, cada vez mais poderoso, embora com novas companhias, que duvido não seja ele a escolher.
Aliás os poderes do ministro Salazar, ficam mais que reforçados, já que ocupa a pasta das Colónias em acumulação. Curiosamente na sequência um conflito, em que o próprio Salazar, era interveniente, por causa da concessão dum crédito a Angola, que opunha as Finanças ao governador do Banco de Angola, Cunha Leal e que tinha estado na origem da queda do governo anterior.
Naturalmente que após a tomada de posse do novo governo, Salazar duplamente ministro, começa por demitir Cunha Leal, "deixando" que o Conselho de Administração, daquele banco, nomeie Mendes Cabeçadas para o substituir.
Hoje fica uma sugestão de zarzuela, já que falámos de Espanha, por razões bem menos felizes, fica um apontamento da La picola molinera, de Pablo Luna, estreada em 1928
11 de novembro de 2008
Menos um republicano em tempo de Ditadura
- Casa Comum, 15 de Novembro de 1929
- As notícias vindas de Nova Iorque, são alarmantes, o que aconteceu na passada quinta-feira dia 24 com a quebra da Bolsa de Valores, bancos e investidores perderam grandes somas em dinheiro.
- A situação dos bancos foi agravada pelo facto de muitos deles que haviam emprestado grandes somas de dinheiro a fazendeiros, após o início duma grade recessão económica, estes fazendeiros tornaram-se incapazes de pagar as suas dívidas, cavaram enormes prejuízos, levando essas entidades bancárias ao descalabro.
- O pânico que instalou-se entre as pessoas, que temendo uma possível falência, correram a retirar os fundos, levando-as a fechar as portas.
- Consta-se que milhares de accionistas perderam, literalmente da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Muitos perderam tudo o que tinham.
- Temo que esta grave situação se venha a estender, pela Europa. Nesta caso quanto mais desenvolvidas são as economias maior é o estrondo, cá por casa, talvez não seja tão grave, porque a loja também é pequena.
- A procissão ainda vai no adro, vamos ver o que por ai virá. Se por um lado uma crise se avizinha, por outro algumas boas notícias para a humanidade, assim têm que ser observados, todos os avanços que possam haver no entendimento entre os povos , para defesa das garantias da condição humana.
- Neste caso, aponto a assinatura da terceira convenção de Genebra, que teve como objectivo definir o tratamento de prisioneiros de guerra. Acabámos uma guerra há pouco tempo, tantas atrocidades foram cometidas, que urge consagrar os direitos que essas pessoas terão inerente à sua condição.
- Esta Convenção fixou igualmente os limites do tratamento geral de prisioneiros, como:
- a obrigação de tratar os prisioneiros humanamente, sendo a tortura e quaisquer atos de pressão física ou psicológica proibidos.
- obrigações sanitárias, seja ao nível da higiene ou da alimentação.
- o respeito da religião dos prisioneiros.
- permitir ao Comitê internacional da Cruz Vermelha (CICR) visitar todos os campos de prisioneiros de guerra sem nenhuma restrição e dialogar sem testemunhas como os prisioneiros.
- Mas a morte de António José de Almeida a 31 de Outubro, foi para nós, republicanos e lutadores pela liberdade, uma perda terrível.
- Não só pelo simbolísmo de ter sido o 6° Presidente da República Portuguesa, mas por ser um Republicano desde os bancos da escola. Médico, esteve em S

- ão Tomé a exercer a sua profissão mas especializando-se também em doenças tropicais. Ingressou no Partido Republicano Português e, mais tarde, também na Maçonaria e na Carbonária.
- Foi eleito Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano já este ano, mas nunca pode tomar posse devido ao seu estado de saúde.
- Aliás nos últimos anos, doente e prematuramente envelhecido, passou em silêncio literário e político os últimos anos de vida.
- O seu funeral foi uma manifestação impressionante de pesar.
- No dia seguinte o "Diário de Notícias" lançou a ideia de se lhe erigir um monumento, ideia que aprovo inteiramente.
8 de novembro de 2008
Está de chegada o Cerejeira
Casa Comum, 30 de Setembro de 1929
Minha cara Severa
Já ouviu falar dum tal Cerejeira ? Após a notícia do falecimento do cardeal D.António Mendes Belo, no dia 5 de Agosto, espera-se que Manuel Gonçalves Cerejeira, seja o seu substituto como cardeal-patriarca de Lisboa. Como Arcebispo de Mitilene, tem largas hipóteses, que isso venha a acontecer.
Homem dos arredores de Famalicão, é amigo íntimo do nosso homem das Finanças, já há largos anos desde os bancos da Universidade de Coimbra, formarão por certo uma dupla imparável, para mal dos nossos pecados, nada pior que uma ditadura de finanças, com a benção da Madre Igreja.
Vem ai uma campanha do trigo, com um lema "O trigo da nossa terra é a fronteira que melhor nos defende". Lema um pouco bélico, mas que traduz um objectivo concreto aumento da produção de trigo e o desenvolvimento de industrias subsidiárias, como a dos adubos e a da maquinaria agrícola.
Vamos ver se os aumentos da produção, não trarão erosão de solos e se os acréscimos de produção vão ser conseguidos à custa do aumento da área cultivada e não do rendimento.
Reveladora da admiração da nossa ditadura militar, foi o facto do Carmona ter recebido a delegação dos balilas, membros da Juventude Fascista italiana, onde vinham 2 filhos do Mussolini que por cá estiveram a 12 deste mês.
Foi este o ano do Nobel a Thomas Mann,
merecido quanto a mim, muito mais pela Montanha Mágica, do que pelo Buddenbrooks a que o júri se referiu e que conta a saga duma família por 4 gerações.
A propósito do falecimento da soprano alemã Lilli Lehmann, só agora me lembrei que deixámos passar o falecimento em Maio da Condessa d Edla, a viúva de D.Fernando com quem casou em 1869, depois deste ter enviuvado, da rainha D.Maria II.
Elise Friedericke Hensler, a cantora de Ópera quase rainha de Portugal, amada pelo monarca e desprezada pela sociedade e pela história de Portugal, nunca conseguiu o reconhecimento como mulher do rei de Portugal , mas a quem por testamento D.Fernando deixou o Palácio de Pena em Sintra.
Minha cara Severa
Já ouviu falar dum tal Cerejeira ? Após a notícia do falecimento do cardeal D.António Mendes Belo, no dia 5 de Agosto, espera-se que Manuel Gonçalves Cerejeira, seja o seu substituto como cardeal-patriarca de Lisboa. Como Arcebispo de Mitilene, tem largas hipóteses, que isso venha a acontecer.
Homem dos arredores de Famalicão, é amigo íntimo do nosso homem das Finanças, já há largos anos desde os bancos da Universidade de Coimbra, formarão por certo uma dupla imparável, para mal dos nossos pecados, nada pior que uma ditadura de finanças, com a benção da Madre Igreja.
Vem ai uma campanha do trigo, com um lema "O trigo da nossa terra é a fronteira que melhor nos defende". Lema um pouco bélico, mas que traduz um objectivo concreto aumento da produção de trigo e o desenvolvimento de industrias subsidiárias, como a dos adubos e a da maquinaria agrícola.
Vamos ver se os aumentos da produção, não trarão erosão de solos e se os acréscimos de produção vão ser conseguidos à custa do aumento da área cultivada e não do rendimento.
Reveladora da admiração da nossa ditadura militar, foi o facto do Carmona ter recebido a delegação dos balilas, membros da Juventude Fascista italiana, onde vinham 2 filhos do Mussolini que por cá estiveram a 12 deste mês.
Foi este o ano do Nobel a Thomas Mann,
merecido quanto a mim, muito mais pela Montanha Mágica, do que pelo Buddenbrooks a que o júri se referiu e que conta a saga duma família por 4 gerações.A propósito do falecimento da soprano alemã Lilli Lehmann, só agora me lembrei que deixámos passar o falecimento em Maio da Condessa d Edla, a viúva de D.Fernando com quem casou em 1869, depois deste ter enviuvado, da rainha D.Maria II.
Elise Friedericke Hensler, a cantora de Ópera quase rainha de Portugal, amada pelo monarca e desprezada pela sociedade e pela história de Portugal, nunca conseguiu o reconhecimento como mulher do rei de Portugal , mas a quem por testamento D.Fernando deixou o Palácio de Pena em Sintra.
4 de novembro de 2008
A Portaria dos sinos
- Casa Comum, 31 de Julho de 1929
- Minha cara amiga Severa:
- Isto é que têm sido tempos agitados, desde a última vez que falámos. O homem de Santa Comba esteve hospitalizado no hospital da Ordem Terceira no Chiado, mas pelo vistos não é grave, só partiu uma perna.
- Os amigos, dizem que o homem tem queda para as finanças.
- Eu acho que, às vezes há sinais , avisos que devemos respeitar, sobretudo quando se trata de quedas.
- Que me diz daquela coisa da Portaria dos sinos ? Como você sabe desde o tempo do Sidónio, que havia a proibição do toque dos sinos, fora das horas permitidas
- Uma igreja qualquer de Évora resolveu tocar os sinos fora de horas que o Governador-civil proibiu. Mete-se o arcebispo de Évora no assunto e faz queixa ao Mário de Figueiredo, que estava na chefia da Justiça e que entra a matar, publica uma Portaria, que permite manifestações públicas do culto católicos, com procissões e toques de sinos.~
- Caldo entornado, Maçonaria em acção, e o ministro da guerra Júlio Morais Sarmento comanda protestos no próprio Conselho de Ministros e você bem o conhece como republicano, anti-clerical.
- Discute-se o "importantíssimo problema" e Mário de Figueiredo, impetuoso, perante a atitude contrária do ministro da Guerra e do Presidente do Ministério, apresenta o seu pedido de demissão. O nosso engessado perneta, imobilizado no hospital, quando sabe da atitude do seu companheiro de governo, escreve ao Chefe do Estado e ao Presidente do Ministério, a manifestar o seu desejo de se afastar, pretextando motivo de doença.
- O Presidente Carmona procurou harmonizar a situação. Figueiredo teima em manter a portaria. Sarmento obstina-se em reprová-la. O chefe Vicente de Freitas publicou uma nota oficiosa desagradável para Salazar e manda cortar pela censura uma entrevista dada pelo ministro das Finanças ao "Século",onde considera que a demissão do gabinete se filia em razões de ordem geral e não apenas por causa da portaria dos sinos.
- Uma coisa é certa Carmona não dispensa o Salazar, mas aceita a demissão do restante governo de Vicente de Freitas, afinal o governo a que presidia, caiu aos pés do seu verdadeiro chefe, o ungido do Senhor, o clerical Salazar.
- Carmona, chama Ivens Ferraz para formar Governo. Salazar é o único que transita, mas o homem faz o que quer bate o pé, só entra na condição de se manter válida a portaria em causa.
- Você que anda lá pelo norte, deve ter sabido da reunião em Torres Vedras no passado dia 7, dos vitivinicultores do centro e sul criticando o chamado projecto de salvação do Douro, que visava proibir a entrada na região do Douro das aguardentes do Centro e do Sul.
- É de novo a defesa do vinho do Porto, velha questão iniciada com Pombal, mas que desta vez com o apoio nos Sindicatos Agrícolas, das Câmaras locais e da Comissão de Viticultura do Douro José Relvas, presente, considera a solução como imbecil, ele terá as suas razões, essa reacção já vem do governo de João Franco, que restaurou o regime de privilégio do vinho do Porto e que desde então, suscita larga controvérsia e a crítica de muitos agricultores de outras regiões do país, designadamente do Ribatejo.
- Os americanos estão sempre a inventar coisas para ter a "coisa a mexer", e é desses movimentos que se gera dinheiro.
- Agora foi essa coisa dos Óscares, organizados pela própria indústria do filmes, para premiar os melhores. Esta primeira edição teve como vencedor do melhor filme um chamado Wings (Asas), que voce deve ter visto, é a história de dois jovens rapazes, um rico, outro de classe média, que se apaixonam pela mesma mulher, se tornam pilotos de guerra. Um filme com Clara Bow
31 de outubro de 2008
Estamos na cauda da Europa
Casa Comum, 30 de Abril de 1929
Espero que tenha gostado da nossa ida a São Carlos ouvir a Lina Pagliughi, cantar essa admirável Sonâmbula de Bellini
A Pagliughi embora jovem, já é apontada por muitos para vir a ser uma diva de grande futuro, sucessora da Toti dal Monte, veremos já que pelo nosso S.Carlos, tem passado grandes nomes quando ainda não são mais do que esperanças, parece que Lisboa lhes dá sorte.
Algo ainda por se perceber completamente, foi a ideia decretada pelo governo do dr.Salazar de proibir o estabelecimento de novas empresas ou fábricas na indústria moageira nacional,
A explicação em tempo de crise só pode ser a da tentativa de centralização para obter um melhor rendimento,mas espero que esta seja uma medida passageira e não venha a reflectir um condicionamento industrial generalizado.
Em contrapartida minha cara Severa, contaram que no dia 21 de Abril, teve lugar uma Conferência Nacional clandestina,do jovem Partido Comunista Português que elegeu um tal
Bento Gonçalves, para secretário-geral, com a tarefa central da reorganização daquele partido da oposição, tão fustigado tem sido pela repressão.
Bento Gonçalves, para secretário-geral, com a tarefa central da reorganização daquele partido da oposição, tão fustigado tem sido pela repressão. Chegou-me à mão um documento do jornal interno em que propõem
Na primeira linha constituíra-se um Comité de Defesa Sindical (com a tarefa de direcção nas questões reivindicativas imediatas do proletariado), ao qual aderiram os sindicatos do Arsenal da Marinha, do Pessoal dos Transportes, dos Ferroviários, dos Barbeiros e dos Alfaiates.
Essa estrutura funcionava como um agrupamento, tendo por finalidade ligar os sindicatos e os comités de fábrica, de empresa, de oficina e núcleos de sindicalistas revolucionários, articulando formas legais, semi-legais ou clandestinas do trabalho sindical, e estimulando as minorias comunistas nos sindicatos reformistas a romper com a acomodada coexistência pacífica que o rotineirismo sindical vinha alimentando.
Já adivinho que se está interrogando, se não terei uma nova costela vermelha. Já lhe disse minha amiga, tenho por certo uma costela dessa cor, mas não sou comunista e toda a gente que for oposição ao mafarrico da Viseu, tem a minha atenção.
Além disso esse relatório do Militante tem coisas interessante, números sobre a realidade da vida económica portuguesa neste ano de 1929, transcrevo-lhos
A massa assalariada de Portugal, do ponto de vista numérico, acha-se assim repartida: operários agrícolas – 1.350.000; operários industriais e dos transportes – 650.000. Nas duas principais cidades do país temos: operários industriais – 77.977 (Lisboa) e 39.658 (Porto); transportes – 11.497 (Lisboa) e 5.624 (Porto); comércio – 34.987 (Lisboa) e 19.370 (Porto); profissões liberais – 12.286 (Lisboa) e 2.844 (Porto). Os efectivos sindicais em todo o país são aproximadamente 35.000, contando com os efectivos da CGT – 10.000; os efectivos dos sindicatos reformistas – 2.500 a 3.000; os efectivos dos sindicatos isolados ou autónomos – 16.000, aproximadamente.»
E além disso com nota final deixo-lhe esta nota confrangedora
Relativamente aos trabalhadores da Europa, os operários industriais de Portugal ocupam o último lugar do ponto de vista do valor dos salários. O salário dum operário em Lisboa cifra-se em 42% do de um operário de Londres (salário médio).
29 de outubro de 2008
Pessoa em flagrante delitro
Casa Comum, 28 de Fevereiro de 1929
Amigos comuns já nos têm acusado de estarmos sempre a falar de mortos e de pessimismo em relação ao futuro de Portugal, se neste caso, nada posso fazer, porque os factos não nos deixam ter esperança, já no que à necrofilia permito-me contesta-los, nem sempre assim é, como é o caso de hoje venho falar-lhe de vida, que é sinónimo de juventude.
Assim me foi descrita, a presença dum jovem e promissor maestro alemão de 28 anos, que se estreou há dias em Salzburgo, e parece vir a ser um promissor maestro, vá registando, chama-se Herbert von Karajan.
Interessante também meu caro, foi o negócio entre os fascistas do Mussolini e a Santa Sé, assinado no dia 11. Aquilo se por um lado vem concluir a velha querela do poder temporal do Papa, limitando-o à zona do Vaticano e do castelo Gandolfo, mas abdicando de outros territórios, a troco uma indemnização financeira pelas perdas territoriais durante o movimento de unificação da Itália (Para ajuda das alminhas claro), concedendo o Estado fascista italiano, inúmeras vantagens ao clero, mas duas eu saliento a abolição do divórcio, e a mais importante que foi a compra do do silêncio político da Igreja Católica.
Ficou determinado que o papa deveria jurar neutralidade eterna em termos políticos, concederam-lhe a hipótese de poder actuar como mediador em assuntos internacionais, mas só quando fosse solicitado.
Foi assim que o Tratado de Latrão fechou a boca a Pio XI e sabe-se lá a quantos mais que se lhe seguirão.
O meu amigo deve ter lido a entrevista do Salazar, ao Diário de Notícias de há uma semana por considerar que um dos vícios dos portugueses é pensar que o Estado deve ser o protector da sua incapacidade e o banqueiro inesgotável da sua penúria.
Naturalmente que estou pronta a reconhecer, que existe no povo português a tendência, para esperar, que sempre apareça um Sebastião, para o aparar e proteger, isso obviamente que pode se considerado um defeito, mas não pode deixar de se atender às realidades concretas, de cada povo.
Para se ser ambicioso, ter espírito de iniciativa, criatividade, enfim todos os requisitos, para que um povo se liberte, siga o seu caminho, sem esperar as migalhas que possam cair da mesa do poder, é preciso muito mais do que ser miseravelmente pobre, analfabeto e doente, como é esta gente que se arrasta pelas ruas de Lisboa ou pelos campos, sem o mínimo de condições para se poder superar, sem o amparo Estatal, se Salazar se demitir dessa função, pode equilibrar as finanças acabar com o deficit público, mas condena o seu povo, à morte lenta pela via do sofrimento
Referiu ainda o homem que para alguns, o Estado é o inimigo que não é crime defraudar
Terá razão por certo, mas também lhe digo, meu amigo, que nesse caso mais uma vez as responsabilidades cabem inteirinhas ao Estado e em especial ao próprio, não é então ele o Ministro das Finanças a quem compete (ou deveria competir), que cuide das Finanças Públicas ?, organize-se e veja antes de mais quem nos defrauda a todos.
Deixo-lhe esta foto que o Fernando Pessoa me entregou e que foi tirada há dias na adega do Abel Pereira da Fonseca e como o próprio disse "fui apanhado em flagrante de litro"
Amigos comuns já nos têm acusado de estarmos sempre a falar de mortos e de pessimismo em relação ao futuro de Portugal, se neste caso, nada posso fazer, porque os factos não nos deixam ter esperança, já no que à necrofilia permito-me contesta-los, nem sempre assim é, como é o caso de hoje venho falar-lhe de vida, que é sinónimo de juventude.
Assim me foi descrita, a presença dum jovem e promissor maestro alemão de 28 anos, que se estreou há dias em Salzburgo, e parece vir a ser um promissor maestro, vá registando, chama-se Herbert von Karajan.
Interessante também meu caro, foi o negócio entre os fascistas do Mussolini e a Santa Sé, assinado no dia 11. Aquilo se por um lado vem concluir a velha querela do poder temporal do Papa, limitando-o à zona do Vaticano e do castelo Gandolfo, mas abdicando de outros territórios, a troco uma indemnização financeira pelas perdas territoriais durante o movimento de unificação da Itália (Para ajuda das alminhas claro), concedendo o Estado fascista italiano, inúmeras vantagens ao clero, mas duas eu saliento a abolição do divórcio, e a mais importante que foi a compra do do silêncio político da Igreja Católica.
Ficou determinado que o papa deveria jurar neutralidade eterna em termos políticos, concederam-lhe a hipótese de poder actuar como mediador em assuntos internacionais, mas só quando fosse solicitado.
Foi assim que o Tratado de Latrão fechou a boca a Pio XI e sabe-se lá a quantos mais que se lhe seguirão.
O meu amigo deve ter lido a entrevista do Salazar, ao Diário de Notícias de há uma semana por considerar que um dos vícios dos portugueses é pensar que o Estado deve ser o protector da sua incapacidade e o banqueiro inesgotável da sua penúria.
Naturalmente que estou pronta a reconhecer, que existe no povo português a tendência, para esperar, que sempre apareça um Sebastião, para o aparar e proteger, isso obviamente que pode se considerado um defeito, mas não pode deixar de se atender às realidades concretas, de cada povo.
Para se ser ambicioso, ter espírito de iniciativa, criatividade, enfim todos os requisitos, para que um povo se liberte, siga o seu caminho, sem esperar as migalhas que possam cair da mesa do poder, é preciso muito mais do que ser miseravelmente pobre, analfabeto e doente, como é esta gente que se arrasta pelas ruas de Lisboa ou pelos campos, sem o mínimo de condições para se poder superar, sem o amparo Estatal, se Salazar se demitir dessa função, pode equilibrar as finanças acabar com o deficit público, mas condena o seu povo, à morte lenta pela via do sofrimento
Referiu ainda o homem que para alguns, o Estado é o inimigo que não é crime defraudar
Terá razão por certo, mas também lhe digo, meu amigo, que nesse caso mais uma vez as responsabilidades cabem inteirinhas ao Estado e em especial ao próprio, não é então ele o Ministro das Finanças a quem compete (ou deveria competir), que cuide das Finanças Públicas ?, organize-se e veja antes de mais quem nos defrauda a todos.
Deixo-lhe esta foto que o Fernando Pessoa me entregou e que foi tirada há dias na adega do Abel Pereira da Fonseca e como o próprio disse "fui apanhado em flagrante de litro"
27 de outubro de 2008
Ópera no fim de ano
Casa Comum, 31 de Dezembro de 1928
A morte de Sebastião Magalhães de Lima, no passado dia 7 de Dezembro, desencadeou fortes manifestações oposicionistas, que em torno da sua personalidade se encontraram para mais uma vez contestar a ditadura "militar-pontifical" que se desenha no panorama político cada vez mais acentuadamente,
Você sabe amiga que eu não sou maçon, como o nosso homem dos sete-ofícios, advogado, jornalista, etc. mas acima de tudo rico, que dá imenso jeito, para se construir uma vida de independência, como aliás ele nas suas memórias não deixou de reconhecer "penso que é pela independência material que se consegue a independência moral",
Tudo isso é verdade minha amiga, muito embora para alguns a independência material, nunca é suficiente para alimentar a enormidade da sua imoralidade, mas isso digo eu.
Embora advogado de formação, é nos jornais que encontra a sua vocação e o livre curso, par dar asas ao seu republicanismo, nas páginas de O Seculo que ajudou a fundar e já lá vão quase 50 anos, embora esse jornal, já não conte com a sua participação.
Figura de grande prestígio também no estrangeiro, é um dos símbolos da República e é essa imagem que os manifestantes pretendem enaltecer, contrapondo à Ditadura, como não podia deixar de ser.
Magalhães de Lima, nunca quis cargos públicos, para além duma passagem fugaz como ministro da Instrução em 1915, era nos últimos anos um homem desiludido, sobretudo depois da candidatura frustada à Presidência da República.
Hoje passagem do ano, vou reunir alguns amigos aqui em casa esperando que a minha amiga se reuna a nós para ouvirmos integralmente a Cavalleria Rusticana acha boa ideia ? Apareça tenho chá e bolinhos e os os votos que 1929 seja bem melhor.
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22 de outubro de 2008
O Bolero e as listas do Sporting
Casa Comum, 30 de Novembro de 1928
Cara amiga Severa
Não cheguei a contar-lhe, mas no dia 5 de Outubro, 18º aniversário da implantação da República, fui ao campo assistir a um jogo de foot-ball entre o
Sporting Clube de Portugal e o seu rival de Lisboa, um tal Benfica.
Houve a particularidade de na 2º parte entrarem em campo, com outras camisolas, já que chovera bastante e desta vez, com uma equipe completamente diferente do habitual, listadas a verde e branco horizontalmente, contou-me o meu amigo Stromp, que por acaso já as haviam estreado fora de Portugal, no Brasil onde fomos jogar em digressão histórica neste Verão.
Toda a gente se agradou muito do novo visual, para mais baptizado com uma vitória por 3 a 1 sobre o rival Benfica.
Tínhamos esta camisola
e agora passamos a ter mais esta
Estou a contar-lhe isto, bem farto de saber que a minha amiga é toda da Academia de Coimbra, por causa dos estudos e do nascimento. Mas já agora aproveito para a saudar, pelo 8º aniversário do assalto que se tornou famoso e ficou conhecido como a Tomada da Bastilha no dia 25 de Novembro. Fica o registo para quem quer conhecer a vossa história
Quem não se terá aventurado em Coimbra, na vida sã do desporto, foi por certo o nosso beirão das Finanças. Vicente de Freitas vai de remodelação em remodelação, parece que mesmo à medida, segundo os gostos de Salazar, no que aos seus amigos diz respeito. Mário de Figueiredo na Justiça. Mesquita Guimarães nos Negócio Estrangeiros, o Cordeiro Ramos na INstrução e mais o que ai vier, são mesmo indicações que qualquer dia, Freitas se remodelará a si próprio.
Nós e as nossas compensações, vamos apesar de tudo, minimizando os efeitos dos desvarios, que nos cercam, mas e o povo ?, muitos, a maioria por certo nem ler sabe, como faz para mitigar as agruras da fome das dificuldades da vida ?
Ravel estreou o bolero na Ópera Garnier em Paris.
Cara amiga Severa
Não cheguei a contar-lhe, mas no dia 5 de Outubro, 18º aniversário da implantação da República, fui ao campo assistir a um jogo de foot-ball entre o
Sporting Clube de Portugal e o seu rival de Lisboa, um tal Benfica.Houve a particularidade de na 2º parte entrarem em campo, com outras camisolas, já que chovera bastante e desta vez, com uma equipe completamente diferente do habitual, listadas a verde e branco horizontalmente, contou-me o meu amigo Stromp, que por acaso já as haviam estreado fora de Portugal, no Brasil onde fomos jogar em digressão histórica neste Verão.
Toda a gente se agradou muito do novo visual, para mais baptizado com uma vitória por 3 a 1 sobre o rival Benfica.
Tínhamos esta camisola

e agora passamos a ter mais esta

Estou a contar-lhe isto, bem farto de saber que a minha amiga é toda da Academia de Coimbra, por causa dos estudos e do nascimento. Mas já agora aproveito para a saudar, pelo 8º aniversário do assalto que se tornou famoso e ficou conhecido como a Tomada da Bastilha no dia 25 de Novembro. Fica o registo para quem quer conhecer a vossa história
Quem não se terá aventurado em Coimbra, na vida sã do desporto, foi por certo o nosso beirão das Finanças. Vicente de Freitas vai de remodelação em remodelação, parece que mesmo à medida, segundo os gostos de Salazar, no que aos seus amigos diz respeito. Mário de Figueiredo na Justiça. Mesquita Guimarães nos Negócio Estrangeiros, o Cordeiro Ramos na INstrução e mais o que ai vier, são mesmo indicações que qualquer dia, Freitas se remodelará a si próprio.
Nós e as nossas compensações, vamos apesar de tudo, minimizando os efeitos dos desvarios, que nos cercam, mas e o povo ?, muitos, a maioria por certo nem ler sabe, como faz para mitigar as agruras da fome das dificuldades da vida ?
Ravel estreou o bolero na Ópera Garnier em Paris.
14 de outubro de 2008
A Opus Dei abençoa o trabalho não o salário
Casa Comum, 31 de Outubro de 1928
O meu amigo deve ter lido nos jornais que no dia 2 de Outubro, foi criada por um tal Josémaria Escrivá de Balaguer uma instituição da Igreja Católica, chamada Opus Dei, que em latim como sabe quer dizer Obra de Deus
A sua missão consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias habituais são ocasião para um encontro com Deus, para o serviço aos outros e para melhorar a sociedade.
Concretamente, o Opus Dei procura difundir a vida cristã no mundo, no trabalho e na família, a chamada universal à santidade e o valor santificador do trabalho quotidiano.
Perturba-me o aparecimento deste tipo de instituições, transportando estas filosofias de escravização, ou se achar a palavra um pouco exagerada, substituo por subordinação do trabalho ao capital, para mais usando-se a benção do manto episcopal, que você sabe tão bem como eu a importância que têm neste País ainda que o Republicanismo ateu, se esforce por passar outra mensagem, foram séculos de evangelização e isso tem o seu peso.
Dir-me-á que essa coisa da Opus Dei, é uma espanholada e por lá há-de ficar, a ver vamos se não se esparrama para cá.
Repare na expressão valor santificador do trabalho quotidiano, não se referindo nunca ao facto desse trabalho santificador, exigir uma remuneração justa e adequada, posto assim como ele enunciam, quase apetecer dizer que se propõe, o trabalho grátis, já que se oferece a contrapartida da beatificação.
Decididamente essa coisa dos pobrezinhos, felizes e pelos visto agora santos, a mim não me convence.
Muito mais interessante foi o anuncio que tivemos da descoberta da penicilina, por um médico escocês Alexandre Fleming, que com seus estudos durante a Guerra Mundial como membro do Corpo Médico do Exército Real e perturbado com o alto índice de soldados mortos por ferimentos infeccionados, começou a questionar a efectividade do tratamento de tecidos doentes ou danificados com os anti-sépticos que estavam sendo usados.
Numa série de testes brilhantes, demonstrou que esse produtos, mais prejudicavam do que ajudavam, já que matavam células do sistema imunológico, facilitando ainda mais o aumento da infecção.
Parece que acabou por descobrir essa tal penicilina, um pouco por acaso, dir-se-á por um "acidente benigno", se me é permitida a expressão, mas vamos ter esperança que um dia se possa produzir esse tal antídoto em quantidade suficiente para liquidar de vez os acidentes infecciosos.
Tenho uma novidade para si Luís de Freitas Branco acaba de editar a sua 2ª Sonata para Violino e Piano
O meu amigo deve ter lido nos jornais que no dia 2 de Outubro, foi criada por um tal Josémaria Escrivá de Balaguer uma instituição da Igreja Católica, chamada Opus Dei, que em latim como sabe quer dizer Obra de Deus
A sua missão consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias habituais são ocasião para um encontro com Deus, para o serviço aos outros e para melhorar a sociedade.
Concretamente, o Opus Dei procura difundir a vida cristã no mundo, no trabalho e na família, a chamada universal à santidade e o valor santificador do trabalho quotidiano.
Perturba-me o aparecimento deste tipo de instituições, transportando estas filosofias de escravização, ou se achar a palavra um pouco exagerada, substituo por subordinação do trabalho ao capital, para mais usando-se a benção do manto episcopal, que você sabe tão bem como eu a importância que têm neste País ainda que o Republicanismo ateu, se esforce por passar outra mensagem, foram séculos de evangelização e isso tem o seu peso.
Dir-me-á que essa coisa da Opus Dei, é uma espanholada e por lá há-de ficar, a ver vamos se não se esparrama para cá.
Repare na expressão valor santificador do trabalho quotidiano, não se referindo nunca ao facto desse trabalho santificador, exigir uma remuneração justa e adequada, posto assim como ele enunciam, quase apetecer dizer que se propõe, o trabalho grátis, já que se oferece a contrapartida da beatificação.
Decididamente essa coisa dos pobrezinhos, felizes e pelos visto agora santos, a mim não me convence.
Muito mais interessante foi o anuncio que tivemos da descoberta da penicilina, por um médico escocês Alexandre Fleming, que com seus estudos durante a Guerra Mundial como membro do Corpo Médico do Exército Real e perturbado com o alto índice de soldados mortos por ferimentos infeccionados, começou a questionar a efectividade do tratamento de tecidos doentes ou danificados com os anti-sépticos que estavam sendo usados.
Numa série de testes brilhantes, demonstrou que esse produtos, mais prejudicavam do que ajudavam, já que matavam células do sistema imunológico, facilitando ainda mais o aumento da infecção.
Parece que acabou por descobrir essa tal penicilina, um pouco por acaso, dir-se-á por um "acidente benigno", se me é permitida a expressão, mas vamos ter esperança que um dia se possa produzir esse tal antídoto em quantidade suficiente para liquidar de vez os acidentes infecciosos.
Tenho uma novidade para si Luís de Freitas Branco acaba de editar a sua 2ª Sonata para Violino e Piano
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11 de outubro de 2008
Medalha de bronze nos Olímpicos de Amesterdão
Casa Comum, 15 de Agosto de 1928
Cara amiga Severa
A vida afinal não é só composta de misérias, tristezas e desencontros, pelo menos regresso de Amesterdão banhado pela beleza da ilusão (será ?) do entendimento entre os povos, que os Jogos Olímpicos nos induzem.
Curiosamente esta 9ª edição foi a primeira edição da era moderna onde o Barão de Coubertin não esteve presente por doença a mesma onde pela primeira vez a chama olímpica se manteve acesa durante toda a duração dos jogos.
O grande momento para mim foi quando um remador australiano, parou para deixar passar uma família de patos que atravessava em fila frente ao seu barco e mesmo assim , conseguiu ganhar e acabaria por conquistar a medalha de ouro na final.
Fiquei feliz , sobretudo pela amiga Severa pois as mulheres tiveram o direito de competir pela primeira vez nos jogos, apesar das objeções do Papa Pio IX sempre reaccionária a Igreja Católica Apostólica Romana, insiste em menosprezar o papel das nossas companheiras.
O importante é competir, mas até obtivemos alguns resultados interessantes, mas só uma medalha de bronze, na esgrima por equipas. Enfim é a nossa pequenez, mas apesar de tudo viemos medalhados, entre 46 nações presentes.
Pois aproveito a viagem por forma a estar presente na estreia em Berlim da Ópera de 3 vinténs de Bertolt Brecht no dia 31 deste mês, depois lhe conto em pormenor, minha cara amiga.
Ai no nosso cantinho disseram-me que o "nosso" beirão das Finaças apresentou um orçamento para o ano que vem, com um superavit de 1577, eis reflexo da ditadura das finanças, mas presumo minha cara amiga que infelizmente não serei eu nem você, que vamos apertar o cinto, para o homem cumprir esse desiderato, são sempre os mesmos que já passam fome e morrem tuberculosos.
Despeço-me com a notícia da morte recente de Janacek um músico checo, que sei a minha amiga gostar muito, por me recordar ouvirmos a Sinfonietta em sua casa.
Cara amiga Severa
A vida afinal não é só composta de misérias, tristezas e desencontros, pelo menos regresso de Amesterdão banhado pela beleza da ilusão (será ?) do entendimento entre os povos, que os Jogos Olímpicos nos induzem.
Curiosamente esta 9ª edição foi a primeira edição da era moderna onde o Barão de Coubertin não esteve presente por doença a mesma onde pela primeira vez a chama olímpica se manteve acesa durante toda a duração dos jogos.
O grande momento para mim foi quando um remador australiano, parou para deixar passar uma família de patos que atravessava em fila frente ao seu barco e mesmo assim , conseguiu ganhar e acabaria por conquistar a medalha de ouro na final.
Fiquei feliz , sobretudo pela amiga Severa pois as mulheres tiveram o direito de competir pela primeira vez nos jogos, apesar das objeções do Papa Pio IX sempre reaccionária a Igreja Católica Apostólica Romana, insiste em menosprezar o papel das nossas companheiras.
O importante é competir, mas até obtivemos alguns resultados interessantes, mas só uma medalha de bronze, na esgrima por equipas. Enfim é a nossa pequenez, mas apesar de tudo viemos medalhados, entre 46 nações presentes.
Pois aproveito a viagem por forma a estar presente na estreia em Berlim da Ópera de 3 vinténs de Bertolt Brecht no dia 31 deste mês, depois lhe conto em pormenor, minha cara amiga.
Ai no nosso cantinho disseram-me que o "nosso" beirão das Finaças apresentou um orçamento para o ano que vem, com um superavit de 1577, eis reflexo da ditadura das finanças, mas presumo minha cara amiga que infelizmente não serei eu nem você, que vamos apertar o cinto, para o homem cumprir esse desiderato, são sempre os mesmos que já passam fome e morrem tuberculosos.
Despeço-me com a notícia da morte recente de Janacek um músico checo, que sei a minha amiga gostar muito, por me recordar ouvirmos a Sinfonietta em sua casa.
3 de outubro de 2008
Vamos ter um super-polícia
Casa Comum, 31 de Julho de 1928
É de facto maravilhosa a sensação que colhi da visita que lhe fiz, onde à volta do nosso cházinho em fim de tarde, ouvir essa soberba 9ª Sinfonia do nosso Beethoven, como gostamos de lhe chamar.
A música de Beethoven, tem realmente qualquer coisa de empolgante, libertador, apetece sair para a rua e gritar Liberdade, ou vivas à Republica, de cujos ideais nos vamos afastando cada vez mais e infelizmente não só em Portugal, veja o rumos dos acontecimento por exemplo na Itália do sr.Mussolini e seus fascistas.
Por cá foi criada uma Intendência Geral de Segurança Pública, que engloba a GNR a PSP e todas as outras polícias, que ao que se me constou vai ser comandada por um super-polícia, Ao que me disseram fala-se no Coronel Mouzinho de Albuquerque.
Os generais situacionista, estão cada vez com mais força, o primeiro-ministro o agora general Vicente de Freitas, parece-me encalhado (apesar de tudo), entre o Carmona, presidente da Republica e o crescentemente preponderante Salazar, SÒ ministro das Finanças mas que tanto agrada ,aos militares afectos ao regime.
Estão presas já centenas de pessoas, mas os inúmeros levantamentos que se registam por todo o Pais parecem-me inconsequentes, por falta dum elemento catalizador. Os movimentos políticos novos e que poderiam, trazer alguma "frescura " revolucionária, ultrapassando os velhos conceitos republicanos ou o sindicalismo anarquista, ainda são demasiado jovens para se imporem, pelo menos foi o que depreendi, há dias quando falei com um recente militante do Partido Comunista, de nome Bento Gonçalves, oriundo dos quadros do Arsenal do Alfeite, onde era torneiro mecânico, mas já ali desenvolvera uma grande actividade sindical, embora só tendo 26 anos.
Enfim à maneira de Breton termino por hoje citando-o "A palavra Liberdade é tudo o que me exalta ainda"
É de facto maravilhosa a sensação que colhi da visita que lhe fiz, onde à volta do nosso cházinho em fim de tarde, ouvir essa soberba 9ª Sinfonia do nosso Beethoven, como gostamos de lhe chamar.
A música de Beethoven, tem realmente qualquer coisa de empolgante, libertador, apetece sair para a rua e gritar Liberdade, ou vivas à Republica, de cujos ideais nos vamos afastando cada vez mais e infelizmente não só em Portugal, veja o rumos dos acontecimento por exemplo na Itália do sr.Mussolini e seus fascistas.
Por cá foi criada uma Intendência Geral de Segurança Pública, que engloba a GNR a PSP e todas as outras polícias, que ao que se me constou vai ser comandada por um super-polícia, Ao que me disseram fala-se no Coronel Mouzinho de Albuquerque.
Os generais situacionista, estão cada vez com mais força, o primeiro-ministro o agora general Vicente de Freitas, parece-me encalhado (apesar de tudo), entre o Carmona, presidente da Republica e o crescentemente preponderante Salazar, SÒ ministro das Finanças mas que tanto agrada ,aos militares afectos ao regime.
Estão presas já centenas de pessoas, mas os inúmeros levantamentos que se registam por todo o Pais parecem-me inconsequentes, por falta dum elemento catalizador. Os movimentos políticos novos e que poderiam, trazer alguma "frescura " revolucionária, ultrapassando os velhos conceitos republicanos ou o sindicalismo anarquista, ainda são demasiado jovens para se imporem, pelo menos foi o que depreendi, há dias quando falei com um recente militante do Partido Comunista, de nome Bento Gonçalves, oriundo dos quadros do Arsenal do Alfeite, onde era torneiro mecânico, mas já ali desenvolvera uma grande actividade sindical, embora só tendo 26 anos.
Enfim à maneira de Breton termino por hoje citando-o "A palavra Liberdade é tudo o que me exalta ainda"
28 de setembro de 2008
Em Portugal o trânsito é pela direita
Chegada da Argentina onde assisti ao nascimento do jovem Ernesto, filho da minha amiga Célia, viagem de que guardo excelentes recordações, que lhas contarei brevemente.
De volta è nossa Lisboa, muito me surpreendeu o facto de finalmente ver o caótico transito da nossa cidade, ser regulamentado e por força da publicação do código da estrada, passarem os veículos a circular pela direita, entre outras regras, é preciso não esquecer que existem em Portugal hoje mais de 30.000 encartados e cerca de 28.000 veículos registados.
O trânsito político, também cada vez mais pela direita e com sentido único. Em marcha acentuada lá vamos andando pela ditadura financeira do espartilho acolitado pela clique militar que na sequência da romaria do mês passado, continuam afirmar o seu apoio incondicional a Oliveira Salazar
Salazar agradece os cumprimentos dos oficiais da guarnição militar de Lisboa: é a ascensão dolorosa dum calvário. No cimo podem morrer os homens, mas redimem-se as pátrias!.,disse no seu tom de sacristão.

Há dias falou-se aqui na causa do movimento sufragista e dos direitos das mulheres. Quero a propósito lembrar o falecimento, no passado dia 14 de Junho, de Emmeline Pankhurst a corajosa lutadora inglesa
Finalmente, a chamada Lei da Representação Popular, que concedia o direito de voto às mulheres, foi aprovada algumas semanas antes da sua morte. Ela que havia sido a figura central desta luta, ainda assistiu em vida à sua vitória.
Acabo falando de novo na Argentina, dum jovem cantador de tangos, chamado Carlos Gardel, não porque seja argentino, porque o seu local de nascimento é controverso, para uns terá nascido no Uruguai, para outros na europeia Toulouse. O próprio diz com muita graça "Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade".
Lançou agora um novo tango chamado Adios muchachos, mas como não consegui obter a gravação , deixo aqui a seu tema de estreia, chamado Mi noche triste
Já agora meu caro amigo, aproveito para o convidar a passar pelo meu espaço novo, agora que o comecei a arrumar, para ouvir do nosso Beethoven a Eróica.
Casa Comum, 30 de Junho de 1928
De volta è nossa Lisboa, muito me surpreendeu o facto de finalmente ver o caótico transito da nossa cidade, ser regulamentado e por força da publicação do código da estrada, passarem os veículos a circular pela direita, entre outras regras, é preciso não esquecer que existem em Portugal hoje mais de 30.000 encartados e cerca de 28.000 veículos registados.
O trânsito político, também cada vez mais pela direita e com sentido único. Em marcha acentuada lá vamos andando pela ditadura financeira do espartilho acolitado pela clique militar que na sequência da romaria do mês passado, continuam afirmar o seu apoio incondicional a Oliveira Salazar
Salazar agradece os cumprimentos dos oficiais da guarnição militar de Lisboa: é a ascensão dolorosa dum calvário. No cimo podem morrer os homens, mas redimem-se as pátrias!.,disse no seu tom de sacristão.

Há dias falou-se aqui na causa do movimento sufragista e dos direitos das mulheres. Quero a propósito lembrar o falecimento, no passado dia 14 de Junho, de Emmeline Pankhurst a corajosa lutadora inglesa
Finalmente, a chamada Lei da Representação Popular, que concedia o direito de voto às mulheres, foi aprovada algumas semanas antes da sua morte. Ela que havia sido a figura central desta luta, ainda assistiu em vida à sua vitória.
Acabo falando de novo na Argentina, dum jovem cantador de tangos, chamado Carlos Gardel, não porque seja argentino, porque o seu local de nascimento é controverso, para uns terá nascido no Uruguai, para outros na europeia Toulouse. O próprio diz com muita graça "Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade".
Lançou agora um novo tango chamado Adios muchachos, mas como não consegui obter a gravação , deixo aqui a seu tema de estreia, chamado Mi noche triste
Já agora meu caro amigo, aproveito para o convidar a passar pelo meu espaço novo, agora que o comecei a arrumar, para ouvir do nosso Beethoven a Eróica.
Casa Comum, 30 de Junho de 1928
22 de setembro de 2008
Chegou a ditadura das Finanças
Minha cara Severa
Lamento que vc, não tenha podido acompanhar-me ao Chiado Terrasse quando há dias fui ver o novo filme do Charlie Chaplin, a que chamou o Circo. Recordo ainda como gostou daquele outro que vimos já há um tempo o Garoto.
De facto ese jovem comediante inglês tem imenso talento, muito embora como tantos outros seus colegas me pareça também não querer aderir aos novos tempos do sonoro, neste caso justificado, porque me parece que o seu tipo de trabalho com esta figura de Charlot, só tería a perder "sonorizando" a sua voz.
Era o que precisavam de perceber alguns políticos que por aí andam, mudos, prestavam melhor serviço ao País.
Já sei que você está de partida para a Argentina, para acompanhar a sua amiga Celia de la Serna, que recentemente foi mãe, nos primeiros tempos de vida do filho que me disse chamar-se Ernesto.
O nosso Charlot das finanças, o insignificante beirão, começa a ganhar peso no governo do Vicente de Freitas de tal modo que já se fala numa DITADURA DAS FINANÇAS, tomando conta por dentro da própria estrutura do governo, com o apoio militar pois veja bem que no segundo aniversário do 28 de Maio, os oficiais da guarnição militar de Lisboa, presidida por Domingos de Oliveira vão visitar Salazar agradecendo-lhe a obra feita.
Muito embora em pouco tempo, o homem já se fez uma reforma orçamental (14 de Maio), onde se proíbe a criação de novas despesas sem autorização do ministério das finanças, como disse o Fernando Pessoa aí está a Ditadura das Finanças.
Salazar passa a ter como subsecretário de Estado do Orçamento Guilherme Luiselo Alves Moreira, desde 4 de Maio. O respectivo chefe de gabinete é Antero Leal Marques, antigo funcionário das finanças de Coimbra. Mantém a colaboração activa do director-geral da fazenda e secretário-geral do ministério Alberto Xavier, republicano convicto e antigo chefe de gabinete de Álvaro de Castro, que chegara a estar preso, durante um mês, em 1927. Outro elemento colaborador, proveniente da anterior máquina republicana, é o governador do Banco de Portugal, Inocêncio Camacho.
É esta minha amiga pois a equipe da Ditadura Financeira, com militares a ajudar não me agrada pensar que se vá eternizar.
Ouvi dizer que o Shostakovitch estreou uma ópera chamada o Nariz, enquanto não sabemos nada sobre isso aqui fica a Second Waltz.
Casa Comun, 31 de Maio de 1928
Lamento que vc, não tenha podido acompanhar-me ao Chiado Terrasse quando há dias fui ver o novo filme do Charlie Chaplin, a que chamou o Circo. Recordo ainda como gostou daquele outro que vimos já há um tempo o Garoto.
De facto ese jovem comediante inglês tem imenso talento, muito embora como tantos outros seus colegas me pareça também não querer aderir aos novos tempos do sonoro, neste caso justificado, porque me parece que o seu tipo de trabalho com esta figura de Charlot, só tería a perder "sonorizando" a sua voz.
Era o que precisavam de perceber alguns políticos que por aí andam, mudos, prestavam melhor serviço ao País.
Já sei que você está de partida para a Argentina, para acompanhar a sua amiga Celia de la Serna, que recentemente foi mãe, nos primeiros tempos de vida do filho que me disse chamar-se Ernesto.
O nosso Charlot das finanças, o insignificante beirão, começa a ganhar peso no governo do Vicente de Freitas de tal modo que já se fala numa DITADURA DAS FINANÇAS, tomando conta por dentro da própria estrutura do governo, com o apoio militar pois veja bem que no segundo aniversário do 28 de Maio, os oficiais da guarnição militar de Lisboa, presidida por Domingos de Oliveira vão visitar Salazar agradecendo-lhe a obra feita.
Muito embora em pouco tempo, o homem já se fez uma reforma orçamental (14 de Maio), onde se proíbe a criação de novas despesas sem autorização do ministério das finanças, como disse o Fernando Pessoa aí está a Ditadura das Finanças.
Salazar passa a ter como subsecretário de Estado do Orçamento Guilherme Luiselo Alves Moreira, desde 4 de Maio. O respectivo chefe de gabinete é Antero Leal Marques, antigo funcionário das finanças de Coimbra. Mantém a colaboração activa do director-geral da fazenda e secretário-geral do ministério Alberto Xavier, republicano convicto e antigo chefe de gabinete de Álvaro de Castro, que chegara a estar preso, durante um mês, em 1927. Outro elemento colaborador, proveniente da anterior máquina republicana, é o governador do Banco de Portugal, Inocêncio Camacho.
É esta minha amiga pois a equipe da Ditadura Financeira, com militares a ajudar não me agrada pensar que se vá eternizar.
Ouvi dizer que o Shostakovitch estreou uma ópera chamada o Nariz, enquanto não sabemos nada sobre isso aqui fica a Second Waltz.
Casa Comun, 31 de Maio de 1928
14 de setembro de 2008
Um dia talvez as mulheres possam votar
Pela segunda vez depois de Sidónio Pais, um Peresidente da República Portuguesa, foi eleito pelo voto popular e foi assim que Óscar Carmona, que já assumira a presidência interinamente se viu sufragado como o 11º Presidente da República.

Tomou posse em 15 de Abril passado e nomeou a 18 um novo governo sob a presidência do Coronel José Vicente de Freitas, um militar madeirense agraciado com a Torre e Espada, por distinção em actuação na guerra Mundial.
Assim se mascara a ditadura de democrática, fazendo crer que o acto eleitoral, os pode legitimar

Pergunto-me o que fará um militar na chefia do governo, especialista em cartografia, conhece-se dele uma planta de Lisboa ao que me dizem de notável qualidade técnica e artística, duvido que tais atributos sejam suficientes para levar a nau a bom porto. Deus queira que me possa enganar, para bem de Portugal.
Para ele reservou igualmente a pasta do Interior, Silva Monteiro para a Justiça, na Guerra Morais Sarmento, na Marinha Mesquita Guimarães, nos Estrangeiros Bettencourt Rodrigues, Duarte Pacheco na Instrução Pública e um tal Oliveira Salazar para as Finanças, que tomou posse há 3 dias no dia 27 de Abril, em vésperas de perfazer 39 anos.
Proclama então: sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar.
Como conceito para "início de vida", parece-me encerrar desde logo uma certa visão excessivamente "independentísta", face a eventuais opiniões discordantes.
Este mês o jornal Novidades publicou uma entrevista coma Drª Paulina Luisi , por acaso a primeira mulher uruguaia a formar-se em medicina e entre as suas multiplas actividades dedica-se à defesa dos direitos das mulheres, entre eles o direito ao voto, não só obviamente das mulheres uruguaias mas ás de todo o Mundo, incluindo as portuguesas (acrescento eu), que tão longe estão desses direitos.
No Portugal de hoje, declara-se que as mulheres portuguesas são inimigas irreconciliáveis da República, e que, conceder-lhes o voto, seria transformar Portugal numa antecâmara do Vaticano-
A Drª Paulina Luisi é pois um exemplo a seguir por todas as mulheres, ele que também é fundadora do Partido Socialista do Uruguai, mas socialismo e direitos das mulheres são ainda entre muitas coisas conceitos proibidos por aqui, que o digam a Drªs Elina Gumarães, Adelaide Cabete, entre outras, que seguem o exemplo da Drª Beatriz Ângelo que conseguiu votar em 1911, contornando a lei que só permitia votar aos cidadãos maiores de 21 anos que fossem chefes de família ou que soubessem ler e escrever, (ela era médica, mãe e viúva)
Para evitar estes contornos foi modificada o direito abrangendo somente pessoas do sexo masculino.
Casa Comum, 30 de Abril de 1928

Tomou posse em 15 de Abril passado e nomeou a 18 um novo governo sob a presidência do Coronel José Vicente de Freitas, um militar madeirense agraciado com a Torre e Espada, por distinção em actuação na guerra Mundial.
Assim se mascara a ditadura de democrática, fazendo crer que o acto eleitoral, os pode legitimar
Pergunto-me o que fará um militar na chefia do governo, especialista em cartografia, conhece-se dele uma planta de Lisboa ao que me dizem de notável qualidade técnica e artística, duvido que tais atributos sejam suficientes para levar a nau a bom porto. Deus queira que me possa enganar, para bem de Portugal.
Para ele reservou igualmente a pasta do Interior, Silva Monteiro para a Justiça, na Guerra Morais Sarmento, na Marinha Mesquita Guimarães, nos Estrangeiros Bettencourt Rodrigues, Duarte Pacheco na Instrução Pública e um tal Oliveira Salazar para as Finanças, que tomou posse há 3 dias no dia 27 de Abril, em vésperas de perfazer 39 anos.
Proclama então: sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar.
Como conceito para "início de vida", parece-me encerrar desde logo uma certa visão excessivamente "independentísta", face a eventuais opiniões discordantes.
Este mês o jornal Novidades publicou uma entrevista coma Drª Paulina Luisi , por acaso a primeira mulher uruguaia a formar-se em medicina e entre as suas multiplas actividades dedica-se à defesa dos direitos das mulheres, entre eles o direito ao voto, não só obviamente das mulheres uruguaias mas ás de todo o Mundo, incluindo as portuguesas (acrescento eu), que tão longe estão desses direitos.
No Portugal de hoje, declara-se que as mulheres portuguesas são inimigas irreconciliáveis da República, e que, conceder-lhes o voto, seria transformar Portugal numa antecâmara do Vaticano-
A Drª Paulina Luisi é pois um exemplo a seguir por todas as mulheres, ele que também é fundadora do Partido Socialista do Uruguai, mas socialismo e direitos das mulheres são ainda entre muitas coisas conceitos proibidos por aqui, que o digam a Drªs Elina Gumarães, Adelaide Cabete, entre outras, que seguem o exemplo da Drª Beatriz Ângelo que conseguiu votar em 1911, contornando a lei que só permitia votar aos cidadãos maiores de 21 anos que fossem chefes de família ou que soubessem ler e escrever, (ela era médica, mãe e viúva)
Para evitar estes contornos foi modificada o direito abrangendo somente pessoas do sexo masculino.
Casa Comum, 30 de Abril de 1928
6 de setembro de 2008
Existirá vida para além do deficit ?

Minha cara amiga Severa, tenho estranhado a sua ausência, tanto assim que aceitei o seu convite de subir aos seu cantinho, para ouvir uma coisa que me deu saudade e que tenho pena de não ter partilhado com a minha cara amiga. "Desembrulhei" a sua vasta colecção Beethoven e deliciei-me com a sempre maravilhosa Sonata nº2 em dó sustenido menor op.27 a Sonata ao luar.
Deu-me para me lembrar de Rilke falecido em 1926, porque também mais uma vez seguindo os seus avisados conselhos é na arte que podemos encontrar lenitivo, para os dias cinzentos que vivemos.
Recordo-lhe este poema e que dizer dele, aparenta arrogância de sentir quase divino, mas ostenta a sua (e nossa) indiscutível pequenez, não acha
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.
Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.
Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.
Por cá os nossos pequenos "deuses", que espero efémeros, continuam a sua ascenção ao poder, culminada com a "eleição" de Carmona para Presidente da Republica. Rica eleição esta quando aos opositores é proibida a actividade política, muito embora a operação de maquilhagem da polícia política especial de Lisboa e Porto, tenha dado lugar "apenas" a uma Polícia de Informações do Ministério do Interior.
Por mim sempre me assustaram as criações, dos super polícias, mesmo que sejam só rotulados de Informadores.
O Sínel de Cordes continua a levar nas lonas dum tal António de Oliveira Salazar, nas páginas do Novidades, que ataca ferozmente a política do Ministro das Finanças. Claro que parece ser oposição, mas quanto a mim e a outras pessoas mais dadas às questões da Economia, não deixam de considerar correctos os seus pontos de vista, naturalmente muito mais abalizados por ser um regente de Finanças e de Economia Política de Coimbra, do que as medidas preconizadas pelo general Sínel, que toma medidas da ... corda
Diz-lhe o Oliveira Salazar que foi um erro o Sínel ter "esmolado" um grande empréstimo internacional, sem ter garantido um prévio restabelecimento orçamental.
Provavelmente o Sínel de Corde está convencido que existe vida para além do deficit.
Casa Comum, 31 de Março de 1928
Recordo-lhe este poema e que dizer dele, aparenta arrogância de sentir quase divino, mas ostenta a sua (e nossa) indiscutível pequenez, não acha
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.
Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.
Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.
Por cá os nossos pequenos "deuses", que espero efémeros, continuam a sua ascenção ao poder, culminada com a "eleição" de Carmona para Presidente da Republica. Rica eleição esta quando aos opositores é proibida a actividade política, muito embora a operação de maquilhagem da polícia política especial de Lisboa e Porto, tenha dado lugar "apenas" a uma Polícia de Informações do Ministério do Interior.
Por mim sempre me assustaram as criações, dos super polícias, mesmo que sejam só rotulados de Informadores.
O Sínel de Cordes continua a levar nas lonas dum tal António de Oliveira Salazar, nas páginas do Novidades, que ataca ferozmente a política do Ministro das Finanças. Claro que parece ser oposição, mas quanto a mim e a outras pessoas mais dadas às questões da Economia, não deixam de considerar correctos os seus pontos de vista, naturalmente muito mais abalizados por ser um regente de Finanças e de Economia Política de Coimbra, do que as medidas preconizadas pelo general Sínel, que toma medidas da ... corda
Diz-lhe o Oliveira Salazar que foi um erro o Sínel ter "esmolado" um grande empréstimo internacional, sem ter garantido um prévio restabelecimento orçamental.
Provavelmente o Sínel de Corde está convencido que existe vida para além do deficit.
Casa Comum, 31 de Março de 1928
1 de setembro de 2008
Como tornar nossos dias menos escuros
Quero dizer-lhe meu caro amigo que não perca de vista um jovem chileno de apenas 23 anos e que dá pelo pseudónimo de Pablo Neruda.
Já tive oportunidade de ler esse seu livro de estreia, que chamou Crepusculário e que lhe deixo na secretária da sua biblioteca, para que passe, uma leitura atenta, como é seu hábito
Sei que ele também já publicou em 1924 mais vinte poemas de amor e uma canção desesperada, onde destaco um deles, para mim de rara beleza onde diz
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que
continues me olhando.
Sei que o meu amigo, tal como eu, anda apreensivo, com os rumos da vida política portuguesa, cada vez mais longe dos ideais republicanos, aproximando-se das ditaduras fascistas europeias, como estamos a assistir acontecer aqui ao lado nos "nuestros hermano" e em Itália.
Faça como Neruda mas passe a desejar 6 coisas, inclua a Liberdade, sem a qual essa outras 5 sabem a nada.
O Sinel de Cordes, nas Finanças, soube à pouco ,recusou as soluções apresentadas para a remodelação do sistema fiscal, apresentadas pela comissão que foi criada e presidida por um tal Oliveira Salazar.
O Golpe dos Fifis em Agosto, também não deu em nada. Tenho como certo que um golpe, qualquer golpe militar, só terá êxito se envolver um causa nacional e popular.
Mas meu caro não era um golpe deste tipo que nós ansiamos, já que desta vez este golpe dos Fifis, não é mais do que questão interna dentro da própria ditadura.
Contestação a Sínel de Cordes a sua substituição por outra flor do mesmo jardim, não é objectivo, poderá ser para Morais Sarmento, mas não para os republicanos liberais.
Curioso é o nome que a imaginação popular já baptizou por Fifis, Filomeno mais Fidelino de Figueiredo, mas na prática não são mais do que divergências envolvendo o Integralismo Lusitano e as suas figuras mais proeminentes.
Há muito tempo que não falamos de música, soube que o nosso Rachmaninov, está nos Estados Unidos, provavelmente descontente com o rumo dos acontecimentos políticos na sua pátria Russa.
Deixo-lhe para recordar o 1º andamento do seu Piano Concerto nº 2.
Querendo ouvir o resto o meu amigo já sabe, é só subir e ao meu cantinho.
Rachmaninov e Neruda são as minhas propostas de hoje, para um dia menos escuro, não é afinal para isso que serve a arte ?
Casa Comum, 31 de Agosto de 1727
Já tive oportunidade de ler esse seu livro de estreia, que chamou Crepusculário e que lhe deixo na secretária da sua biblioteca, para que passe, uma leitura atenta, como é seu hábito
Sei que ele também já publicou em 1924 mais vinte poemas de amor e uma canção desesperada, onde destaco um deles, para mim de rara beleza onde diz
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que
continues me olhando.
Sei que o meu amigo, tal como eu, anda apreensivo, com os rumos da vida política portuguesa, cada vez mais longe dos ideais republicanos, aproximando-se das ditaduras fascistas europeias, como estamos a assistir acontecer aqui ao lado nos "nuestros hermano" e em Itália.
Faça como Neruda mas passe a desejar 6 coisas, inclua a Liberdade, sem a qual essa outras 5 sabem a nada.
O Sinel de Cordes, nas Finanças, soube à pouco ,recusou as soluções apresentadas para a remodelação do sistema fiscal, apresentadas pela comissão que foi criada e presidida por um tal Oliveira Salazar.
O Golpe dos Fifis em Agosto, também não deu em nada. Tenho como certo que um golpe, qualquer golpe militar, só terá êxito se envolver um causa nacional e popular.
Mas meu caro não era um golpe deste tipo que nós ansiamos, já que desta vez este golpe dos Fifis, não é mais do que questão interna dentro da própria ditadura.
Contestação a Sínel de Cordes a sua substituição por outra flor do mesmo jardim, não é objectivo, poderá ser para Morais Sarmento, mas não para os republicanos liberais.
Curioso é o nome que a imaginação popular já baptizou por Fifis, Filomeno mais Fidelino de Figueiredo, mas na prática não são mais do que divergências envolvendo o Integralismo Lusitano e as suas figuras mais proeminentes.
Há muito tempo que não falamos de música, soube que o nosso Rachmaninov, está nos Estados Unidos, provavelmente descontente com o rumo dos acontecimentos políticos na sua pátria Russa.
Deixo-lhe para recordar o 1º andamento do seu Piano Concerto nº 2.
Querendo ouvir o resto o meu amigo já sabe, é só subir e ao meu cantinho.
Rachmaninov e Neruda são as minhas propostas de hoje, para um dia menos escuro, não é afinal para isso que serve a arte ?
Casa Comum, 31 de Agosto de 1727
21 de agosto de 2008
A Liga de Paris precisa de asas para voar

Enquanto os sinais de reforço dos poderes ditatoriais continuam a acentuar-se em Portugal e no resto da Europa, acrescente-se, se torna evidente a clivagem entre as forças pró-ditatoriais e os resistentes republicanos.
A luta continua aberta, embora desigual, começando o ataque à imprensa livre afecta ás forças republicanas, como o ataque às instalações do jornal a Batalha, o jornal propriedade da União Operária Nacional de tendência anarquista, na sequência aliás da ofensiva contra o sindicalismo de esquerda, já que dias antes também a Confederação Geral do Trabalho havia sido dissolvida.
Em contra-partida o governo de Vicente de Freitas diz querer transformar o 1º de Maio numa Festa do Trabalho a ser "comemorada em serenidade, paz e harmonia social". É este o conceito das forças da ditadura, tentar governamentalizar o movimento sindical autónomo, por forma a que pela utilização de frases queridas aos ouvidos de toda a gente, colocar um orgão criado para defesa dos interesses dos trabalhadores ao seu serviço.
A Liga de Defesa da República, foi criada em Paris em torno de Afonso Costa, constituida por nomes como Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos, Jaime Cortesão e António Sérgio, disseram-me que se propõe lançar dali as bases da luta contra a ditadura instalada no poder
Naturalmente que tenho algumas dúvidas, que essa luta dirigida do exterior possa ter uma acção preponderante, razão provável para que tenham considerado importante aceitar uma ligação à CGT por terem ligações com os comunistas e visto a República dever encaminhar-se para a esquerda, apoiando-se nas classes operárias, segundo a visão expressa por Afonso Costa,
Os sonhos de Afonso Costa e da Liga de Paris precisam de ganhar asas para poder voar. Voar como Charles Lindbergh, um jovem de 25 anos, que ontem conseguiu o feito brilhante e ousado de fazer a ligação a Paris por avião por sobre o Atlântico apenas em 33 horas e 31 minutos , tripulando o The Spirit of Saint Louis.
Casa Comum,22 de Maio de 1927
A luta continua aberta, embora desigual, começando o ataque à imprensa livre afecta ás forças republicanas, como o ataque às instalações do jornal a Batalha, o jornal propriedade da União Operária Nacional de tendência anarquista, na sequência aliás da ofensiva contra o sindicalismo de esquerda, já que dias antes também a Confederação Geral do Trabalho havia sido dissolvida.
Em contra-partida o governo de Vicente de Freitas diz querer transformar o 1º de Maio numa Festa do Trabalho a ser "comemorada em serenidade, paz e harmonia social". É este o conceito das forças da ditadura, tentar governamentalizar o movimento sindical autónomo, por forma a que pela utilização de frases queridas aos ouvidos de toda a gente, colocar um orgão criado para defesa dos interesses dos trabalhadores ao seu serviço.
A Liga de Defesa da República, foi criada em Paris em torno de Afonso Costa, constituida por nomes como Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos, Jaime Cortesão e António Sérgio, disseram-me que se propõe lançar dali as bases da luta contra a ditadura instalada no poder
Naturalmente que tenho algumas dúvidas, que essa luta dirigida do exterior possa ter uma acção preponderante, razão provável para que tenham considerado importante aceitar uma ligação à CGT por terem ligações com os comunistas e visto a República dever encaminhar-se para a esquerda, apoiando-se nas classes operárias, segundo a visão expressa por Afonso Costa,
Os sonhos de Afonso Costa e da Liga de Paris precisam de ganhar asas para poder voar. Voar como Charles Lindbergh, um jovem de 25 anos, que ontem conseguiu o feito brilhante e ousado de fazer a ligação a Paris por avião por sobre o Atlântico apenas em 33 horas e 31 minutos , tripulando o The Spirit of Saint Louis.
Casa Comum,22 de Maio de 1927
6 de agosto de 2008
Na década da autocracia europeia
Os indícios de autoritarismo que se estão a desenhar no nosso País desde o passado ano de 1926, são preocupação, como já disse mas sobretudo porque estão perfeitamente enquadrados, com acontecimentos que ocorrem no mesmo sentido em vários pontos da Europa.
Em Itália o regime fascista abole o cargo de elegível de presidente da Câmara,substituindo-o pelo de corregedor nomeado pelo governo civil. Alguns atentados contra Mussolini só agravaram o aperto reaccionário com a aprovação das leis fascistissime, com o desaparecimento de todos os partidos da oposição e a criação duma polícia especial a OVRA, para reprimir os anti-fascistas, culminando a sua acção com a prisão de António Gramsci,

lider do Partido Comunista Italiano.
O regime fascista "reestrutura" as relações entre o capital e o trabalho, criando o ministério das associações, ensaiando o corporativismo, acabando com a greve e o lock-out, estatificando e controlando a "luta de classes".
Em Espanha, Primo de Rivera celebra um tratado de amizade com a Italia, estabelecendo relações de amizade entre as duas ditaduras, ao mesmo tempo que a Alemanha é admitida na Sociedade das Nações, recebendo um lugar permanente no Conselho.
A URSS assina um tratado de amizade e neutralidade com a Alemanha, enquanto a luta interna pelo poder se vira em absoluto para o lado de Estaline, secretário-geral do PCUS, qu acaba por controlar firmemente todas as alas do Partido.
Está cada vez mais débil e oposição movida por Trotsky e Zinoviev, que se clamavam contra a crescente burocratização e contar o apego estalinista a uma nova máxima a seu ver anti-revolucionária, do "socialismo num só país".
Há efectivamente por todo o lado um forte movimento de contestação às liberdades políticas acentuando-se a tendência, para o autoritarismo estatal, sinceramente espero que não venha a acontecer em Portugal, muito embora os acontecimento deste último ano de 1926, não me dêem grandes esperanças,
O movimento militar e civil desencadeado em Fevereiro deste ano contra a ditadura militar, foi completamente desbaratado quer no Porto onde começou quer em Lisboa.O saldo foi violento, mais de 600 prisões, centenas de mortos e milhares de feridos.
Não admira que as felicitações ao governo da ditadura tenham partido das entidades patronais e dos países acreditados em Portugal por iniciativa do núncio apostólico.
Todos os funcionários públicos envolvidos nos movimentos reviralhistas foram demitidos, destacando-se algumas figuras proeminentes como Jaime Cortesão e Raul Proença, fundadores da Seara Nova e que eram directores da Biblioteca Nacional de Lisboa.
Em 10 de Março soube que foi publicado em Coimbra uma nova revista a que os seus criadores chamaram a Presença. A avaliar pelos nomes dos seus fundadores José Régio,João Gaspar Simões,Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt auguro que façam um bom trabalho, embora tema pelo seu futuro.
Casa Comum, 20 de Março de 1927
Em Itália o regime fascista abole o cargo de elegível de presidente da Câmara,substituindo-o pelo de corregedor nomeado pelo governo civil. Alguns atentados contra Mussolini só agravaram o aperto reaccionário com a aprovação das leis fascistissime, com o desaparecimento de todos os partidos da oposição e a criação duma polícia especial a OVRA, para reprimir os anti-fascistas, culminando a sua acção com a prisão de António Gramsci,

lider do Partido Comunista Italiano.
O regime fascista "reestrutura" as relações entre o capital e o trabalho, criando o ministério das associações, ensaiando o corporativismo, acabando com a greve e o lock-out, estatificando e controlando a "luta de classes".
Em Espanha, Primo de Rivera celebra um tratado de amizade com a Italia, estabelecendo relações de amizade entre as duas ditaduras, ao mesmo tempo que a Alemanha é admitida na Sociedade das Nações, recebendo um lugar permanente no Conselho.
A URSS assina um tratado de amizade e neutralidade com a Alemanha, enquanto a luta interna pelo poder se vira em absoluto para o lado de Estaline, secretário-geral do PCUS, qu acaba por controlar firmemente todas as alas do Partido.
Está cada vez mais débil e oposição movida por Trotsky e Zinoviev, que se clamavam contra a crescente burocratização e contar o apego estalinista a uma nova máxima a seu ver anti-revolucionária, do "socialismo num só país".
Há efectivamente por todo o lado um forte movimento de contestação às liberdades políticas acentuando-se a tendência, para o autoritarismo estatal, sinceramente espero que não venha a acontecer em Portugal, muito embora os acontecimento deste último ano de 1926, não me dêem grandes esperanças,
O movimento militar e civil desencadeado em Fevereiro deste ano contra a ditadura militar, foi completamente desbaratado quer no Porto onde começou quer em Lisboa.O saldo foi violento, mais de 600 prisões, centenas de mortos e milhares de feridos.
Não admira que as felicitações ao governo da ditadura tenham partido das entidades patronais e dos países acreditados em Portugal por iniciativa do núncio apostólico.
Todos os funcionários públicos envolvidos nos movimentos reviralhistas foram demitidos, destacando-se algumas figuras proeminentes como Jaime Cortesão e Raul Proença, fundadores da Seara Nova e que eram directores da Biblioteca Nacional de Lisboa.
Em 10 de Março soube que foi publicado em Coimbra uma nova revista a que os seus criadores chamaram a Presença. A avaliar pelos nomes dos seus fundadores José Régio,João Gaspar Simões,Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt auguro que façam um bom trabalho, embora tema pelo seu futuro.
Casa Comum, 20 de Março de 1927
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